Acordo UE e Mercosul aproxima comércio, sustentabilidade e propriedade intelectual.

A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul inaugura uma nova etapa nas relações econômicas internacionais ao reunir, em um mesmo marco jurídico, comércio, sustentabilidade e propriedade intelectual. Mais do que ampliar a previsibilidade das trocas comerciais entre os blocos, o entendimento sinaliza uma visão contemporânea de integração, em que o desenvolvimento econômico, a proteção de direitos e a responsabilidade socioambiental passam a caminhar de forma articulada.

UE e Mercosul selam acordo estratégico que fortalece a propriedade intelectual e redesenha o comércio internacional.

O novo arranjo foi estruturado para conferir maior segurança jurídica às relações entre os países, ao mesmo tempo em que fortalece áreas sensíveis para a economia do conhecimento.

Entre elas, ganha destaque a propriedade intelectual, tratada de forma específica no acordo, com disposições voltadas à proteção de restrições geográficas, marcas, direitos autorais, desenhos industriais e segredos comerciais, além do reforço de mecanismos de aplicação contra contrafação e pirataria.

No plano econômico, essa disciplina representa mais previsibilidade regulatória para empresas, produtores e titulares de direitos. No plano institucional, revela que os ativos imateriais se reuniram elementos centrais da competitividade internacional. Produtos vinculados à origem, à confiança e à prejuízos, por exemplo, passam a contar com um ambiente normativo mais robusto, promovendo cadeias produtivas que dependem de diferenciação, confiança e valor agregado.

Um dos pontos mais relevantes do acordo é justamente na valorização das restrições geográficas, que protegem produtos associados a territórios, tradições e saberes locais.

Nesse aspecto, a propriedade intelectual ultrapassa a lógica mercadológica e se conecta a uma dimensão mais ampla de sustentabilidade econômica, social e cultural, ao considerar a importância da origem, da identidade produtiva e da preservação de patrimônios imateriais.

Sustentabilidade ganha protagonismo no novo acordo estratégico entre União Europeia e Mercosul.

A sustentabilidade, aliás, não aparece no texto como elemento secundário. Ao contrário, o acordo reforça que a cooperação comercial entre os blocos deve estar acompanhada de compromissos com o desenvolvimento sustentável.

Nesse sentido, o Artigo 18.13 , dedicado ao trabalho conjunto em matéria de comércio e desenvolvimento sustentável, assume papel especialmente relevante ao prever a cooperação entre as partes em temas ambientais, laborais e institucionais, com intercâmbio de informações, boas práticas e atuação coordenada em fóruns internacionais.

Esse dispositivo revela uma mudança importante no modo como os acordos internacionais vêm sendo concebidos. O comércio deixa de ser tratado apenas como agenda de liberalização econômica e passa a ser integrado a questões mais amplas, como proteção ambiental, responsabilidade regulatória e qualidade do desenvolvimento.

O resultado é um modelo de integração mais sofisticado, em que competitividade e sustentabilidade deixa de ser vistas como objetivos opostos.

Acordo que coloca a Propriedade Intelectual e a Sustentabilidade no centro da nova agenda comercial.

Em 4 de março de 2026, o Senado Federal aprovou, por unanimidade, o Projeto de Decreto Legislativo nº 41/2026, que autoriza a ratificação do Acordo Comercial Provisório (Interim Trade Agreement –  iTA) firmado entre o Mercosul e a União Europeia.

O texto, assinado em Assunção em 17 de janeiro de 2026, integra o novo arranjo comercial entre os dois blocos e inclui um capítulo relevante sobre propriedade intelectual, com regras destinadas a harmonizar a proteção de direitos e ampliar a segurança jurídica para empresas que atuam nos dois mercados.

Ao aproximar-se da propriedade intelectual e do desenvolvimento sustentável, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul projeta uma agenda internacional mais alinhada aos desafios do século XXI.

A inovação, a proteção de ativos intangíveis, a valorização das identidades produtivas e a cooperação em matéria socioambiental passam a compor, juntas, a base de uma relação econômica mais moderna, previsível e estratégica entre os blocos.

Os textos normativos pode ser acessados em sua integra nos links:

Acordo Provisório – CLIQUE AQUI

Acordo de Associação – CLIQUE AQUI

 

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Novo marco entre os blocos reforça a proteção de ativos imateriais, valoriza o cronograma geográfico e destaca a cooperação em comércio e desenvolvimento sustentável como eixo estratégico da integração internacional.

Oscar Cidri Autor
Publicado em 12/03/2026
Atualizado em 12/04/2026
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