{"id":9632,"date":"2026-10-08T02:27:59","date_gmt":"2026-10-08T05:27:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9632"},"modified":"2026-10-08T03:04:13","modified_gmt":"2026-10-08T06:04:13","slug":"china-opinioes-stp-ia-direito-autoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/artigos\/china-opinioes-stp-ia-direito-autoral\/","title":{"rendered":"Regular pela prova: as Opini\u00f5es do Supremo Tribunal Popular da China sobre intelig\u00eancia artificial e o que elas dizem ao direito autoral brasileiro"},"content":{"rendered":"<div style=\"overflow-wrap: anywhere;\">\n<h3>Intelig\u00eancia Artificial e Direitos Autorais: o que o Brasil pode aprender com as novas orienta\u00e7\u00f5es do Supremo Tribunal Popular da China?<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Autoria:<\/strong> Marcos Wachowicz. Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito (PPGD\/UFPR). Doutor em Direito pela UFPR. Mestre em Direito pela Universidade Cl\u00e1ssica de Lisboa, Portugal. Coordenador l\u00edder do Grupo de Estudos de Direito Autoral e Industrial (GEDAI\/UFPR), vinculado ao CNPq. Coordenador da Rede Ibero-Americana de Propriedade Intelectual (RIAPI). Professor da C\u00e1tedra de Propriedade Intelectual no Institute for Information, Telecommunication and Media Law (ITM) da Universidade de M\u00fcnster, Alemanha (2018\/2019). Possui diversos artigos cient\u00edficos publicados no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Resumo.<\/strong> Em 7 de setembro de 2026, o Supremo Tribunal Popular da China publicou as Opini\u00f5es sobre o Julgamento de Controv\u00e9rsias Envolvendo Intelig\u00eancia Artificial (Fa Fa [2026] n\u00ba 10), primeiro documento de regras de julgamento sobre IA editado por uma corte suprema. O artigo analisa sua natureza jur\u00eddica e os itens relevantes para a propriedade intelectual, a partir de tradu\u00e7\u00e3o integral feita pelo IODA. Sustenta que o tribunal deixou deliberadamente em aberto a licitude do treinamento e a protegibilidade do conte\u00fado gerado, e preferiu regular pela prova: o desenvolvedor deve exibir a origem dos dados ao alegar n\u00e3o infra\u00e7\u00e3o, o conte\u00fado gerado usado como prova \u00e9 avaliado pelo prompt e pela consist\u00eancia de testes repetidos, e a contribui\u00e7\u00e3o humana substancial passa a ser condi\u00e7\u00e3o da patente. Em perspectiva comparada com a Uni\u00e3o Europeia, os Estados Unidos e o Brasil, conclui que o Judici\u00e1rio brasileiro j\u00e1 pode exigir transpar\u00eancia com os instrumentos do CPC, mas que o rol fechado do art. 46 da Lei n\u00ba 9.610\/1998 impede reproduzir o sil\u00eancio chin\u00eas sobre o treinamento, que depende de decis\u00e3o do legislador.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> intelig\u00eancia artificial; direito autoral; China; prova; treinamento de modelos; PL n\u00ba 2.338\/2023.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Abstract.<\/strong> On 7 September 2026, the Supreme People&#8217;s Court of China issued its Opinions on Adjudicating Disputes Involving Artificial Intelligence (Fa Fa [2026] No. 10), the first set of AI adjudication rules issued by a supreme court. This article examines their legal nature and the provisions relevant to intellectual property, based on IODA&#8217;s full Portuguese translation. It argues that the Court deliberately left open the legality of training and the protectability of AI-generated output, choosing instead to regulate through evidence: developers must disclose the provenance of training data when denying infringement, AI output offered as evidence is assessed by the prompt used and the consistency of repeated tests, and substantial human contribution becomes a condition for patentability. Comparing China with the European Union, the United States and Brazil, it concludes that Brazilian courts can already require transparency under the Code of Civil Procedure, but that the closed list of exceptions in Article 46 of Law No. 9,610\/1998 rules out the Chinese silence on training, which calls for a legislative decision.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Keywords:<\/strong> artificial intelligence; copyright; China; evidence; model training; Bill No. 2,338\/2023.<\/p>\n<h2>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Em 7 de setembro de 2026, o Supremo Tribunal Popular da China (STP) publicou as <em>Opini\u00f5es sobre o Julgamento, conforme a Lei, de Controv\u00e9rsias Envolvendo Intelig\u00eancia Artificial<\/em> (\u6700\u9ad8\u4eba\u6c11\u6cd5\u9662\u5173\u4e8e\u4f9d\u6cd5\u5ba1\u7406\u6d89\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u7ea0\u7eb7\u6848\u4ef6\u7684\u610f\u89c1, Fa Fa [2026] n\u00ba 10).\u00b9 S\u00e3o 24 itens distribu\u00eddos em cinco partes: princ\u00edpios, responsabilidade civil, propriedade intelectual, processo e organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria. O tribunal apresenta o texto como o primeiro documento de regras de julgamento sobre IA editado pela mais alta inst\u00e2ncia judicial de um pa\u00eds (\u9996\u90e8\u7531\u56fd\u5bb6\u6700\u9ad8\u5ba1\u5224\u673a\u6784\u53d1\u5e03\u7684\u6d89\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u53f8\u6cd5\u88c1\u5224\u89c4\u5219\u6587\u4ef6).\u00b2<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Para o direito autoral, o dado mais revelador est\u00e1 no que o documento n\u00e3o diz. Na coletiva que acompanhou a publica\u00e7\u00e3o, os respons\u00e1veis do STP informaram que duas quest\u00f5es ficaram de fora: a protegibilidade do conte\u00fado gerado por IA e a qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do uso de obras alheias, sem autoriza\u00e7\u00e3o, para treinar grandes modelos. Sobre a segunda, reconheceram que &#8220;as diverg\u00eancias s\u00e3o grandes&#8221; (\u610f\u89c1\u5206\u6b67\u5f88\u5927) e que a compreens\u00e3o do tema &#8220;ainda precisa amadurecer&#8221;. Por isso, as Opini\u00f5es &#8220;por ora n\u00e3o a regulam&#8221; (\u6682\u4e0d\u4f5c\u89c4\u5b9a).\u00b3 A apresenta\u00e7\u00e3o oficial chama essa escolha de &#8220;deixar em branco&#8221; (\u7559\u767d\u5904\u7406), at\u00e9 que a experi\u00eancia permita uma defini\u00e7\u00e3o.\u00b2<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 omiss\u00e3o. A tese deste artigo \u00e9 que o STP preferiu <strong>regular pela prova<\/strong>. Sem decidir se treinar \u00e9 l\u00edcito, o item 12 manda que o desenvolvedor que alega n\u00e3o infra\u00e7\u00e3o apresente a origem dos dados de treinamento, os registros do processo de treinamento e o modo de funcionamento do modelo. Sem decidir se o output \u00e9 obra, os itens 18 e 19 dizem como um tribunal deve avaliar um conte\u00fado gerado por IA apresentado como prova: o desenho do prompt, a semelhan\u00e7a com a obra, a consist\u00eancia de testes repetidos, a integridade das marca\u00e7\u00f5es de conte\u00fado sint\u00e9tico. A isso se somam a responsabilidade do provedor condicionada \u00e0 notifica\u00e7\u00e3o (item 7) e a exig\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o humana substancial para a patente (item 14). O resultado combina ambiguidade no plano material com regras que for\u00e7am a revela\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o no plano processual.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O interesse do caso chin\u00eas para o Brasil est\u00e1 justamente a\u00ed. O cap\u00edtulo de direitos de autor do PL n\u00ba 2.338\/2023, que aguarda parecer na Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara dos Deputados, busca obter por lei a transpar\u00eancia sobre as obras usadas no treinamento. Parte desse resultado pode ser alcan\u00e7ada desde j\u00e1, pela via processual, com os instrumentos que o C\u00f3digo de Processo Civil j\u00e1 oferece. Mas o modelo chin\u00eas n\u00e3o \u00e9 transpon\u00edvel sem filtro. No direito brasileiro, as limita\u00e7\u00f5es do art. 46 da Lei n\u00ba 9.610\/1998 formam um rol fechado, lido \u00e0 luz da regra dos tr\u00eas passos, e o sil\u00eancio do legislador sobre o treinamento n\u00e3o equivale a permiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O artigo segue a linha que o IODA vem desenvolvendo no <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/direito-autoral-e-inteligencia-artificial\/\">guia sobre Direito Autoral e Intelig\u00eancia Artificial<\/a> e d\u00e1 continuidade \u00e0 an\u00e1lise de fontes asi\u00e1ticas a partir de tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, iniciada com o <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/direitos-autorais-soft-power-vietna\/\">estudo sobre o Decreto n\u00ba 287\/2026 do Vietn\u00e3<\/a>. O IODA disponibiliza a <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Traducao_IODA_Opinioes_STP_IA_Fa-Fa-2026-10.pdf\">tradu\u00e7\u00e3o integral das Opini\u00f5es para o portugu\u00eas<\/a>. As cita\u00e7\u00f5es deste texto seguem essa tradu\u00e7\u00e3o, conferida com o original chin\u00eas.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A se\u00e7\u00e3o 2 examina a natureza jur\u00eddica do documento. As se\u00e7\u00f5es 3 a 9 analisam os itens que interessam \u00e0 propriedade intelectual, com destaque para o direito autoral (se\u00e7\u00e3o 4) e a prova (se\u00e7\u00e3o 8). A se\u00e7\u00e3o 10 situa a China no debate internacional sobre o treinamento de modelos, e a se\u00e7\u00e3o 11 prop\u00f5e uma agenda para o Brasil.<\/p>\n<h2>2. O que \u00e9 um &#8220;\u610f\u89c1&#8221; e quanto ele vale<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O leitor ocidental tende a tratar qualquer texto do STP como uma &#8220;decis\u00e3o&#8221; ou como uma &#8220;interpreta\u00e7\u00e3o judicial&#8221;. As Opini\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nem uma coisa nem outra, e a diferen\u00e7a importa para medir o seu alcance.<\/p>\n<h3>2.1. Interpreta\u00e7\u00e3o judicial e documento judicial normativo<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O STP tem compet\u00eancia para editar interpreta\u00e7\u00f5es judiciais (\u53f8\u6cd5\u89e3\u91ca) sobre a aplica\u00e7\u00e3o da lei. Desde a reforma de 2021 das <em>Disposi\u00e7\u00f5es sobre o Trabalho de Interpreta\u00e7\u00e3o Judicial<\/em>, essas interpreta\u00e7\u00f5es assumem uma de cinco formas: &#8220;interpreta\u00e7\u00e3o&#8221; (\u89e3\u91ca), &#8220;disposi\u00e7\u00f5es&#8221; (\u89c4\u5b9a), &#8220;regras&#8221; (\u89c4\u5219), &#8220;respostas&#8221; (\u6279\u590d) e &#8220;decis\u00f5es&#8221; (\u51b3\u5b9a).\u2074 Elas recebem a numera\u00e7\u00e3o &#8220;Fa Shi&#8221; (\u6cd5\u91ca) e t\u00eam efic\u00e1cia jur\u00eddica (\u6cd5\u5f8b\u6548\u529b) vinculante para os tribunais.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">As Opini\u00f5es levam outra numera\u00e7\u00e3o, &#8220;Fa Fa&#8221; (\u6cd5\u53d1), e outra forma, &#8220;opini\u00f5es&#8221; (\u610f\u89c1), que n\u00e3o est\u00e1 entre as cinco. Pertencem \u00e0 categoria dos documentos judiciais normativos, \u00e0s vezes chamados de documentos de orienta\u00e7\u00e3o judicial. A consequ\u00eancia formal est\u00e1 na norma do STP sobre cita\u00e7\u00e3o de atos normativos em senten\u00e7as (Fa Shi [2009] n\u00ba 14). Uma senten\u00e7a c\u00edvel deve fundamentar-se em leis, interpreta\u00e7\u00f5es legislativas e interpreta\u00e7\u00f5es judiciais (art. 4\u00ba). Os demais documentos normativos, se considerados l\u00edcitos e vigentes, &#8220;podem servir de fundamento para a motiva\u00e7\u00e3o&#8221; (\u53ef\u4ee5\u4f5c\u4e3a\u88c1\u5224\u8bf4\u7406\u7684\u4f9d\u636e, art. 6\u00ba), mas n\u00e3o de fundamento da decis\u00e3o.\u2075<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Na pr\u00e1tica, essa for\u00e7a formal limitada convive com uma for\u00e7a pr\u00e1tica alta. O sistema judici\u00e1rio chin\u00eas \u00e9 fortemente hier\u00e1rquico, e as pr\u00f3prias Opini\u00f5es refor\u00e7am os meios de controle. O item 22 manda que casos de interesse relevante, de tipo novo ou com &#8220;significado para a fixa\u00e7\u00e3o de regras&#8221; sejam julgados pela inst\u00e2ncia superior, e que se use a base de casos dos tribunais populares para uniformizar a aplica\u00e7\u00e3o da lei. Um tribunal inferior que se afaste das Opini\u00f5es tende a ver sua decis\u00e3o revista. Para o comparatista, o paralelo mais pr\u00f3ximo no Brasil n\u00e3o \u00e9 a s\u00famula vinculante, mas um enunciado de orienta\u00e7\u00e3o de tribunal superior, que n\u00e3o obriga formalmente e, ainda assim, orienta quase toda a jurisprud\u00eancia.<\/p>\n<h3>2.2. Um mosaico normativo sem lei geral de IA<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A China n\u00e3o tem uma lei geral de intelig\u00eancia artificial, e a apresenta\u00e7\u00e3o oficial reconhece isso expressamente.\u00b2 As Opini\u00f5es se apoiam em leis gerais, como o C\u00f3digo Civil, a Lei de Direito Autoral, a Lei de Prote\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Pessoais e a Lei de Processo Civil, e se encaixam num conjunto de normas setoriais j\u00e1 em vigor:<\/p>\n<figure class=\"wp-block-table\" style=\"overflow-x: auto; max-width: 100%;\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Norma<\/th>\n<th>\u00d3rg\u00e3o<\/th>\n<th>Vig\u00eancia<\/th>\n<th>O que interessa aqui<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Medidas Provis\u00f3rias para a Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de IA Generativa<\/td>\n<td>Administra\u00e7\u00e3o do Ciberespa\u00e7o (CAC) e outros \u00f3rg\u00e3os<\/td>\n<td>15\/8\/2023<\/td>\n<td>Deveres dos provedores; base do dever de cuidado no caso Ultraman de Guangzhou<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Diretrizes para pedidos de patente relacionados a IA<\/td>\n<td>Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Propriedade Intelectual (CNIPA)<\/td>\n<td>31\/12\/2024 (vers\u00e3o experimental)<\/td>\n<td>Inventor \u00e9 a pessoa f\u00edsica com contribui\u00e7\u00e3o criativa<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Medidas de Rotulagem de Conte\u00fado Gerado ou Sintetizado por IA<\/td>\n<td>CAC e outros tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os<\/td>\n<td>1\u00ba\/9\/2025<\/td>\n<td>O art. 10 pro\u00edbe remover, adulterar, falsificar ou ocultar a marca\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Lei contra a Concorr\u00eancia Desleal (revisada)<\/td>\n<td>Comit\u00ea Permanente da APN<\/td>\n<td>15\/10\/2025<\/td>\n<td>O art. 13 pro\u00edbe obter ou usar dados de terceiros por meios indevidos<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Fontes: notas 6 a 9.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Completam o quadro as decis\u00f5es dos tribunais da internet, que anteciparam boa parte do que as Opini\u00f5es consolidam e s\u00e3o examinadas na se\u00e7\u00e3o 4. No plano pol\u00edtico, a apresenta\u00e7\u00e3o oficial cita o 15\u00ba Plano Quinquenal, que manda &#8220;explorar a cria\u00e7\u00e3o de regras sobre a titularidade dos produtos da IA e sobre os direitos e responsabilidades de desenvolvedores, operadores e usu\u00e1rios&#8221;.\u00b2<\/p>\n<h3>2.3. Como ler o documento<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Duas consequ\u00eancias de leitura decorrem da\u00ed. A primeira: as Opini\u00f5es consolidam a experi\u00eancia dos tribunais, como o pr\u00f3prio STP afirma, e devem ser lidas junto com os casos que as precederam. N\u00e3o s\u00e3o um ponto de partida abstrato. A segunda: os temas deixados em branco s\u00e3o, eles mesmos, uma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Ao n\u00e3o fixar regra sobre o treinamento, o STP mant\u00e9m o caminho aberto para que os tribunais inferiores sigam decidindo caso a caso, como fizeram nos casos Ultraman, com rigor menor para a fase de treinamento e maior para a fase de gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse espa\u00e7o, entre o que foi regulado e o que foi deixado em aberto, que se situa a an\u00e1lise das se\u00e7\u00f5es seguintes.<\/p>\n<h2>3. Arquitetura e princ\u00edpios<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A Parte I fixa tr\u00eas princ\u00edpios: centralidade da pessoa humana (\u4ee5\u4eba\u4e3a\u672c), apoio ao desenvolvimento inovador e consolida\u00e7\u00e3o da linha de base da seguran\u00e7a (item 2). Lidos isoladamente, s\u00e3o f\u00f3rmulas conhecidas. O que os torna operativos \u00e9 um crit\u00e9rio que aparece dentro do terceiro princ\u00edpio: o tribunal deve distinguir os grandes modelos &#8220;de uso geral e de uso espec\u00edfico, abertos e fechados&#8221; segundo seus &#8220;princ\u00edpios t\u00e9cnicos, transbordamento de risco e capacidade de controle&#8221;. Com base nisso, deve repartir a responsabilidade entre desenvolvedores, provedores e usu\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O crit\u00e9rio antecipa o que as Opini\u00f5es fazem depois. A responsabilidade n\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda a &#8220;quem fez a IA&#8221; em bloco, mas a cada elo da cadeia, na medida do que ele podia prever e controlar. Por isso o item 3 afasta, como regra, a responsabilidade objetiva. Fora dos casos em que a lei imp\u00f5e responsabilidade sem culpa ou culpa presumida, aplica-se a responsabilidade por culpa do art. 1.165 do C\u00f3digo Civil chin\u00eas.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A culpa \u00e9 aferida pelo cen\u00e1rio de aplica\u00e7\u00e3o, pelo grau de autonomia do sistema, pela transpar\u00eancia t\u00e9cnica e pelas medidas de preven\u00e7\u00e3o tecnicamente poss\u00edveis. Do lado do usu\u00e1rio, conta sua capacidade de prever e controlar o dano.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A escolha dialoga com a trajet\u00f3ria do PL n\u00ba 2.338\/2023. A vers\u00e3o original do projeto previa responsabilidade objetiva para sistemas de alto risco. No Senado, o parecer da Comiss\u00e3o Tempor\u00e1ria acolheu emendas para evitar que essa regra se tornasse geral. O texto enviado \u00e0 C\u00e2mara remete aos regimes do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (art. 35) e do C\u00f3digo Civil (art. 36). Manda definir o regime concreto conforme o n\u00edvel de autonomia e o grau de risco do sistema (art. 36, par\u00e1grafo \u00fanico). E determina a invers\u00e3o do \u00f4nus da prova quando a v\u00edtima for hipossuficiente ou quando &#8220;as caracter\u00edsticas de funcionamento do sistema de IA tornarem excessivamente oneroso para a v\u00edtima provar os requisitos da responsabilidade civil&#8221; (art. 37).\u00b9\u2070<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A converg\u00eancia com o item 3 \u00e9 maior do que parece: os dois sistemas rejeitam uma regra objetiva uniforme e mandam o juiz calibrar a responsabilidade pela autonomia e pelo risco do sistema. A diferen\u00e7a est\u00e1 na prova. O projeto brasileiro facilita a prova da v\u00edtima, enquanto o chin\u00eas cobra do agente as medidas de preven\u00e7\u00e3o tecnicamente poss\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A Parte II aplica esse crit\u00e9rio a cen\u00e1rios concretos, que aqui s\u00f3 se resumem:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Personalidade (itens 4 e 5).<\/strong> Gerar, sem consentimento, uma figura digital que identifique uma pessoa viola o nome e a imagem. Treinar com a voz de algu\u00e9m para imitar timbre e entona\u00e7\u00e3o viola os &#8220;direitos e interesses sobre a voz&#8221;. A &#8220;ressurrei\u00e7\u00e3o&#8221; digital de falecidos d\u00e1 legitimidade aos parentes pr\u00f3ximos. O uso de IA para cruzar dados p\u00fablicos e expor a vida privada (&#8220;\u7f51\u7edc\u5f00\u76d2&#8221;) viola a privacidade.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Inj\u00fan\u00e7\u00e3o (item 8).<\/strong> O juiz pode ordenar ao agente, ao provedor de rede ou ao provedor de IA generativa que cesse o servi\u00e7o, sem exceder o necess\u00e1rio.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Produto (item 9).<\/strong> Aplica-se a responsabilidade pelo fato do produto apenas a produtos de IA com suporte f\u00edsico. A an\u00e1lise do defeito considera a aprendizagem aut\u00f4noma, as atualiza\u00e7\u00f5es e o dever de advertir sobre limita\u00e7\u00f5es inerentes.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Consumo (item 10).<\/strong> A discrimina\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica de pre\u00e7os (&#8220;\u5927\u6570\u636e\u6740\u719f&#8221;) gera responsabilidade. A venda com imita\u00e7\u00e3o de celebridades por IA, quando for fraude, d\u00e1 direito a indeniza\u00e7\u00e3o punitiva.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Ve\u00edculos (item 11).<\/strong> Defeito do ve\u00edculo e culpa do condutor podem concorrer. A publicidade enganosa sobre o n\u00edvel de automa\u00e7\u00e3o \u00e9 il\u00edcita. O juiz pode exigir os registros de condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 4 tem paralelo direto na jurisprud\u00eancia brasileira. Em julgado comentado pelo IODA, o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo reconheceu que o uso de IA generativa pode violar direitos da personalidade de um locutor e imp\u00f4s ao usu\u00e1rio da ferramenta um dever de cuidado.\u00b9\u00b9 A diferen\u00e7a est\u00e1 no fundamento.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O C\u00f3digo Civil chin\u00eas protege expressamente a voz, por remiss\u00e3o \u00e0s regras sobre a imagem (art. 1.023). No Brasil, a prote\u00e7\u00e3o da voz decorre do art. 5\u00ba, X e XXVIII, <em>a<\/em>, da Constitui\u00e7\u00e3o e do art. 20 do C\u00f3digo Civil, por constru\u00e7\u00e3o jurisprudencial.<\/p>\n<h2>4. Direito autoral: regular sem decidir<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 12 \u00e9 o centro das Opini\u00f5es para o direito autoral. Ele tem quatro comandos: um crit\u00e9rio de reparti\u00e7\u00e3o de responsabilidade, uma regra de prova para o desenvolvedor, uma regra sobre o usu\u00e1rio e uma cl\u00e1usula sobre concorr\u00eancia desleal. Nenhum deles responde se treinar com obras protegidas \u00e9 l\u00edcito ou se o conte\u00fado gerado \u00e9 obra. Essas duas aus\u00eancias s\u00e3o deliberadas e ser\u00e3o examinadas no fim da se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>4.1. A reparti\u00e7\u00e3o de responsabilidade e os casos Ultraman<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Quando conte\u00fado gerado por IA viola direito autoral, o tribunal deve repartir a responsabilidade entre desenvolvedor, provedor e usu\u00e1rio. Para isso, considera o tipo de servi\u00e7o, as caracter\u00edsticas do setor, a origem dos dados de treinamento, o grau de participa\u00e7\u00e3o de cada parte, as medidas adotadas e os lucros obtidos.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Na coletiva, o STP resumiu o ponto de partida: n\u00e3o se pode afastar a responsabilidade dos envolvidos &#8220;sob o argumento de que o conte\u00fado foi gerado por intelig\u00eancia artificial&#8221; (\u4e0d\u80fd\u4ee5\u88ab\u8bc9\u4fb5\u6743\u5185\u5bb9\u7cfb\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u751f\u6210\u4e3a\u7531\u514d\u9664\u76f8\u5173\u4e3b\u4f53\u8d23\u4efb).\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O crit\u00e9rio consolida dois julgados que circularam amplamente fora da China, ambos sobre a personagem Ultraman.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No primeiro, o Tribunal da Internet de Guangzhou ((2024)\u7ca40192\u6c11\u521d113\u53f7, fev. 2024) condenou o operador de um site de gera\u00e7\u00e3o de imagens que produzia figuras substancialmente semelhantes ao personagem. O tribunal reconheceu viola\u00e7\u00e3o dos direitos de reprodu\u00e7\u00e3o e de adapta\u00e7\u00e3o e rejeitou o argumento de que a gera\u00e7\u00e3o era feita por modelo de terceiro, acessado por API. Fundou a culpa no dever de cuidado das Medidas Provis\u00f3rias para Servi\u00e7os de IA Generativa e ordenou filtros t\u00e9cnicos, como bloqueio por palavras-chave. Fixou a indeniza\u00e7\u00e3o em RMB 10 mil. Recusou o pedido de retirar o material da base de treinamento, porque o r\u00e9u n\u00e3o havia treinado o modelo.\u00b9\u00b2<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No segundo, julgado em primeira inst\u00e2ncia pelo Tribunal da Internet de Hangzhou e confirmado pelo Tribunal Intermedi\u00e1rio de Hangzhou ((2024)\u6d590192\u6c11\u521d1587\u53f7 e (2024)\u6d5901\u6c11\u7ec810332\u53f7), a plataforma permitia que usu\u00e1rios treinassem modelos LoRA com imagens do personagem e gerassem novas imagens.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A plataforma foi condenada por infra\u00e7\u00e3o contribut\u00f3ria do direito de comunica\u00e7\u00e3o por redes de informa\u00e7\u00e3o, com indeniza\u00e7\u00e3o de RMB 30 mil. O ponto doutrin\u00e1rio mais relevante \u00e9 a gradua\u00e7\u00e3o: o tribunal aplicou um padr\u00e3o brando \u00e0s fases de entrada de dados e treinamento e um padr\u00e3o mais r\u00edgido \u00e0 fase de gera\u00e7\u00e3o e uso. N\u00e3o exigiu revis\u00e3o pr\u00e9via das entradas nem dos resultados, e fez a responsabilidade depender de culpa em rela\u00e7\u00e3o a atos espec\u00edficos.\u00b9\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 12 incorpora essa l\u00f3gica. A responsabilidade se concentra no momento em que o servi\u00e7o p\u00f5e em circula\u00e7\u00e3o um resultado semelhante \u00e0 obra, e se mede pelo controle que cada agente tinha.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O contraste com a Alemanha \u00e9 n\u00edtido. No caso <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/gema-openai\/\">GEMA v. OpenAI<\/a>, comentado pelo IODA, o Tribunal Regional de Munique tratou a memoriza\u00e7\u00e3o de obras pelo modelo como reprodu\u00e7\u00e3o e atribuiu a responsabilidade ao operador que desenvolve e disponibiliza o sistema. A an\u00e1lise alem\u00e3 come\u00e7a no modelo. A chinesa, at\u00e9 aqui, come\u00e7a no servi\u00e7o.<\/p>\n<h3>4.2. O dever de exibir os dados de treinamento<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra mais original do item 12 est\u00e1 na sua segunda frase: quando o desenvolvedor alegar n\u00e3o infra\u00e7\u00e3o, o tribunal &#8220;deve determinar que apresente, como comprova\u00e7\u00e3o, a origem dos dados de treinamento, os registros do processo de treinamento, o modo de funcionamento do modelo e a fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-cient\u00edfica correspondente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A coletiva esclareceu a sequ\u00eancia. Primeiro, o titular comprova que o conte\u00fado foi gerado por aquele sistema e \u00e9 substancialmente semelhante \u00e0 obra. S\u00f3 ent\u00e3o o desenvolvedor que se defende deve provar os fatos relativos a dados, treinamento e funcionamento.\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">N\u00e3o se trata, portanto, de invers\u00e3o do \u00f4nus da prova da infra\u00e7\u00e3o. O titular continua obrigado a provar o seu fato constitutivo. A pr\u00f3pria frase seguinte do item 12 refor\u00e7a isso: quem alega que o provedor violou direitos &#8220;por meio de t\u00e9cnicas algor\u00edtmicas&#8221; deve apresentar as provas pertinentes. O que se imp\u00f5e ao desenvolvedor \u00e9 um \u00f4nus de substanciar a defesa com informa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 ele det\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O efeito pr\u00e1tico vem do item 17. Se a parte que controla documentos ou dados eletr\u00f4nicos se recusa a apresent\u00e1-los sem justo motivo, o tribunal pode considerar verdadeira a alega\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria sobre o seu conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra tem um fundamento administrativo claro. As Medidas Provis\u00f3rias de 2023 j\u00e1 obrigam o provedor a usar &#8220;dados e modelos de base de origem l\u00edcita&#8221; e a n\u00e3o violar direitos de propriedade intelectual no treinamento (art. 7\u00ba, I e II).\u00b9\u2074 Quem tem esse dever administrativo deve ter registros para cumpri-lo, e o item 12 leva esses registros ao processo. A import\u00e2ncia da origem dos dados ficou evidente no <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/direitos-autorais-anthropic-ia\/\">caso Anthropic<\/a>, comentado pelo IODA.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Nos Estados Unidos, a aquisi\u00e7\u00e3o de livros em bibliotecas piratas foi o que tornou a disputa insustent\u00e1vel para a empresa e levou a um acordo de US$ 1,5 bilh\u00e3o, homologado em julho de 2026.\u00b9\u2075<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">H\u00e1, por\u00e9m, uma tens\u00e3o interna nas Opini\u00f5es. O item 16 protege como segredo comercial os conjuntos de dados que preencham os requisitos legais. O mesmo conjunto que o item 12 manda exibir pode ser o ativo que o item 16 manda proteger. O documento n\u00e3o resolve o conflito. A sa\u00edda natural est\u00e1 nas t\u00e9cnicas de exibi\u00e7\u00e3o protegida: sigilo processual, acesso restrito aos advogados e perito, exibi\u00e7\u00e3o por amostragem ou por metadados.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O direito brasileiro j\u00e1 tem as pe\u00e7as para uma regra equivalente, sem lei nova. O art. 373, \u00a7 1\u00ba, do CPC permite atribuir o \u00f4nus de modo diverso quando houver impossibilidade ou excessiva dificuldade de cumprir o encargo, ou maior facilidade de obter a prova do fato contr\u00e1rio. Os arts. 396 a 404 disciplinam a exibi\u00e7\u00e3o de documento ou coisa, e o art. 400 admite como verdadeiros os fatos que se pretendia provar quando a exibi\u00e7\u00e3o \u00e9 recusada sem justificativa.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O art. 206 da Lei n\u00ba 9.279\/1996 manda o juiz decretar segredo de justi\u00e7a quando informa\u00e7\u00f5es confidenciais forem reveladas em ju\u00edzo. O que falta \u00e9 um crit\u00e9rio jurisprudencial que diga quando, e sobre o qu\u00ea, o desenvolvedor de IA deve exibir informa\u00e7\u00f5es sobre o treinamento. A se\u00e7\u00e3o 11 volta a esse ponto.<\/p>\n<h3>4.3. O usu\u00e1rio que conhece a obra anterior<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 12 responsabiliza o usu\u00e1rio que &#8220;sabia ou deveria saber&#8221; da exist\u00eancia de obra anterior e usou a IA para gerar obra substancialmente semelhante, sem justificativa razo\u00e1vel. Na coletiva, o STP explicou que a justificativa razo\u00e1vel inclui as hip\u00f3teses de uso livre previstas na lei, como o &#8220;uso razo\u00e1vel&#8221; (\u5408\u7406\u4f7f\u7528) do direito chin\u00eas.\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O elemento subjetivo tem uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Um modelo pode produzir, por coincid\u00eancia estat\u00edstica, um resultado parecido com uma obra que o usu\u00e1rio nunca viu. Exigir conhecimento, efetivo ou presumido, aproxima a regra do requisito de acesso na prova da c\u00f3pia e evita responsabilizar quem n\u00e3o tinha como saber. O item 7 completa o quadro para os direitos da personalidade: responde o usu\u00e1rio que induz maliciosamente o sistema com prompts il\u00edcitos.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No Brasil, a viola\u00e7\u00e3o de direito autoral n\u00e3o depende de culpa para a cessa\u00e7\u00e3o do il\u00edcito. O elemento subjetivo aparece em outros pontos da Lei n\u00ba 9.610\/1998, como na responsabilidade de quem vende ou exp\u00f5e obra fraudulenta (art. 104).<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra chinesa sugere uma pergunta \u00fatil para o juiz brasileiro: o usu\u00e1rio que pede ao sistema &#8220;uma m\u00fasica no estilo de&#8221; e recebe um resultado substancialmente semelhante a uma obra concreta estava em condi\u00e7\u00f5es de perceber a semelhan\u00e7a?<\/p>\n<h3>4.4. Os dois sil\u00eancios<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>O treinamento.<\/strong> A Lei de Direito Autoral chinesa, revista em 2020, enumera as hip\u00f3teses de uso livre no art. 24 e as submete a uma cl\u00e1usula inspirada na regra dos tr\u00eas passos: o uso n\u00e3o pode prejudicar a explora\u00e7\u00e3o normal da obra nem causar preju\u00edzo injustificado aos interesses do titular. O rol termina com uma cl\u00e1usula de abertura limitada a &#8220;outras hip\u00f3teses previstas em lei ou regulamento administrativo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Assim, n\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00e3o para minera\u00e7\u00e3o de textos e dados. Com esse quadro, o STP poderia ter declarado o treinamento il\u00edcito ou, ao contr\u00e1rio, ter criado por via interpretativa uma hip\u00f3tese de uso razo\u00e1vel. N\u00e3o fez nem uma coisa nem outra, e disse por qu\u00ea: as diverg\u00eancias s\u00e3o grandes e o entendimento ainda precisa amadurecer.\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Na pr\u00e1tica, o sil\u00eancio preserva o padr\u00e3o do caso Ultraman de Hangzhou, que \u00e9 brando na fase de treinamento e rigoroso na de gera\u00e7\u00e3o. A toler\u00e2ncia de fato ao treinamento convive com a exig\u00eancia de que o desenvolvedor documente de onde vieram os dados.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>O resultado.<\/strong> Em 2023, o Tribunal da Internet de Pequim reconheceu como obra de arte uma imagem gerada por um modelo de IA de c\u00f3digo aberto, no caso conhecido como <em>Li v. Liu<\/em> ((2023)\u4eac0491\u6c11\u521d11279\u53f7).\u00b9\u2076 O autor havia escolhido o modelo, escrito e reescrito os prompts e ajustado par\u00e2metros at\u00e9 obter o resultado.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O tribunal entendeu que essas escolhas refletiam aporte intelectual e ju\u00edzo est\u00e9tico pr\u00f3prios, que a IA era instrumento e que o usu\u00e1rio era o autor. A decis\u00e3o, que n\u00e3o foi objeto de recurso, foi mencionada no relat\u00f3rio de trabalho do STP apresentado \u00e0 Assembleia Popular Nacional em mar\u00e7o de 2025. Ainda assim, o STP n\u00e3o a converteu em regra: a protegibilidade do conte\u00fado gerado foi expressamente deixada em aberto.\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A cautela tem raz\u00f5es comparadas fortes. A tend\u00eancia internacional vai no sentido oposto ao de <em>Li v. Liu<\/em>. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte recusou, em mar\u00e7o de 2026, rever <em>Thaler v. Perlmutter<\/em>, mantendo a exig\u00eancia de autoria humana.\u00b9\u2077 No M\u00e9xico, a Suprema Corte negou prote\u00e7\u00e3o a <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/avatar-direito-autoral\/\">avatares gerados exclusivamente por IA<\/a> e a <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/prompts-nao-sao-protegidos-pelo-direito-autoral-no-mexico\/\">prompts<\/a>, como o IODA registrou.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No Brasil, o art. 11 da Lei n\u00ba 9.610\/1998 define o autor como &#8220;a pessoa f\u00edsica criadora&#8221;, e a quest\u00e3o passa a ser o grau de interven\u00e7\u00e3o humana que basta para haver cria\u00e7\u00e3o. O tema tem sido trabalhado pela doutrina que dialoga com o IODA, como a obra de Luca Schirru sobre autoria e titularidade nos produtos da IA, <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/resenhas\/direito-autoral-era-da-ia\/\">resenhada na RRDDIS<\/a>, e o <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/livros\/direitos-morais-ia-gonzaga-adolfo\/\">livro de Luiz Gonzaga Silva Adolfo sobre os direitos morais diante da IA<\/a>.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O sil\u00eancio do STP n\u00e3o anula <em>Li v. Liu<\/em>, mas tira dele o selo de orienta\u00e7\u00e3o nacional. Para o comparatista, isso significa que n\u00e3o h\u00e1 uma &#8220;posi\u00e7\u00e3o chinesa&#8221; favor\u00e1vel \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do output. H\u00e1 uma decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia que a corte suprema preferiu n\u00e3o generalizar.<\/p>\n<h3>4.5. S\u00edntese<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 12 regula sem decidir. Ao titular, d\u00e1 um caminho processual para obter informa\u00e7\u00e3o sobre o treinamento sem precisar de uma regra material sobre sua licitude. Ao desenvolvedor, imp\u00f5e o custo de documentar a cadeia de dados, o que, por si s\u00f3, cria incentivo para usar fontes l\u00edcitas.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Ao usu\u00e1rio, imp\u00f5e responsabilidade ligada ao conhecimento. Economicamente, o resultado se aproxima das obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia que o AI Act imp\u00f5e aos modelos de uso geral (art. 53, \u00a7 1\u00ba, <em>c<\/em> e <em>d<\/em>): pol\u00edtica de respeito ao direito autoral e resumo do conte\u00fado de treinamento. A diferen\u00e7a \u00e9 que, na China, a transpar\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um dever geral e pr\u00e9vio. Ela \u00e9 acionada caso a caso, dentro do processo.<\/p>\n<h2>5. C\u00f3digo aberto: um porto seguro condicionado<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 13 trata especificamente da responsabilidade de quem disponibiliza c\u00f3digo aberto para IA, tema que poucas normas enfrentam diretamente. Ele tem duas partes. A primeira manda o juiz considerar o tipo de licen\u00e7a, o conte\u00fado concreto das limita\u00e7\u00f5es de direitos, as medidas de seguran\u00e7a e conformidade e o grau de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, para conceder ao desenvolvedor &#8220;isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade adequada&#8221; (\u9002\u5f53\u7684\u8d23\u4efb\u8c41\u514d). A segunda cria uma hip\u00f3tese espec\u00edfica de n\u00e3o responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Para essa hip\u00f3tese, o texto exige tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es cumulativas:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">o desenvolvedor ou provedor disponibiliza os m\u00f3dulos <strong>gratuitamente<\/strong>, em regime de c\u00f3digo aberto;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">trata-se de <strong>parte dos m\u00f3dulos de c\u00f3digo necess\u00e1rios \u00e0 pesquisa e ao desenvolvimento<\/strong> de software de IA;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ele <strong>divulga publicamente as fun\u00e7\u00f5es e os riscos de seguran\u00e7a<\/strong> desses m\u00f3dulos.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Presentes as condi\u00e7\u00f5es, o tribunal &#8220;poder\u00e1 reconhecer&#8221; que ele n\u00e3o responde pela infra\u00e7\u00e3o que terceiros cometerem com o uso do c\u00f3digo. O verbo \u00e9 facultativo: n\u00e3o h\u00e1 imunidade autom\u00e1tica, e o r\u00f3tulo &#8220;open source&#8221; n\u00e3o basta.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Duas quest\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o ficam em aberto. A primeira \u00e9 o alcance da express\u00e3o &#8220;m\u00f3dulos de c\u00f3digo&#8221;. O texto fala em parte dos m\u00f3dulos necess\u00e1rios ao desenvolvimento, o que se ajusta bem a bibliotecas e componentes. N\u00e3o est\u00e1 claro se abrange a disponibiliza\u00e7\u00e3o de um modelo completo com seus pesos, que \u00e9 a forma predominante de &#8220;abertura&#8221; dos grandes modelos atuais, inclusive dos desenvolvidos na China.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A segunda \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com o item 2, que manda distinguir modelos abertos e fechados conforme sua &#8220;capacidade de controle&#8221;. A l\u00f3gica \u00e9 coerente: quem libera o c\u00f3digo perde o controle sobre o uso posterior e, por isso, n\u00e3o deve responder como quem opera um servi\u00e7o fechado. Em contrapartida, deve informar os riscos que conhece.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A compara\u00e7\u00e3o com o AI Act mostra uma diferen\u00e7a de foco. O regulamento europeu exclui do seu \u00e2mbito os sistemas de IA disponibilizados sob licen\u00e7a livre e aberta, salvo os de alto risco, as pr\u00e1ticas proibidas e as obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia do art. 50 (art. 2\u00ba, \u00a7 12). Para os modelos de uso geral abertos, dispensa parte da documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (art. 53, \u00a7 2\u00ba), mas <strong>mant\u00e9m<\/strong> a obriga\u00e7\u00e3o de adotar uma pol\u00edtica de respeito ao direito autoral e de publicar o resumo do conte\u00fado de treinamento.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Os modelos com risco sist\u00eamico n\u00e3o se beneficiam da dispensa.\u00b9\u2078 Na Europa, portanto, a abertura alivia deveres regulat\u00f3rios, mas n\u00e3o os deveres ligados ao direito autoral. Na China, a abertura alivia a responsabilidade civil por atos de terceiros, mas n\u00e3o afasta o item 12: quem treinou o modelo continua sujeito ao dever de exibir a origem dos dados.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No Brasil, o texto enviado \u00e0 C\u00e2mara manda o Sistema Nacional de Regula\u00e7\u00e3o e Governan\u00e7a de IA regulamentar regimes simplificados de obriga\u00e7\u00f5es para &#8220;padr\u00f5es e formatos abertos e livres&#8221;, exceto os de alto risco ou os enquadrados na Se\u00e7\u00e3o V do Cap\u00edtulo IV do projeto (art. 73, I).\u00b9\u2070 O projeto n\u00e3o trata da responsabilidade civil do desenvolvedor de c\u00f3digo aberto por usos de terceiros.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Hoje, essa responsabilidade se resolveria pelas regras gerais dos arts. 186 e 927 do C\u00f3digo Civil, sem crit\u00e9rio espec\u00edfico. O item 13 oferece um modelo a considerar, com condi\u00e7\u00f5es objetivas (gratuidade, divulga\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es e riscos) e espa\u00e7o para a avalia\u00e7\u00e3o judicial do caso concreto.<\/p>\n<h2>6. Patentes: a contribui\u00e7\u00e3o humana como condi\u00e7\u00e3o da patente<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 14 trata de tr\u00eas quest\u00f5es: mat\u00e9ria patente\u00e1vel, atividade inventiva e sufici\u00eancia descritiva. Nas duas \u00faltimas, alinha a China ao consenso internacional. Na primeira, vai um passo al\u00e9m.<\/p>\n<h3>6.1. O que o item 14 diz<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Mat\u00e9ria patente\u00e1vel.<\/strong> A inven\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 IA \u00e9 protegida quando emprega meios t\u00e9cnicos que obedecem \u00e0s leis naturais, resolve um problema t\u00e9cnico e alcan\u00e7a um efeito t\u00e9cnico. Ficam de fora as que violam a lei ou a moral, as que prejudicam o interesse p\u00fablico e aquelas em que &#8220;n\u00e3o houver contribui\u00e7\u00e3o substancial de pessoa natural&#8221; (\u81ea\u7136\u4eba\u6ca1\u6709\u5b9e\u8d28\u8d21\u732e).<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Atividade inventiva.<\/strong> Quando uma pessoa natural usa IA para inventar, ela \u00e9 inventora se tiver dado contribui\u00e7\u00e3o criativa para as caracter\u00edsticas substanciais da inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Sufici\u00eancia descritiva.<\/strong> O relat\u00f3rio \u00e9 suficiente quando permite que um t\u00e9cnico no assunto realize a inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item consolida, no plano judicial, as Diretrizes da CNIPA de dezembro de 2024. Elas classificam as inven\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 IA em quatro categorias e excluem a quarta, a das solu\u00e7\u00f5es geradas autonomamente pela IA sem contribui\u00e7\u00e3o humana. Tamb\u00e9m orientam o que descrever conforme o ponto em que est\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o: o processo de treinamento, quando a inova\u00e7\u00e3o est\u00e1 no treinamento; a arquitetura do modelo, quando est\u00e1 na sua constru\u00e7\u00e3o; a adapta\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio, quando est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o.\u2077<\/p>\n<h3>6.2. O passo al\u00e9m: a exclus\u00e3o da mat\u00e9ria patente\u00e1vel<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra da\u00a0atividade inventiva n\u00e3o \u00e9 nova. O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o item 14 transforma a contribui\u00e7\u00e3o humana substancial em condi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria patenteabilidade, e n\u00e3o apenas da designa\u00e7\u00e3o do inventor.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Na maior parte dos sistemas, o problema da inven\u00e7\u00e3o feita pela IA aparece como um problema formal: quem pode ser indicado no pedido. Na China, aparece como um problema de objeto: a solu\u00e7\u00e3o gerada sem contribui\u00e7\u00e3o humana substancial n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o patente\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A diferen\u00e7a tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Se a falta de contribui\u00e7\u00e3o humana for apenas um v\u00edcio da atividade inventiva o requerente pode tentar contorn\u00e1-la indicando como inventor quem operou o sistema. Se for um impedimento de objeto, a patente concedida pode ser anulada quando se provar que a contribui\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o existiu ou n\u00e3o foi substancial.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Isso torna central a documenta\u00e7\u00e3o do processo inventivo: registros de defini\u00e7\u00e3o do problema, escolha de par\u00e2metros, sele\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o dos resultados. Por outra via, chega-se ao mesmo ponto da se\u00e7\u00e3o 4: quem documenta o processo tem a prova.<\/p>\n<h3>6.3. Converg\u00eancia internacional<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Na atividade inventiva, o quadro comparado \u00e9 hoje praticamente un\u00e2nime. O IODA registrou em 2021 a decis\u00e3o do <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/tribunal-de-recurso-da-inglaterra-e-pais-de-gales-sistemas-de-inteligencia-artificial-nao-possui-direitos-de-propriedade-intelectual-de-patentes\/\">Court of Appeal no caso DABUS<\/a>. Desde ent\u00e3o, a disputa avan\u00e7ou:<\/p>\n<figure class=\"wp-block-table\" style=\"overflow-x: auto; max-width: 100%;\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Jurisdi\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th>Decis\u00e3o ou norma<\/th>\n<th>Data<\/th>\n<th>Conte\u00fado<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Reino Unido<\/td>\n<td>UK Supreme Court, <em>Thaler v. Comptroller-General<\/em>, [2023] UKSC 49<\/td>\n<td>20\/12\/2023<\/td>\n<td>A IA n\u00e3o pode ser inventora; o pedido sem inventor humano \u00e9 considerado retirado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Alemanha<\/td>\n<td>Bundesgerichtshof, X ZB 5\/22<\/td>\n<td>11\/6\/2024<\/td>\n<td>Inventor s\u00f3 pode ser pessoa natural, que deve ser indicada mesmo quando a IA encontrou a solu\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>China<\/td>\n<td>Diretrizes da CNIPA; Opini\u00f5es do STP, item 14<\/td>\n<td>31\/12\/2024; 7\/9\/2026<\/td>\n<td>Inventor \u00e9 a pessoa natural com contribui\u00e7\u00e3o criativa; sem contribui\u00e7\u00e3o humana substancial, n\u00e3o h\u00e1 patente<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Estados Unidos<\/td>\n<td>USPTO, orienta\u00e7\u00e3o revista sobre atividade inventiva em inven\u00e7\u00f5es assistidas por IA<\/td>\n<td>26\/11\/2025<\/td>\n<td>Revoga a orienta\u00e7\u00e3o de fev. 2024; a IA \u00e9 ferramenta, &#8220;an\u00e1loga a equipamento de laborat\u00f3rio&#8221;; vale o teste usual de concep\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>Parecer n\u00ba 00024\/2022\/CGPI\/PFE-INPI\/PGF\/AGU<\/td>\n<td>RPI 2696, 6\/9\/2022<\/td>\n<td>DABUS n\u00e3o pode ser indicado como inventor (art. 6\u00ba da LPI); pedido retirado da fase nacional<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>INPI, Consulta P\u00fablica n\u00ba 03\/2025 (minuta de diretrizes)<\/td>\n<td>18\/8\/2025<\/td>\n<td>S\u00f3 humano \u00e9 inventor; inven\u00e7\u00e3o concebida de forma totalmente aut\u00f4noma pela IA n\u00e3o \u00e9 protegida<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Fontes: notas 7 e 19 a 23.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A orienta\u00e7\u00e3o norte-americana de novembro de 2025 merece nota. Ao revogar a orienta\u00e7\u00e3o de 2024, o USPTO deixou de aplicar ao inventor humano assistido por IA os fatores do caso <em>Pannu<\/em>, pensados para a coautoria entre pessoas. Tratar a IA como instrumento simplifica o exame, mas desloca a pergunta para o teste de concep\u00e7\u00e3o: o humano tinha uma ideia definida e completa da solu\u00e7\u00e3o?\u00b2\u00b9<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O crit\u00e9rio chin\u00eas da &#8220;contribui\u00e7\u00e3o substancial&#8221; e o norte-americano da concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticos, mas ambos exigem que o humano tenha feito mais do que acionar o sistema.<\/p>\n<h3>6.4. O Brasil<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A Lei n\u00ba 9.279\/1996 assegura ao autor da inven\u00e7\u00e3o o direito de obter a patente (art. 6\u00ba) e exige que o relat\u00f3rio descreva a inven\u00e7\u00e3o de modo a possibilitar sua realiza\u00e7\u00e3o por t\u00e9cnico no assunto (art. 24). A minuta submetida \u00e0 Consulta P\u00fablica n\u00ba 03\/2025 do INPI segue a mesma linha do item 14.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Considera a IA ferramenta de apoio e presume a interven\u00e7\u00e3o humana em etapas como definir o problema t\u00e9cnico, configurar o sistema, interpretar e selecionar resultados e validar a solu\u00e7\u00e3o. Define o t\u00e9cnico no assunto como algu\u00e9m que combina conhecimento da \u00e1rea com m\u00e9todos de IA.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Quanto \u00e0 sufici\u00eancia, n\u00e3o exige revelar o funcionamento interno do modelo quando esse conhecimento for comum ao t\u00e9cnico, desde que a solu\u00e7\u00e3o possa ser implementada.\u00b2\u00b3 A consulta foi encerrada em 19 de outubro de 2025. At\u00e9 a data deste texto, o INPI n\u00e3o havia publicado a vers\u00e3o final das diretrizes.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A li\u00e7\u00e3o chinesa para o Brasil est\u00e1 na distin\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o 6.2. A LPI n\u00e3o tem uma exclus\u00e3o expressa como a do item 14. Se a contribui\u00e7\u00e3o humana for tratada s\u00f3 como quest\u00e3o da atividade inventiva, a falta dela tende a ser discutida como v\u00edcio na indica\u00e7\u00e3o do inventor. Se for tratada como requisito da pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o, ganha for\u00e7a como fundamento de nulidade. As diretrizes do INPI podem esclarecer esse ponto, e o ideal \u00e9 que o fa\u00e7am expressamente.<\/p>\n<h2>7. Dados e bases de dados: prote\u00e7\u00e3o em camadas<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 16 \u00e9 o mais &#8220;propriet\u00e1rio&#8221; das Opini\u00f5es. Enquanto os itens 12 e 13 cuidam de limitar ou repartir responsabilidades, o item 16 protege o ativo do desenvolvedor: os dados que ele obteve licitamente &#8220;por meio de coleta e gera\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o derivada, cess\u00e3o, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o&#8221; e sobre os quais titulariza &#8220;direitos e interesses correspondentes&#8221; (\u6570\u636e\u6743\u76ca).<\/p>\n<h3>7.1. Quatro camadas<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item organiza a prote\u00e7\u00e3o em camadas sucessivas:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Direito autoral.<\/strong> Os dados e conjuntos de dados que forem obra compilada, ou que preencham os requisitos de outra obra, s\u00e3o protegidos pela Lei de Direito Autoral.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Segredo comercial.<\/strong> Os que constitu\u00edrem segredo comercial s\u00e3o protegidos pela Lei contra a Concorr\u00eancia Desleal.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Concorr\u00eancia desleal sem segredo.<\/strong> Mesmo os conjuntos que n\u00e3o s\u00e3o segredo comercial ficam protegidos contra condutas que violem o art. 13 dessa lei. Na vers\u00e3o revista em 2025, esse artigo pro\u00edbe obter ou usar dados de outro agente econ\u00f4mico por meios indevidos, como fraude, coa\u00e7\u00e3o ou a evas\u00e3o ou destrui\u00e7\u00e3o de medidas t\u00e9cnicas de prote\u00e7\u00e3o (art. 13, \u00a7 3\u00ba).\u2079<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Seguran\u00e7a do modelo.<\/strong> Responde quem compromete a seguran\u00e7a do funcionamento da IA com &#8220;dados de interfer\u00eancia fabricados, rotulagem maliciosa de dados ou ataques com exemplos adversariais&#8221;: \u00e9 o que a literatura t\u00e9cnica chama de <em>data poisoning<\/em>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item completa o quadro com a responsabilidade por acordos monopolistas e abuso de posi\u00e7\u00e3o dominante praticados com dados e algoritmos.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A terceira camada \u00e9 a decisiva. Ela protege conjuntos de dados que n\u00e3o s\u00e3o obra nem segredo, pela via da concorr\u00eancia desleal, e cobre exatamente a zona cinzenta em que est\u00e3o muitas bases de treinamento: grandes volumes de dados com valor econ\u00f4mico, mas sem originalidade na sele\u00e7\u00e3o e sem sigilo. O item 16 se insere na pol\u00edtica chinesa de dados desde as &#8220;Opini\u00f5es sobre a Constru\u00e7\u00e3o de um Sistema B\u00e1sico de Dados&#8221;, de dezembro de 2022. Esse documento separa tr\u00eas direitos: o de deter os recursos de dados, o de process\u00e1-los e us\u00e1-los e o de explorar produtos de dados (\u6570\u636e\u8d44\u6e90\u6301\u6709\u6743\u3001\u6570\u636e\u52a0\u5de5\u4f7f\u7528\u6743\u3001\u6570\u636e\u4ea7\u54c1\u7ecf\u8425\u6743).\u00b2\u2074 O vocabul\u00e1rio de &#8220;direitos e interesses sobre dados&#8221; do item 16 vem da\u00ed.<\/p>\n<h3>7.2. Assimetria interna<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Lido ao lado do item 12, o item 16 revela uma assimetria. O desenvolvedor que treina com obras alheias encontra um ambiente de toler\u00e2ncia na fase de treinamento, como mostrou a se\u00e7\u00e3o 4. O mesmo desenvolvedor, quando seus pr\u00f3prios conjuntos de dados s\u00e3o copiados, encontra prote\u00e7\u00e3o em quatro camadas. N\u00e3o \u00e9 necessariamente uma incoer\u00eancia, j\u00e1 que os interesses protegidos s\u00e3o distintos e a prote\u00e7\u00e3o pela concorr\u00eancia desleal depende de conduta indevida. Mas \u00e9 um dado pol\u00edtico relevante: as Opini\u00f5es protegem com mais clareza o investimento em dados do que o investimento em obras.<\/p>\n<h3>7.3. O Brasil<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No direito brasileiro, as bases de dados s\u00e3o obras protegidas quando, &#8220;por sua sele\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o ou disposi\u00e7\u00e3o de seu conte\u00fado, constituam uma cria\u00e7\u00e3o intelectual&#8221; (art. 7\u00ba, XIII, da Lei n\u00ba 9.610\/1998). A prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange os dados em si (art. 7\u00ba, \u00a7 2\u00ba), e o art. 87 confere ao titular direitos exclusivos sobre a forma de express\u00e3o da estrutura da base. O STJ aplicou esse regime no REsp n\u00ba 2.143.010\/SP, <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-brasileira\/stj-banco-de-dados-regra-3-passos\/\">analisado pelo IODA<\/a>. Reconheceu prote\u00e7\u00e3o \u00e0 base com organiza\u00e7\u00e3o criativa e, ao mesmo tempo, admitiu o uso jornal\u00edstico com base na regra dos tr\u00eas passos.\u00b2\u2075<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O Brasil n\u00e3o tem o direito <em>sui generis<\/em> europeu do fabricante de bases de dados (Diretiva 96\/9\/CE), que protege o investimento substancial na obten\u00e7\u00e3o, verifica\u00e7\u00e3o ou apresenta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, independentemente de originalidade. Como j\u00e1 se discutiu no IODA a partir do <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/artigos\/direitos-patrimoniais-e-dados\/\">trabalho de Manuel David Masseno<\/a>, a quest\u00e3o dos direitos patrimoniais sobre dados n\u00e3o originais permanece aberta.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O que o Brasil tem \u00e9 o regime de concorr\u00eancia desleal da Lei n\u00ba 9.279\/1996. O art. 195, XI, pune a divulga\u00e7\u00e3o ou utiliza\u00e7\u00e3o, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de &#8220;conhecimentos, informa\u00e7\u00f5es ou dados confidenciais&#8221; obtidos por rela\u00e7\u00e3o contratual ou empregat\u00edcia. O art. 209 assegura indeniza\u00e7\u00e3o por atos de concorr\u00eancia desleal n\u00e3o previstos na lei que prejudiquem a reputa\u00e7\u00e3o ou os neg\u00f3cios alheios. O resultado \u00e9 que as tr\u00eas primeiras camadas do item 16 t\u00eam equivalentes no Brasil: obra compilada, segredo e cl\u00e1usula geral de concorr\u00eancia desleal. Falta um equivalente claro \u00e0 regra chinesa que protege dados n\u00e3o sigilosos contra a obten\u00e7\u00e3o por meios indevidos, e falta uma tipifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do envenenamento de dados. A cl\u00e1usula geral do art. 209 pode cobrir parte desse espa\u00e7o, mas sem a previsibilidade de uma regra pr\u00f3pria.<\/p>\n<h2>8. Prova e processo: onde a regula\u00e7\u00e3o acontece<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Se a tese deste artigo est\u00e1 correta, a Parte IV \u00e9 onde as Opini\u00f5es mais inovam. Os itens 17 a 19 respondem a tr\u00eas perguntas: como o juiz obt\u00e9m a informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, como avalia a prova produzida por ou sobre sistemas de IA e o que acontece com quem manipula essa prova.<\/p>\n<h3>8.1. Obter a informa\u00e7\u00e3o (item 17)<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 17 parte do reconhecimento de que os casos de IA t\u00eam &#8220;car\u00e1ter fortemente t\u00e9cnico e especializado&#8221; e re\u00fane cinco instrumentos:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">orienta\u00e7\u00e3o e esclarecimento \u00e0s partes sobre o que provar;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">colheita de prova pelo tribunal, a pedido ou de of\u00edcio;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">exame r\u00e1pido dos pedidos de preserva\u00e7\u00e3o de prova &#8220;para fixar tecnologia essencial&#8221;;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">infer\u00eancia adversa contra quem controla documentos ou dados eletr\u00f4nicos e se recusa a apresent\u00e1-los;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">apoio t\u00e9cnico de ju\u00edzes leigos, peritos, assistentes t\u00e9cnicos e dos &#8220;investigadores t\u00e9cnicos&#8221; (\u6280\u672f\u8c03\u67e5\u5b98), servidores especializados que assessoram o juiz nos tribunais de propriedade intelectual chineses.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O processo civil brasileiro tem equivalentes para quase todos. O juiz pode determinar provas de of\u00edcio (art. 370 do CPC). A produ\u00e7\u00e3o antecipada de prova serve para preservar elementos t\u00e9cnicos (arts. 381 a 383). A recusa injustificada de exibir documento autoriza presumir verdadeiros os fatos alegados (art. 400). A per\u00edcia tem regime detalhado (arts. 464 a 480). O que n\u00e3o existe \u00e9 a figura do investigador t\u00e9cnico do ju\u00edzo, um especialista permanente que assessora o juiz sem ser perito de uma das partes nem do caso. Em lit\u00edgios sobre modelos de IA, essa aus\u00eancia pesa, e a se\u00e7\u00e3o 11 volta a ela.<\/p>\n<h3>8.2. Avaliar a prova (item 18)<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 18 manda o juiz considerar &#8220;a complexidade da tecnologia de IA, a opacidade do funcionamento dos sistemas e a especificidade da colheita de provas&#8221;. Em seguida, diferencia o exame conforme a tecnologia que produziu a prova:<\/p>\n<figure class=\"wp-block-table\" style=\"overflow-x: auto; max-width: 100%;\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Tipo de prova<\/th>\n<th>O que o juiz deve examinar com especial aten\u00e7\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Dados eletr\u00f4nicos em geral<\/td>\n<td>Autenticidade e integridade da gera\u00e7\u00e3o, coleta, armazenamento e transmiss\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Relat\u00f3rio de an\u00e1lise de big data<\/td>\n<td>Origem dos dados brutos, regras de limpeza e car\u00e1ter cient\u00edfico do m\u00e9todo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Registro em blockchain<\/td>\n<td>Autenticidade dos dados <em>antes<\/em> do registro e confiabilidade da plataforma<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Conte\u00fado gerado por IA usado como prova de infra\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Desenho do prompt e sua influ\u00eancia no resultado; semelhan\u00e7a com a obra; consist\u00eancia em testes repetidos; treinamento do modelo, desenho do algoritmo e filtros de conte\u00fado<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra sobre blockchain e a regra sobre conte\u00fado gerado s\u00e3o independentes. A primeira lembra que a cadeia de blocos prova que um dado n\u00e3o mudou depois do registro, mas nada diz sobre a veracidade do dado registrado. A segunda trata de outro problema: o titular que quer provar que um modelo reproduz sua obra costuma faz\u00ea-lo pedindo ao pr\u00f3prio modelo que gere o conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Essa segunda hip\u00f3tese \u00e9 a mais relevante para o direito autoral. Um prompt dirigido, que descreve a obra em detalhe ou cita trechos dela, aumenta a chance de um resultado semelhante. O item 18 n\u00e3o torna esse teste ileg\u00edtimo, mas exige que o juiz considere o quanto o prompt induziu o resultado. Como os modelos s\u00e3o probabil\u00edsticos, o item tamb\u00e9m valoriza a consist\u00eancia em testes repetidos: um resultado obtido uma vez em cem tentativas prova pouco sobre o funcionamento normal do servi\u00e7o. Na pr\u00e1tica, quem apresenta esse tipo de prova deve documentar todos os prompts, os par\u00e2metros, o n\u00famero de tentativas e os resultados descartados.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a enfrentou um problema vizinho no HC n\u00ba 1.059.475\/SP, julgado em 7 de abril de 2026. Considerou sem &#8220;confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima&#8221; um relat\u00f3rio produzido por investigador policial com ferramentas de IA generativa, que pretendia substituir conclus\u00f5es periciais.\u00b2\u2076 A compara\u00e7\u00e3o com o item 18 exige uma distin\u00e7\u00e3o. No caso do STJ, a IA foi usada como <strong>instrumento de prova<\/strong> de um fato externo, e sua resposta n\u00e3o tem, por si, valor de per\u00edcia. No item 18, o conte\u00fado gerado \u00e9 o <strong>pr\u00f3prio fato controvertido<\/strong>: a imagem ou o texto que o servi\u00e7o produz \u00e9 a alegada reprodu\u00e7\u00e3o. No primeiro caso, a pergunta \u00e9 se a IA diz a verdade. No segundo, \u00e9 se o resultado mostra como o servi\u00e7o funciona. S\u00e3o problemas distintos, e o direito brasileiro precisar\u00e1 de crit\u00e9rios para ambos.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A marca\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de conte\u00fado sint\u00e9tico n\u00e3o resolve a quest\u00e3o. Como o IODA mostrou ao analisar o <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/rotulagem-conteudos-de-ia\/\">c\u00f3digo europeu de rotulagem<\/a> e as <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/artigos\/uniao-europeia-x-brasil\/\">t\u00e9cnicas de marca d&#8217;\u00e1gua e metadados de proveni\u00eancia<\/a>, esses sinais s\u00e3o tecnicamente robustos, mas n\u00e3o prova definitiva de autoria, e perdem efic\u00e1cia com a manipula\u00e7\u00e3o posterior do conte\u00fado.<\/p>\n<h3>8.3. Coibir a manipula\u00e7\u00e3o (item 19)<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 19 tem duas partes. A primeira trata da prova falsa obtida com IA. Responde quem, aproveitando a aprendizagem e a decis\u00e3o aut\u00f4nomas dos sistemas, obt\u00e9m provas falsas por interven\u00e7\u00e3o ou indu\u00e7\u00e3o a erro. O texto d\u00e1 quatro exemplos: remover ou adulterar as marcas de identifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sint\u00e9tico, inserir comandos espec\u00edficos, apresentar resultados de forma seletiva ou provocar interfer\u00eancia adversarial. As consequ\u00eancias v\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o dos pedidos \u00e0 multa, \u00e0 deten\u00e7\u00e3o e \u00e0 responsabilidade penal. A refer\u00eancia \u00e0s marcas de identifica\u00e7\u00e3o se conecta ao art. 10 das Medidas de Rotulagem, que pro\u00edbe remover, adulterar, falsificar ou ocultar a marca\u00e7\u00e3o.\u2078 A &#8220;apresenta\u00e7\u00e3o seletiva de resultados&#8221; \u00e9 o reverso do que exige o item 18: quem esconde as tentativas que n\u00e3o deram certo manipula a prova.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A segunda parte imp\u00f5e dois deveres a quem apresenta pe\u00e7as processuais ou relat\u00f3rios de pesquisa de jurisprud\u00eancia gerados com IA. Antes de apresent\u00e1-los, deve verificar a autenticidade e a exatid\u00e3o das leis, interpreta\u00e7\u00f5es judiciais e precedentes citados. Ao apresent\u00e1-los, deve informar ao tribunal o uso de aux\u00edlio de IA. Em ambos os casos, responde pela exatid\u00e3o do conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O dever de verifica\u00e7\u00e3o tem paralelos em v\u00e1rios pa\u00edses. O IODA comentou a <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/ia-advocacia-limites\/\">decis\u00e3o da Corte Suprema da Col\u00f4mbia<\/a> que sancionou advogado por citar jurisprud\u00eancia inexistente gerada por IA e a <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/artigos\/espanha-uso-ia-por-juizes\/\">Instru\u00e7\u00e3o 2\/2026 do Conselho Geral do Poder Judici\u00e1rio da Espanha<\/a>, que limita o uso de IA pelos ju\u00edzes. No Brasil, a Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n\u00ba 615\/2025 disciplina o uso de IA pelos tribunais, e o Conselho Federal da OAB aprovou, em 11 de novembro de 2024, recomenda\u00e7\u00f5es sobre o uso de IA generativa na advocacia. O relator ressalvou que n\u00e3o seria poss\u00edvel criar san\u00e7\u00f5es por essa via, por se tratar de mat\u00e9ria sujeita \u00e0 reserva legal.\u00b2\u2077 Os deveres gerais de boa-f\u00e9 processual j\u00e1 alcan\u00e7am a cita\u00e7\u00e3o de precedente inexistente: o dever de expor os fatos conforme a verdade (art. 77, I, do CPC) e a litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 por alterar a verdade dos fatos (art. 80, II). Em casos graves, pode haver fraude processual (art. 347 do C\u00f3digo Penal).<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O dever de <strong>informar<\/strong> o uso de IA \u00e9 o ponto em que a China vai al\u00e9m. No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 regra geral que obrigue a parte a declarar ao ju\u00edzo que usou IA na pe\u00e7a. O ambiente acad\u00eamico j\u00e1 caminha nesse sentido, como mostram as <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/rrddis-uso-de-ia\/\">regras da RRDDIS<\/a> para artigos cient\u00edficos. A regra chinesa sugere que a transpar\u00eancia sobre o uso de IA pode ser tratada como dever processual, e n\u00e3o apenas como boa pr\u00e1tica.<\/p>\n<h2>9. Dados pessoais e notifica\u00e7\u00e3o: dois regimes de baixa intensidade<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Os itens 6 e 7 n\u00e3o tratam de propriedade intelectual, mas completam o quadro do treinamento e do output. O item 6 diz quando o uso de dados pessoais para treinar \u00e9 l\u00edcito. O item 7 diz quando o provedor responde pelo que o modelo gera. Os dois adotam regimes de baixa intensidade, que preservam a atividade e reservam a interven\u00e7\u00e3o para o titular que reage.<\/p>\n<h3>9.1. Dados pessoais p\u00fablicos no treinamento (item 6)<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 6 considera l\u00edcito, em regra, tratar &#8220;dentro de limites razo\u00e1veis&#8221; e para treinar modelos as informa\u00e7\u00f5es pessoais que o pr\u00f3prio titular tornou p\u00fablicas ou que foram licitamente divulgadas, <strong>desde que o titular n\u00e3o tenha se oposto expressamente<\/strong>. Se houver impacto significativo sobre os direitos do titular, exige-se consentimento. Os limites razo\u00e1veis s\u00e3o aferidos pela necessidade e adequa\u00e7\u00e3o entre a finalidade e a fun\u00e7\u00e3o do modelo, pela sensibilidade dos dados e pelo contexto e uso esperado no momento da divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A regra n\u00e3o \u00e9 nova. Aplica ao treinamento o art. 27 da Lei de Prote\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Pessoais da China, que j\u00e1 permitia tratar informa\u00e7\u00f5es divulgadas &#8220;dentro de limites razo\u00e1veis&#8221;, ressalvada a recusa expressa do titular, e exigia consentimento em caso de impacto significativo.\u00b2\u2078 O que as Opini\u00f5es acrescentam s\u00e3o os crit\u00e9rios para aferir os limites razo\u00e1veis no contexto da IA. O desenho \u00e9, na pr\u00e1tica, um regime de oposi\u00e7\u00e3o (<em>opt-out<\/em>): o tratamento \u00e9 permitido at\u00e9 que o titular diga n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A LGPD chega a um ponto pr\u00f3ximo por outro caminho. O tratamento de dados de acesso p\u00fablico deve considerar &#8220;a finalidade, a boa-f\u00e9 e o interesse p\u00fablico que justificaram sua disponibiliza\u00e7\u00e3o&#8221; (art. 7\u00ba, \u00a7 3\u00ba). \u00c9 dispensado o consentimento para os dados &#8220;tornados manifestamente p\u00fablicos pelo titular&#8221;, sem preju\u00edzo dos demais direitos e princ\u00edpios (art. 7\u00ba, \u00a7 4\u00ba). O tratamento posterior para novas finalidades exige prop\u00f3sitos leg\u00edtimos e espec\u00edficos (art. 7\u00ba, \u00a7 7\u00ba). Dados de acesso p\u00fablico e dados manifestamente p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o a mesma categoria. O caso da Meta mostrou como a ANPD l\u00ea esse quadro. Depois de suspender preventivamente, em 2 de julho de 2024, o uso de dados de usu\u00e1rios brasileiros para treinar IA, a Autoridade aprovou em 30 de agosto de 2024 um plano de conformidade. O plano exigia aviso pr\u00e9vio aos titulares, com 30 dias de anteced\u00eancia, e um formul\u00e1rio de oposi\u00e7\u00e3o simplificado, inclusive para n\u00e3o usu\u00e1rios, sob monitoramento da fiscaliza\u00e7\u00e3o.\u00b2\u2079<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O resultado pr\u00e1tico \u00e9 semelhante nos dois pa\u00edses: uso permitido com informa\u00e7\u00e3o e possibilidade de oposi\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a est\u00e1 em quem decide. Na China, a regra foi fixada em lei e agora concretizada pelo Judici\u00e1rio. No Brasil, est\u00e1 sendo constru\u00edda pela autoridade administrativa, caso a caso.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Um limite precisa ser dito com clareza. A flexibilidade quanto a dados pessoais nada diz sobre obras protegidas. Um texto publicado numa rede social pode conter dados pessoais e ser, ao mesmo tempo, obra. A licitude do tratamento dos dados pela LGPD n\u00e3o afasta a an\u00e1lise pela Lei n\u00ba 9.610\/1998, e vice-versa. As pr\u00f3prias Opini\u00f5es mant\u00eam essa separa\u00e7\u00e3o: o item 6 n\u00e3o se aplica ao item 12.<\/p>\n<h3>9.2. Notifica\u00e7\u00e3o e retirada para quem gera conte\u00fado (item 7)<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O item 7 trata do conte\u00fado gerado automaticamente que viola direitos da personalidade, como reputa\u00e7\u00e3o e privacidade. O provedor de IA generativa responde se, notificado pelo titular, n\u00e3o adotar a tempo as medidas necess\u00e1rias, como interromper a gera\u00e7\u00e3o do conte\u00fado il\u00edcito. A notifica\u00e7\u00e3o deve conter prova inicial e a identifica\u00e7\u00e3o verdadeira do titular. Quando um usu\u00e1rio induz o sistema maliciosamente, com prompts il\u00edcitos, o usu\u00e1rio responde. O provedor tamb\u00e9m responde, com base no art. 1.195 do C\u00f3digo Civil chin\u00eas, se n\u00e3o agir ap\u00f3s a notifica\u00e7\u00e3o, inclusive bloqueando os comandos de gera\u00e7\u00e3o. Na coletiva, o STP chamou o mecanismo de &#8220;regra do porto seguro&#8221; (\u907f\u98ce\u6e2f\u89c4\u5219).\u00b3<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O ponto conceitual \u00e9 que o art. 1.195 foi pensado para provedores que hospedam conte\u00fado de terceiros. O item 7 o estende a quem produz o conte\u00fado com seu pr\u00f3prio sistema. Seria poss\u00edvel argumentar o contr\u00e1rio: o provedor de IA generativa \u00e9 autor do resultado, e n\u00e3o mero intermedi\u00e1rio, e deveria responder como tal. O STP optou pelo regime mais brando para a personalidade, coerente com o item 3. Sem notifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como exigir que o provedor saiba que o modelo produziu uma afirma\u00e7\u00e3o falsa sobre uma pessoa espec\u00edfica. O fen\u00f4meno das &#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221;, citado na apresenta\u00e7\u00e3o oficial, est\u00e1 no centro dessa escolha.\u00b2<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">No Brasil, o regime de notifica\u00e7\u00e3o passou por mudan\u00e7a profunda. Em junho de 2025, o STF declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 19 do Marco Civil da Internet (Temas 987 e 533) e ampliou as hip\u00f3teses de responsabiliza\u00e7\u00e3o das plataformas ap\u00f3s notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial, al\u00e9m de criar deveres de cuidado, como o IODA analisou <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/geral\/stf-responsabilidade-plataformas-civil\/\">na tese<\/a> e <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/casos-praticos-stf\/\">em casos pr\u00e1ticos<\/a>.\u00b3\u2070 Mas o regime do Marco Civil foi constru\u00eddo para o &#8220;conte\u00fado gerado por terceiros&#8221;. O resultado de um sistema de IA generativa n\u00e3o \u00e9, a rigor, conte\u00fado de terceiro: \u00e9 produzido pelo servi\u00e7o, a partir de um comando do usu\u00e1rio. A aplica\u00e7\u00e3o direta da tese do STF \u00e9, por isso, discut\u00edvel. Na falta de regra espec\u00edfica, a quest\u00e3o tende a ser resolvida pelo C\u00f3digo Civil e, nas rela\u00e7\u00f5es de consumo, pelo regime objetivo do CDC. O resultado pode ser mais rigoroso para o provedor do que o modelo chin\u00eas. O item 7 sugere que a quest\u00e3o merece uma regra pr\u00f3pria, que diga se o provedor de IA generativa \u00e9 tratado como autor do conte\u00fado, como intermedi\u00e1rio ou como uma terceira figura.<\/p>\n<h2>10. O treinamento de modelos no mundo: onde fica a China<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O sil\u00eancio do STP sobre o treinamento ganha sentido quando comparado \u00e0s respostas de outros sistemas. Em outubro de 2026, h\u00e1 tr\u00eas grandes modelos de resposta. A China n\u00e3o se encaixa em nenhum deles.<\/p>\n<h3>10.1. Tr\u00eas modelos<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Exce\u00e7\u00e3o legal, com ou sem oposi\u00e7\u00e3o.<\/strong> A Uni\u00e3o Europeia permite a minera\u00e7\u00e3o de textos e dados para pesquisa (art. 3\u00ba da Diretiva 2019\/790) e, para qualquer finalidade, desde que o titular n\u00e3o tenha reservado seus direitos de forma leg\u00edvel por m\u00e1quina (art. 4\u00ba). O AI Act soma a isso deveres de transpar\u00eancia para os modelos de uso geral (art. 53, \u00a7 1\u00ba, <em>c<\/em> e <em>d<\/em>). A It\u00e1lia criou o art. 70-<em>septies<\/em> em sua lei de direito autoral, <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/italia-lei-ia\/\">analisado pelo IODA<\/a>. O Jap\u00e3o adotou, em 2018, uma exce\u00e7\u00e3o mais ampla (art. 30-4), para usos que n\u00e3o visam fruir a express\u00e3o da obra, salvo preju\u00edzo injustificado ao titular. O modelo da exce\u00e7\u00e3o d\u00e1 previsibilidade, mas desloca o conflito para o seu alcance. Foi o que aconteceu na Alemanha. No caso GEMA v. OpenAI (11 nov. 2025), o Tribunal Regional de Munique I decidiu que a exce\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o cobre a memoriza\u00e7\u00e3o de obras nos par\u00e2metros do modelo. No <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/alemanha-ia-gema\/\">caso GEMA v. Suno<\/a> (31 jul. 2026), o mesmo tribunal enfrentou a IA musical.\u00b3\u00b9<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Cl\u00e1usula aberta, decidida caso a caso.<\/strong> Nos Estados Unidos, a quest\u00e3o \u00e9 resolvida pelo <em>fair use<\/em>, e os resultados divergem. Em junho de 2025, dois ju\u00edzes da Calif\u00f3rnia admitiram o <em>fair use<\/em> no treinamento, com ressalvas importantes: em <em>Bartz v. Anthropic<\/em>, apenas para livros adquiridos licitamente; em <em>Kadrey v. Meta<\/em>, pela falta de prova de dano ao mercado. Em 29 de setembro de 2026, o Terceiro Circuito negou o <em>fair use<\/em> em <em>Thomson Reuters v. ROSS<\/em>, no primeiro ac\u00f3rd\u00e3o de um tribunal federal de apela\u00e7\u00f5es sobre o tema, que o IODA <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/ia-headnotes-direito-autoral\/\">analisou \u00e0 luz da regra dos tr\u00eas passos<\/a>. Em 2 de setembro de 2026, o Departamento de Justi\u00e7a apresentou manifesta\u00e7\u00e3o em favor da OpenAI no processo movido pelo <em>New York Times<\/em>, cuja decis\u00e3o sobre o <em>fair use<\/em> ainda est\u00e1 pendente.\u00b3\u00b2 A <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/fair-use-copyright-ia\/\">leitura que o IODA fez em 2025 da decis\u00e3o Alsup<\/a> e a de 2026 sobre ROSS registram, assim, dois momentos de uma jurisprud\u00eancia ainda em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Indefini\u00e7\u00e3o deliberada.<\/strong> O Reino Unido, que em 2024 propusera uma exce\u00e7\u00e3o comercial com oposi\u00e7\u00e3o, recuou em mar\u00e7o de 2026. O relat\u00f3rio do governo afirmou que essa n\u00e3o \u00e9 mais a op\u00e7\u00e3o preferida, sem indicar outra.\u00b3\u00b3<\/p>\n<h3>10.2. O lugar da China<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A China n\u00e3o tem exce\u00e7\u00e3o legal para minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem cl\u00e1usula aberta de <em>fair use<\/em>, e sua corte suprema declarou que n\u00e3o vai decidir por ora. \u00c0 primeira vista, isso a aproxima do Reino Unido. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a de fundo. O sil\u00eancio chin\u00eas convive com uma jurisprud\u00eancia que, na pr\u00e1tica, tolera o treinamento: o caso Ultraman de Hangzhou aplicou padr\u00e3o brando a essa fase. Convive tamb\u00e9m com regras de prova que obrigam o desenvolvedor a revelar a origem dos dados (item 12). A China n\u00e3o legitima o treinamento por uma exce\u00e7\u00e3o, mas o administra pela responsabilidade e pela prova.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Essa toler\u00e2ncia sem base legal \u00e9 fr\u00e1gil. Como o art. 24 da lei chinesa enumera as hip\u00f3teses de uso livre, nada impede que um tribunal, num caso de reprodu\u00e7\u00e3o evidente, conclua pela ilicitude. O STP manteve essa porta aberta.<\/p>\n<h3>10.3. Quadro comparativo<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-table\" style=\"overflow-x: auto; max-width: 100%;\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Jurisdi\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th>Base legal para o treinamento<\/th>\n<th>Transpar\u00eancia sobre os dados<\/th>\n<th>Situa\u00e7\u00e3o em out. 2026<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>China<\/td>\n<td>Sem exce\u00e7\u00e3o; rol do art. 24 da Lei de Direito Autoral<\/td>\n<td>Processual: o desenvolvedor exibe origem e registros ao alegar n\u00e3o infra\u00e7\u00e3o (item 12); dever administrativo de usar fontes l\u00edcitas<\/td>\n<td>STP deixou a quest\u00e3o &#8220;em branco&#8221;; jurisprud\u00eancia branda na fase de treinamento<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Uni\u00e3o Europeia<\/td>\n<td>Exce\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o: pesquisa (art. 3\u00ba) e geral com oposi\u00e7\u00e3o (art. 4\u00ba) da Diretiva 2019\/790<\/td>\n<td>Regulat\u00f3ria e pr\u00e9via: resumo do conte\u00fado de treinamento e pol\u00edtica de direito autoral (AI Act, art. 53)<\/td>\n<td>Alcance da exce\u00e7\u00e3o em disputa (GEMA v. OpenAI e GEMA v. Suno)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Estados Unidos<\/td>\n<td><em>Fair use<\/em> (cl\u00e1usula aberta)<\/td>\n<td>Sem dever geral; a informa\u00e7\u00e3o vem do <em>discovery<\/em><\/td>\n<td>Decis\u00f5es divergentes; ROSS (3\u00ba Circuito) contra; NYT v. OpenAI pendente<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Jap\u00e3o<\/td>\n<td>Exce\u00e7\u00e3o ampla (art. 30-4)<\/td>\n<td>Sem dever espec\u00edfico<\/td>\n<td>Exce\u00e7\u00e3o em vigor desde 2019<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Reino Unido<\/td>\n<td>Apenas minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o comercial para pesquisa<\/td>\n<td>Em estudo<\/td>\n<td>Governo abandonou a op\u00e7\u00e3o preferida em mar. 2026, sem nova proposta<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brasil<\/td>\n<td>Sem exce\u00e7\u00e3o; rol do art. 46 da LDA e regra dos tr\u00eas passos<\/td>\n<td>Prevista no PL n\u00ba 2.338\/2023: sum\u00e1rio p\u00fablico das obras usadas (art. 62), exce\u00e7\u00e3o para pesquisa sem fins comerciais (art. 63), proibi\u00e7\u00e3o pelo titular (art. 64) e remunera\u00e7\u00e3o (art. 65)<\/td>\n<td>PL aguarda parecer na C\u00e2mara<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Fontes: notas 18 e 31 a 34.<\/p>\n<h3>10.4. O Brasil diante dos tr\u00eas modelos<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O Brasil est\u00e1 formalmente mais perto da China do que dos Estados Unidos: tem um rol de limita\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o uma cl\u00e1usula aberta. A diferen\u00e7a \u00e9 que o legislador brasileiro decidiu enfrentar a quest\u00e3o. O cap\u00edtulo de direitos de autor do texto aprovado pelo Senado, que o IODA examinou ao <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/ai-act-europeu\/\">comparar o PL com o AI Act<\/a>, combina quatro pe\u00e7as: sum\u00e1rio p\u00fablico das obras usadas, &#8220;observados os segredos comercial e industrial&#8221; (art. 62); exce\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o para pesquisa sem fins comerciais, com acesso l\u00edcito (art. 63); direito de o titular proibir os demais usos (art. 64); e remunera\u00e7\u00e3o pelo uso no desenvolvimento dos sistemas (art. 65).\u00b3\u2074 Esse desenho \u00e9 alvo de cr\u00edticas do setor de tecnologia e de defesa das entidades culturais. Enquanto o PL n\u00e3o \u00e9 votado, vale o rol do art. 46, lido \u00e0 luz da regra dos tr\u00eas passos, e nele n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese que acolha o treinamento comercial em larga escala. A li\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 que, mesmo sem resolver a quest\u00e3o material, o juiz pode exigir transpar\u00eancia desde j\u00e1.<\/p>\n<h2>11. Uma agenda para o Brasil<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">As Opini\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o um modelo a copiar. Foram escritas para um sistema com outra estrutura constitucional, outra rela\u00e7\u00e3o entre tribunais e Executivo e outro rol de limita\u00e7\u00f5es ao direito de autor. Servem, por\u00e9m, como lente para identificar o que o Brasil pode fazer desde j\u00e1 e o que depende do legislador. A agenda abaixo se organiza por destinat\u00e1rio.<\/p>\n<h3>11.1. O que o Judici\u00e1rio pode fazer sem lei nova<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">A principal li\u00e7\u00e3o do item 12 \u00e9 processual, e o CPC j\u00e1 a comporta. Em a\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00e3o de direito autoral contra desenvolvedores de IA, o juiz pode adotar a sequ\u00eancia que o STP descreveu. Primeiro, o titular demonstra, ao menos de forma inicial, que o conte\u00fado foi gerado por aquele sistema e \u00e9 substancialmente semelhante \u00e0 obra. Depois, se o desenvolvedor contesta a infra\u00e7\u00e3o, o juiz distribui a ele o \u00f4nus de esclarecer a origem dos dados e o processo de treinamento (art. 373, \u00a7 1\u00ba), com exibi\u00e7\u00e3o de documentos (arts. 396 a 404). O segredo de justi\u00e7a protege as informa\u00e7\u00f5es confidenciais (art. 206 da LPI). A recusa injustificada autoriza a presun\u00e7\u00e3o do art. 400.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Quando a prova da infra\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio conte\u00fado gerado, os crit\u00e9rios do item 18 s\u00e3o boas pr\u00e1ticas: registro integral dos prompts, dos par\u00e2metros, do n\u00famero de tentativas e dos resultados descartados, e avalia\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia em testes repetidos. E \u00e9 preciso distinguir, como se viu na se\u00e7\u00e3o 8, a IA usada como instrumento de prova da IA cujo resultado \u00e9 o fato controvertido.<\/p>\n<h3>11.2. O que depende do legislador<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O PL n\u00ba 2.338\/2023 \u00e9 a sede natural de quatro defini\u00e7\u00f5es que as Opini\u00f5es tornam vis\u00edveis:<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Regra processual de transpar\u00eancia.<\/strong> Al\u00e9m do sum\u00e1rio p\u00fablico do art. 62, o PL pode prever, como o item 12, o dever de o desenvolvedor exibir em ju\u00edzo a origem dos dados de treinamento quando contestar a infra\u00e7\u00e3o, com garantia de sigilo.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Status do provedor de IA generativa.<\/strong> \u00c9 preciso dizer se ele responde pelo conte\u00fado gerado como autor, como intermedi\u00e1rio sujeito a notifica\u00e7\u00e3o, como no item 7, ou por um regime pr\u00f3prio. A tese do STF sobre o art. 19 do Marco Civil n\u00e3o resolve a quest\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Porto seguro para c\u00f3digo aberto.<\/strong> O regime simplificado para &#8220;padr\u00f5es e formatos abertos e livres&#8221; pode ser complementado por uma regra de responsabilidade civil inspirada no item 13, com condi\u00e7\u00f5es objetivas: gratuidade e divulga\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es e riscos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>Separa\u00e7\u00e3o entre dados pessoais e obras.<\/strong> O texto deve deixar expresso que a licitude do tratamento de dados p\u00fablicos pela LGPD n\u00e3o implica autoriza\u00e7\u00e3o para usar obras protegidas.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma decis\u00e3o de fundo que as Opini\u00f5es adiaram e que o Brasil j\u00e1 enfrenta: o regime do treinamento. O rol fechado do art. 46 da LDA n\u00e3o permite reproduzir no Brasil a toler\u00e2ncia de fato que existe na China. Ou o legislador cria uma regra, seja a do PL (transpar\u00eancia, oposi\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o) ou outra, ou o tema ser\u00e1 decidido caso a caso, \u00e0 luz da regra dos tr\u00eas passos.<\/p>\n<h3>11.3. O que cabe aos \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>INPI.<\/strong> As diretrizes que resultarem da Consulta P\u00fablica n\u00ba 03\/2025 devem dizer se a falta de contribui\u00e7\u00e3o humana substancial \u00e9 apenas v\u00edcio da atividade inventiva ou impede a pr\u00f3pria patente, como no item 14. Tamb\u00e9m devem orientar os requerentes a documentar o processo inventivo.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>CNJ.<\/strong> Pode estimular, nos tribunais com compet\u00eancia em propriedade intelectual, n\u00facleos de apoio t\u00e9cnico permanente ao juiz, inspirados nos investigadores t\u00e9cnicos chineses. Pode ainda recomendar que as partes informem o uso de IA nas pe\u00e7as. Como o tema envolve deveres das partes, a regra com efeito sancionat\u00f3rio depende de lei.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><strong>OAB.<\/strong> Pode incorporar ao C\u00f3digo de \u00c9tica o dever de verifica\u00e7\u00e3o das fontes geradas por IA, j\u00e1 presente em suas recomenda\u00e7\u00f5es de 2024.<\/p>\n<h3>11.4. Quadro de recomenda\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<figure class=\"wp-block-table\" style=\"overflow-x: auto; max-width: 100%;\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Destinat\u00e1rio<\/th>\n<th>Recomenda\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th>Inspira\u00e7\u00e3o nas Opini\u00f5es<\/th>\n<th>Instrumento no Brasil<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Judici\u00e1rio<\/td>\n<td>Distribuir ao desenvolvedor o \u00f4nus de esclarecer a origem dos dados, ap\u00f3s prova inicial de semelhan\u00e7a<\/td>\n<td>Item 12<\/td>\n<td>CPC, arts. 373, \u00a7 1\u00ba, 396 a 404 e 400; LPI, art. 206<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Judici\u00e1rio<\/td>\n<td>Exigir registro integral de prompts e testes na prova por conte\u00fado gerado<\/td>\n<td>Item 18<\/td>\n<td>CPC, arts. 369 e 370<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Judici\u00e1rio<\/td>\n<td>Distinguir IA como instrumento de prova e IA como fato controvertido<\/td>\n<td>Item 18<\/td>\n<td>Jurisprud\u00eancia (STJ, HC 1.059.475\/SP)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Legislador<\/td>\n<td>Regra processual de exibi\u00e7\u00e3o dos dados de treinamento, com sigilo<\/td>\n<td>Item 12<\/td>\n<td>PL n\u00ba 2.338\/2023<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Legislador<\/td>\n<td>Definir o regime de responsabilidade do provedor de IA generativa pelo conte\u00fado gerado<\/td>\n<td>Item 7<\/td>\n<td>PL n\u00ba 2.338\/2023<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Legislador<\/td>\n<td>Porto seguro condicionado para c\u00f3digo aberto<\/td>\n<td>Item 13<\/td>\n<td>PL n\u00ba 2.338\/2023<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Legislador<\/td>\n<td>Separar expressamente a licitude pela LGPD e o uso de obras<\/td>\n<td>Itens 6 e 12<\/td>\n<td>PL n\u00ba 2.338\/2023<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>INPI<\/td>\n<td>Definir o efeito da falta de contribui\u00e7\u00e3o humana sobre a patente<\/td>\n<td>Item 14<\/td>\n<td>Diretrizes de exame (CP n\u00ba 03\/2025)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>CNJ<\/td>\n<td>N\u00facleos t\u00e9cnicos de apoio ao juiz; recomenda\u00e7\u00e3o sobre declara\u00e7\u00e3o de uso de IA<\/td>\n<td>Itens 17 e 19<\/td>\n<td>Resolu\u00e7\u00e3o ou recomenda\u00e7\u00e3o do CNJ<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>OAB<\/td>\n<td>Dever \u00e9tico de verifica\u00e7\u00e3o de fontes geradas por IA<\/td>\n<td>Item 19<\/td>\n<td>C\u00f3digo de \u00c9tica e Disciplina<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<h2>12. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">As Opini\u00f5es do Supremo Tribunal Popular n\u00e3o respondem \u00e0s duas perguntas que dominam o debate sobre direito autoral e IA. N\u00e3o dizem se treinar modelos com obras protegidas \u00e9 l\u00edcito nem se o conte\u00fado gerado \u00e9 obra.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O tribunal disse isso expressamente e explicou por qu\u00ea: as diverg\u00eancias s\u00e3o grandes e o entendimento precisa amadurecer.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O que o documento faz \u00e9 regular pela prova. O desenvolvedor que nega a infra\u00e7\u00e3o deve mostrar de onde vieram os dados e como o modelo foi treinado. O conte\u00fado gerado apresentado como prova \u00e9 avaliado pelo prompt que o induziu e pela consist\u00eancia em testes repetidos. Quem remove a marca\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sint\u00e9tico ou seleciona resultados manipula a prova e responde por isso. Quem usa IA para redigir pe\u00e7as deve verificar as fontes e dizer ao tribunal que a usou. Na patente, a contribui\u00e7\u00e3o humana substancial passa a ser condi\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o, o que obriga a documentar o processo inventivo. Em todos esses pontos, quem tem a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado a revel\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Essa estrat\u00e9gia tem m\u00e9ritos e limites. O m\u00e9rito \u00e9 avan\u00e7ar na transpar\u00eancia antes do consenso material: o titular ganha um caminho para saber se sua obra foi usada, e o desenvolvedor ganha incentivo para usar fontes l\u00edcitas. O limite \u00e9 que a toler\u00e2ncia de fato ao treinamento n\u00e3o tem base legal e pode ser revertida por qualquer tribunal diante de um caso de reprodu\u00e7\u00e3o evidente. A transpar\u00eancia processual, al\u00e9m disso, s\u00f3 alcan\u00e7a quem litiga.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Para o Brasil, a conclus\u00e3o tem duas faces. A primeira \u00e9 que o Judici\u00e1rio n\u00e3o precisa esperar o PL n\u00ba 2.338\/2023 para exigir transpar\u00eancia nos processos que j\u00e1 chegam: o CPC e a LPI oferecem os instrumentos. A segunda \u00e9 que o Brasil n\u00e3o pode adotar o sil\u00eancio chin\u00eas sobre o treinamento. Com um rol fechado de limita\u00e7\u00f5es e a regra dos tr\u00eas passos, a aus\u00eancia de regra n\u00e3o produz toler\u00e2ncia, produz incerteza. O que a China deixou em branco, o Brasil precisa decidir.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">O IODA seguir\u00e1 acompanhando a aplica\u00e7\u00e3o das Opini\u00f5es pelos tribunais chineses e a tramita\u00e7\u00e3o do PL n\u00ba 2.338\/2023 na C\u00e2mara dos Deputados, com atualiza\u00e7\u00f5es no <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/direito-autoral-e-inteligencia-artificial\/\">guia sobre Direito Autoral e Intelig\u00eancia Artificial<\/a>.<\/p>\n<h2>Notas<\/h2>\n<ol>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">SUPREMO TRIBUNAL POPULAR DA CHINA. <em>\u6700\u9ad8\u4eba\u6c11\u6cd5\u9662\u5173\u4e8e\u4f9d\u6cd5\u5ba1\u7406\u6d89\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u7ea0\u7eb7\u6848\u4ef6\u7684\u610f\u89c1<\/em> (Fa Fa [2026] n\u00ba 10). Pequim, 7 set. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511101.html\">https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511101.html<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o do IODA: https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Traducao_IODA_Opinioes_STP_IA_Fa-Fa-2026-10.pdf.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">SUPREMO TRIBUNAL POPULAR DA CHINA. <em>\u6700\u9ad8\u6cd5\u53d1\u5e03\u300a\u5173\u4e8e\u4f9d\u6cd5\u5ba1\u7406\u6d89\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u7ea0\u7eb7\u6848\u4ef6\u7684\u610f\u89c1\u300b<\/em> (apresenta\u00e7\u00e3o oficial do documento). Pequim, 7 set. 2026. Mesmo endere\u00e7o da nota 1.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">SUPREMO TRIBUNAL POPULAR DA CHINA. <em>\u6700\u9ad8\u6cd5\u76f8\u5173\u90e8\u95e8\u8d1f\u8d23\u4eba\u5c31\u300a\u5173\u4e8e\u4f9d\u6cd5\u5ba1\u7406\u6d89\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u7ea0\u7eb7\u6848\u4ef6\u7684\u610f\u89c1\u300b\u7b54\u8bb0\u8005\u95ee<\/em>. Pequim, 7 set. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511111.html\">https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511111.html<\/a>. A transcri\u00e7\u00e3o oficial cont\u00e9m cinco perguntas e n\u00e3o trata do direito estrangeiro.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">SUPREMO TRIBUNAL POPULAR DA CHINA. <em>Disposi\u00e7\u00f5es sobre o Trabalho de Interpreta\u00e7\u00e3o Judicial<\/em> (\u6700\u9ad8\u4eba\u6c11\u6cd5\u9662\u5173\u4e8e\u53f8\u6cd5\u89e3\u91ca\u5de5\u4f5c\u7684\u89c4\u5b9a), com a altera\u00e7\u00e3o em vigor desde 16 jun. 2021, que acrescentou a forma &#8220;regras&#8221; (\u89c4\u5219). Cf. <a href=\"https:\/\/www.chinajusticeobserver.com\/a\/spc-revises-provisions-on-judicial-interpretation\">China Justice Observer<\/a>. As interpreta\u00e7\u00f5es judiciais recebem a numera\u00e7\u00e3o &#8220;Fa Shi&#8221; (\u6cd5\u91ca).<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">SUPREMO TRIBUNAL POPULAR DA CHINA. <em>Disposi\u00e7\u00f5es sobre a Cita\u00e7\u00e3o de Leis, Regulamentos e Outros Atos Normativos em Senten\u00e7as<\/em> (Fa Shi [2009] n\u00ba 14), de 26 out. 2009, arts. 4\u00ba e 6\u00ba. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.court.gov.cn\/fabu\/xiangqing\/73.html\">https:\/\/www.court.gov.cn\/fabu\/xiangqing\/73.html<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ADMINISTRA\u00c7\u00c3O DO CIBERESPA\u00c7O DA CHINA et al. <em>Medidas Provis\u00f3rias para a Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Intelig\u00eancia Artificial Generativa<\/em> (\u751f\u6210\u5f0f\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u670d\u52a1\u7ba1\u7406\u6682\u884c\u529e\u6cd5), em vigor desde 15 ago. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cac.gov.cn\/2023-07\/13\/c_1690898327029107.htm.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ADMINISTRA\u00c7\u00c3O NACIONAL DE PROPRIEDADE INTELECTUAL DA CHINA (CNIPA). <em>Diretrizes para Pedidos de Patente de Inven\u00e7\u00f5es Relacionadas a IA (vers\u00e3o experimental)<\/em>, 31 dez. 2024. Cf. <a href=\"https:\/\/www.spruson.com\/china-guidelines-for-ai-related-invention-applications\/\">Spruson &amp; Ferguson<\/a>. Nota explicativa oficial da CNIPA reproduzida em <a href=\"https:\/\/www.jetro.go.jp\/ext_images\/world\/asia\/cn\/ip\/law\/pdf\/section\/20241231_5.pdf\">JETRO<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ADMINISTRA\u00c7\u00c3O DO CIBERESPA\u00c7O DA CHINA et al. <em>Medidas de Rotulagem de Conte\u00fado Gerado ou Sintetizado por Intelig\u00eancia Artificial<\/em> (\u4eba\u5de5\u667a\u80fd\u751f\u6210\u5408\u6210\u5185\u5bb9\u6807\u8bc6\u529e\u6cd5), em vigor desde 1\u00ba set. 2025, art. 10. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cac.gov.cn\/2025-03\/14\/c_1743654685896173.htm\">https:\/\/www.cac.gov.cn\/2025-03\/14\/c_1743654685896173.htm<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. <em>Lei contra a Concorr\u00eancia Desleal<\/em>, revista em 27 jun. 2025, em vigor desde 15 out. 2025, art. 13. Cf. <a href=\"https:\/\/en.zhonglun.com\/research\/articles\/54762.html\">Zhong Lun<\/a>. Texto integral, com o art. 13 e o art. 41 (vig\u00eancia), em <a href=\"https:\/\/www.news.cn\/legal\/20250627\/4b6ec78bc9be4ea9a2968a9d34abd724\/c.html\">Xinhua, 27 jun. 2025<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"10\">\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. C\u00e2mara dos Deputados. PL n\u00ba 2.338\/2023, texto recebido do Senado e apresentado em 17 mar. 2025 (arts. 35 a 37, 62 a 66 e 73), dispon\u00edvel em https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2868197; situa\u00e7\u00e3o: &#8220;Aguardando Parecer&#8221; na Comiss\u00e3o Especial (Dados Abertos da C\u00e2mara, \u00faltimo evento em 2 set. 2026). BRASIL. Senado Federal. Comiss\u00e3o Tempor\u00e1ria Interna sobre Intelig\u00eancia Artificial. Parecer e substitutivo ao PL n\u00ba 2.338\/2023, dez. 2024 (texto aprovado no Senado em 10\/12\/2024, dispon\u00edvel no IODA: https:\/\/www.ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/texto-aprovado-no-Senado-Federal-em-10-12-2024.pdf). Ver tamb\u00e9m WACHOWICZ, Marcos. Projeto de Lei n\u00ba 2.338\/2023: desafios da regulamenta\u00e7\u00e3o da IA. IODA, 15 dez. 2024; e INSTITUTO OBSERVAT\u00d3RIO DO DIREITO AUTORAL. <em>Da Europa para o Brasil: o que o AI Act ensina sobre o futuro da regula\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial<\/em>. 4 ago. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/ai-act-europeu\/\">https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/ai-act-europeu\/<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>Intelig\u00eancia Artificial e o uso n\u00e3o autorizado de voz<\/em>. IODA, 1\u00ba nov. 2024 (TJSP, Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel n\u00ba 1119021-41.2023.8.26.0100). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-brasileira\/inteligencia-artificial-e-o-uso-nao-autorizado-de-voz\/\">https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-brasileira\/inteligencia-artificial-e-o-uso-nao-autorizado-de-voz\/<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal da Internet de Guangzhou. Processo (2024)\u7ca40192\u6c11\u521d113\u53f7, fev. 2024. Cf. <a href=\"https:\/\/cm.twobirds.com\/en\/insights\/2024\/china\/liability-of-ai-service-providers-for-copyright-infringement\">Bird &amp; Bird<\/a> e <a href=\"https:\/\/junhe.com\/legal-updates\/2887\">JunHe<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal da Internet de Hangzhou, (2024)\u6d590192\u6c11\u521d1587\u53f7; Tribunal Popular Intermedi\u00e1rio de Hangzhou, (2024)\u6d5901\u6c11\u7ec810332\u53f7. Cf. <a href=\"https:\/\/intellectual-property-helpdesk.ec.europa.eu\/news-events\/news\/ultraman-ai-case-china-defining-copyright-liability-generative-ai-providers-2025-02-18_en\">EU IP Helpdesk, 18 fev. 2025<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><em>Medidas Provis\u00f3rias para a Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de IA Generativa<\/em>, art. 7\u00ba, I e II. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cac.gov.cn\/2023-07\/13\/c_1690898327029107.htm\">https:\/\/www.cac.gov.cn\/2023-07\/13\/c_1690898327029107.htm<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. U.S. District Court, Northern District of California. <em>Bartz v. Anthropic PBC<\/em>, n\u00ba 3:24-cv-05417-AMO; Order on Final Approval (Doc. 680), ju\u00edza Araceli Mart\u00ednez-Olgu\u00edn, 20 jul. 2026. Cf. <a href=\"https:\/\/thenextweb.com\/news\/anthropic-1-5-billion-copyright-settlement-approved\">The Next Web<\/a>. Ordem dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.susmangodfrey.com\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Order-on-Final-Approval.pdf\">Susman Godfrey<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal da Internet de Pequim. Processo (2023)\u4eac0491\u6c11\u521d11279\u53f7, 27 nov. 2023. Texto integral com tradu\u00e7\u00e3o em: <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/li-v-liu-beijing-internet-court-20231127-with-english-translation\">Internet Archive<\/a>. Cf. <a href=\"https:\/\/cms.law\/en\/chn\/publication\/artificial-intelligence-and-copyright-case-tracker\/china-li-v-liu-27-november-2023\">CMS<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. Supreme Court. <em>Thaler v. Perlmutter<\/em>, certiorari negado em mar. 2026. Cf. <a href=\"https:\/\/www.mayerbrown.com\/en\/insights\/publications\/2026\/03\/supreme-court-denies-review-in-ai-authorship-case\">Mayer Brown, 11 mar. 2026<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"18\">\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Regulamento (UE) 2024\/1689 (AI Act), arts. 2\u00ba, \u00a7 12, e 53, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/PT\/ALL\/?uri=CELEX:32024R1689\">EUR-Lex<\/a>. Ver tamb\u00e9m INSTITUTO OBSERVAT\u00d3RIO DO DIREITO AUTORAL. <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/ai-act-europeu-2\/\">Regulamento (UE) 2024\/1689, conhecido como AI Act Europeu, entra em vigor<\/a>. 1\u00ba ago. 2026.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">REINO UNIDO. Supreme Court. <em>Thaler v. Comptroller-General of Patents, Designs and Trade Marks<\/em> [2023] UKSC 49, 20 dez. 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/caselaw.nationalarchives.gov.uk\/uksc\/2023\/49\/press-summary\/1\">National Archives<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ALEMANHA. Bundesgerichtshof. X ZB 5\/22, 11 jun. 2024. Cf. <a href=\"https:\/\/dyoung.com\/en\/knowledgebank\/articles\/bgh-germany-inventor-dabus\">D Young &amp; Co<\/a>. Ver tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.lto.de\/recht\/nachrichten\/n\/xzb522-bgh-kuenstliche-intelligenz-erfinder-ai-dabus-patentrecht\">LTO, 31 jul. 2024<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. USPTO. <em>Revised Inventorship Guidance for AI-Assisted Inventions<\/em>, 26 nov. 2025 (FR Doc. 2025-21457). Cf. <a href=\"https:\/\/www.jonesday.com\/en\/insights\/2025\/12\/uspto-revises-guidance-on-aiassisted-inventorship\">Jones Day<\/a>. Ver tamb\u00e9m o an\u00fancio oficial em uspto.gov.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. AGU\/PGF\/PFE-INPI. Parecer n\u00ba 00024\/2022\/CGPI\/PFE-INPI\/PGF\/AGU; Revista da Propriedade Industrial n\u00ba 2696, 6 set. 2022 (pedido BR 11 2021 008931-4). Cf. <a href=\"https:\/\/www.mattosfilho.com.br\/unico\/inteligencia-artificial-patente\/\">Mattos Filho<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. INPI. Consulta P\u00fablica INPI\/PR n\u00ba 03, de 15 ago. 2025 (DOU de 18 ago. 2025; RPI 2850): minuta das Diretrizes de Exame de Pedidos de Patente relacionados \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial; per\u00edodo de 19 ago. a 19 out. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpi\/pt-br\/servicos\/patentes\/consultas-publicas\/consultas-publicas\">gov.br\/inpi<\/a>. Cf. <a href=\"https:\/\/ids.org.br\/noticia\/inpi-abre-consulta-publica-no-3-2025-sobre-as-diretrizes-de-exame-de-patentes-relacionadas-a-inteligencia-artificial\/\">IDS<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.daniel.com.br\/pt\/artigos\/a-protecao-de-invencoes-assistidas-por-inteligencia-artificial-novas-diretrizes-do-inpi-2\/\">Daniel Law, 27 fev. 2026<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"24\">\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Comit\u00ea Central do PCCh e Conselho de Estado. <em>Opini\u00f5es sobre a Constru\u00e7\u00e3o de um Sistema B\u00e1sico de Dados para Melhor Aproveitar o Papel dos Dados como Fator de Produ\u00e7\u00e3o<\/em> (\u5173\u4e8e\u6784\u5efa\u6570\u636e\u57fa\u7840\u5236\u5ea6\u66f4\u597d\u53d1\u6325\u6570\u636e\u8981\u7d20\u4f5c\u7528\u7684\u610f\u89c1), dez. 2022. Cf. a entrevista oficial da Comiss\u00e3o Nacional de Desenvolvimento e Reforma, em <a href=\"https:\/\/www.gov.cn\/zhengce\/2022-12\/20\/content_5732705.htm\">gov.cn, 20 dez. 2022<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. REsp n\u00ba 2.143.010\/SP, 3\u00aa Turma, rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, j. 11 jun. 2025, DJEN 23 jun. 2025. Coment\u00e1rio: WACHOWICZ, Marcos. IODA, 12 out. 2025.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. HC n\u00ba 1.059.475\/SP, 5\u00aa Turma, rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 7 abr. 2026, Informativo n\u00ba 884. Cf. <a href=\"https:\/\/juris.damasio.com.br\/jurisprudencia\/julgado\/884\/ausencia-de-confiabilidade-epistemica-de-relatorio-produzido-por-inteligencia-artificial-generativa-como-prova-no-processo-penal\">Dam\u00e1sio Jurisprud\u00eancia<\/a>. Turma e relator conforme <a href=\"https:\/\/www.jb.com.br\/brasil\/justica\/2026\/04\/1059252-stj-rejeita-uso-de-inteligencia-artificial-como-prova-em-acao-penal.html\">Jornal do Brasil, 10 abr. 2026<\/a>. [VERIFICAR a ementa no site do STJ.]<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 615, de 11 mar. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/atos.cnj.jus.br\/files\/original1555302025031467d4517244566.pdf\">atos.cnj.jus.br<\/a>. CONSELHO FEDERAL DA OAB. Proposi\u00e7\u00e3o n\u00ba 49.0000.2024.007325-9, recomenda\u00e7\u00f5es sobre o uso de IA generativa na pr\u00e1tica jur\u00eddica, aprovada em 11 nov. 2024. Cf. <a href=\"https:\/\/www.ibet.com.br\/oab-aprova-recomendacoes-para-o-uso-de-inteligencia-artificial-na-advocacia\/\">IBET<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"28\">\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. <em>Lei de Prote\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Pessoais<\/em> (\u4e2a\u4eba\u4fe1\u606f\u4fdd\u62a4\u6cd5), 20 ago. 2021, arts. 13, VI, e 27. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cac.gov.cn\/2021-08\/20\/c_1631050028355286.htm\">cac.gov.cn<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados. Decis\u00e3o do Conselho Diretor que aprovou o plano de conformidade da Meta e suspendeu a medida preventiva, DOU, 30 ago. 2024. Cf. <a href=\"https:\/\/teletime.com.br\/30\/08\/2024\/anpd-aprova-plano-de-conformidade-da-meta-e-derruba-medida-preventiva\/\">Teletime<\/a>. Medida preventiva de 2 jul. 2024, mantida em 10 jul. 2024, cf. <a href=\"https:\/\/digitalpolicyalert.org\/event\/21097-issued-preventive-measures-in-anpd-investigation-into-metas-privacy-policy-allowing-the-use-of-personal-data-for-ai-training\">Digital Policy Alert<\/a>. Despachos Decis\u00f3rios n\u00ba 20\/2024\/PR\/ANPD (medida preventiva) e n\u00ba 33\/2024\/PR\/ANPD (aprova\u00e7\u00e3o do plano), cf. <a href=\"https:\/\/okai.com.br\/documento\/2024-08-30\/despacho-decisorio-n%C2%BA-33-2024-pr-anpd\">OKAI<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Supremo Tribunal Federal. RE 1.037.396 (Tema 987) e RE 1.057.258 (Tema 533), julgamento conclu\u00eddo em 26 jun. 2025. Coment\u00e1rios do IODA: WACHOWICZ, Marcos, 29 jun. 2025 e 30 jun. 2025.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ALEMANHA. Landgericht M\u00fcnchen I. <em>GEMA v. OpenAI<\/em>, 42 O 14139\/24, 11 nov. 2025. Cf. <a href=\"https:\/\/cms.law\/en\/deu\/legal-updates\/gema-vs.-openai-munich-regional-court-i-issues-landmark-copyright-decision\">CMS<\/a>. <em>GEMA v. Suno<\/em>, 42 O 763\/25, 31 jul. 2026. Coment\u00e1rios do IODA: <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/gema-openai\/\">GEMA v. OpenAI<\/a> e <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/alemanha-ia-gema\/\">GEMA v. Suno<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. <em>Thomson Reuters v. ROSS Intelligence<\/em>, 3d Cir., n\u00ba 25-2153, 29 set. 2026, dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www2.ca3.uscourts.gov\/opinarch\/252153p.pdf\">ca3.uscourts.gov<\/a>; <em>Kadrey v. Meta Platforms<\/em>, N.D. Cal., n\u00ba 3:23-cv-03417, 25 jun. 2025; <em>In re OpenAI Copyright Litigation<\/em>, S.D.N.Y., n\u00ba 25-md-3143-SHS-OTW, pedidos de summary judgment de 4 set. 2026, manifesta\u00e7\u00e3o do DOJ em 2 set. 2026, cf. <a href=\"https:\/\/news.bloomberglaw.com\/ip-law\/trump-administration-backs-openai-in-ny-times-copyright-suit\">Bloomberg Law<\/a> e <a href=\"https:\/\/ailawsuittracker.com\/cases\/new-york-times-v-openai\/\">AI Lawsuit Tracker<\/a>. Pedido dos autores (Doc. 1982) dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/authorsguild.org\/app\/uploads\/2026\/09\/S.D.N.Y.-25-md-03143-dckt-001982_000-filed-2026-09-17.pdf\">Authors Guild<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">REINO UNIDO. Governo. <em>Report on Copyright and Artificial Intelligence<\/em>, mar. 2026. Cf. <a href=\"https:\/\/www.osborneclarke.com\/insights\/opted-out-uk-government-moves-away-preferred-position-ai-and-copyright-following-report\">Osborne Clarke, 25 mar. 2026<\/a>.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">Texto aprovado pelo Senado (nota 10), cap\u00edtulo sobre direitos de autor. Se\u00e7\u00e3o IV (&#8220;Dos Direitos de Autor e Conexos&#8221;), arts. 62 a 66, conferidos no texto da C\u00e2mara.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<h3>Fontes chinesas<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Administra\u00e7\u00e3o do Ciberespa\u00e7o da China et al. <em>Medidas de Rotulagem de Conte\u00fado Gerado ou Sintetizado por Intelig\u00eancia Artificial<\/em>. Em vigor desde 1\u00ba set. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cac.gov.cn\/2025-03\/14\/c_1743654685896173.htm. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Administra\u00e7\u00e3o do Ciberespa\u00e7o da China et al. <em>Medidas Provis\u00f3rias para a Gest\u00e3o de Servi\u00e7os de Intelig\u00eancia Artificial Generativa<\/em>. Ordem n\u00ba 15, de 10 jul. 2023. Em vigor desde 15 ago. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cac.gov.cn\/2023-07\/13\/c_1690898327029107.htm. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. <em>Lei de Prote\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00f5es Pessoais<\/em>, de 20 ago. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cac.gov.cn\/2021-08\/20\/c_1631050028355286.htm. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. <em>Lei contra a Concorr\u00eancia Desleal<\/em>. Revista em 27 jun. 2025. Em vigor desde 15 out. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.news.cn\/legal\/20250627\/4b6ec78bc9be4ea9a2968a9d34abd724\/c.html. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Propriedade Intelectual. <em>Diretrizes para Pedidos de Patente de Inven\u00e7\u00f5es Relacionadas \u00e0 Intelig\u00eancia Artificial (vers\u00e3o experimental)<\/em>. 31 dez. 2024.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Supremo Tribunal Popular. <em>Opini\u00f5es sobre o Julgamento, conforme a Lei, de Controv\u00e9rsias Envolvendo Intelig\u00eancia Artificial<\/em> (Fa Fa [2026] n\u00ba 10). 7 set. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511101.html. Acesso em: 8 out. 2026. Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: IODA, 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Traducao_IODA_Opinioes_STP_IA_Fa-Fa-2026-10.pdf.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Supremo Tribunal Popular. <em>Respostas dos respons\u00e1veis do STP \u00e0s perguntas da imprensa sobre as Opini\u00f5es<\/em>. 7 set. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.court.gov.cn\/zixun\/xiangqing\/511111.html. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Supremo Tribunal Popular. <em>Disposi\u00e7\u00f5es sobre a Cita\u00e7\u00e3o de Leis, Regulamentos e Outros Atos Normativos em Senten\u00e7as<\/em> (Fa Shi [2009] n\u00ba 14). 26 out. 2009. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.court.gov.cn\/fabu\/xiangqing\/73.html. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal da Internet de Pequim. Processo (2023)\u4eac0491\u6c11\u521d11279\u53f7. 27 nov. 2023.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal da Internet de Guangzhou. Processo (2024)\u7ca40192\u6c11\u521d113\u53f7. Fev. 2024.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CHINA. Tribunal Popular Intermedi\u00e1rio de Hangzhou. Processo (2024)\u6d5901\u6c11\u7ec810332\u53f7 (primeira inst\u00e2ncia: (2024)\u6d590192\u6c11\u521d1587\u53f7).<\/p>\n<h3>Decis\u00f5es e normas estrangeiras<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ALEMANHA. Bundesgerichtshof. X ZB 5\/22. 11 jun. 2024.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ALEMANHA. Landgericht M\u00fcnchen I. 42 O 14139\/24 (<em>GEMA v. OpenAI<\/em>). 11 nov. 2025.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ALEMANHA. Landgericht M\u00fcnchen I. 42 O 763\/25 (<em>GEMA v. Suno<\/em>). 31 jul. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. Court of Appeals for the Third Circuit. <em>Thomson Reuters Enterprise Centre GmbH v. ROSS Intelligence Inc.<\/em>, n\u00ba 25-2153. 29 set. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www2.ca3.uscourts.gov\/opinarch\/252153p.pdf. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">ESTADOS UNIDOS. United States Patent and Trademark Office. <em>Revised Inventorship Guidance for AI-Assisted Inventions<\/em>. 28 nov. 2025.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">REINO UNIDO. Supreme Court. <em>Thaler v. Comptroller-General of Patents, Designs and Trade Marks<\/em> [2023] UKSC 49. 20 dez. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/caselaw.nationalarchives.gov.uk\/uksc\/2023\/49. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Diretiva (UE) 2019\/790, de 17 abr. 2019, relativa aos direitos de autor e direitos conexos no mercado \u00fanico digital.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Regulamento (UE) 2024\/1689, de 13 jun. 2024 (Regulamento da Intelig\u00eancia Artificial). Dispon\u00edvel em: https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/PT\/ALL\/?uri=CELEX:32024R1689. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<h3>Brasil<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Lei n\u00ba 9.279, de 14 maio 1996. Regula direitos e obriga\u00e7\u00f5es relativos \u00e0 propriedade industrial.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Lei n\u00ba 9.610, de 19 fev. 1998. Altera, atualiza e consolida a legisla\u00e7\u00e3o sobre direitos autorais.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Lei n\u00ba 13.105, de 16 mar. 2015. C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Lei n\u00ba 13.709, de 14 ago. 2018. Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei n\u00ba 2.338, de 2023. Texto aprovado em 10 dez. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/texto-aprovado-no-Senado-Federal-em-10-12-2024.pdf. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. REsp n\u00ba 2.143.010\/SP. 3\u00aa Turma. Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva. Julgado em 11 jun. 2025.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. HC n\u00ba 1.059.475\/SP. 5\u00aa Turma. Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em 7 abr. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 615, de 11 mar. 2025.<\/p>\n<h3>Conte\u00fados do IODA<\/h3>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">INSTITUTO OBSERVAT\u00d3RIO DO DIREITO AUTORAL. <em>Da Europa para o Brasil: o que o AI Act ensina sobre o futuro da regula\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial<\/em>. 4 ago. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/ai-act-europeu\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">INSTITUTO OBSERVAT\u00d3RIO DO DIREITO AUTORAL. <em>Direito Autoral e Intelig\u00eancia Artificial: guia completo<\/em>. Out. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/direito-autoral-e-inteligencia-artificial\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>Caso GEMA v. OpenAI: tribunal alem\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o de obras no treinamento de IA<\/em>. IODA, 6 mar. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/gema-openai\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>Da Alemanha para o Brasil: o que o caso GEMA vs. Suno revela sobre as lacunas da lei brasileira de direitos autorais<\/em>. IODA, 5 ago. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/alemanha-ia-gema\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>Fair use x regra dos tr\u00eas passos: como o Brasil julgaria a primeira grande derrota de uma IA nos EUA<\/em>. IODA, 8 out. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/ia-headnotes-direito-autoral\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>Espanha fixa limites ao uso de IA por ju\u00edzes e cria refer\u00eancia para o debate no Brasil<\/em>. IODA, 20 mar. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/artigos\/espanha-uso-ia-por-juizes\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos; DRUMMOND, Victor. <em>Direitos Autorais e Soft Power: como o Vietn\u00e3 quer transformar sua cultura em estrat\u00e9gia de proje\u00e7\u00e3o internacional<\/em>. IODA, 29 jul. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/direitos-autorais-soft-power-vietna\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">WACHOWICZ, Marcos. <em>STJ autoriza prote\u00e7\u00e3o autoral de banco de dados e valida uso jornal\u00edstico online<\/em>. IODA, 12 out. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-brasileira\/stj-banco-de-dados-regra-3-passos\/. Acesso em: 8 out. 2026.<\/p>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\">DOCUMENTO TRADUZIDO &#8211; <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Opinioes_STP_IA_2026_Edicao_Tecnica_Profissional.pdf\">Opinioes_STP_IA_2026_Edicao_Tecnica_Profissional<\/a><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<h2>Leia tamb\u00e9m no IODA<\/h2>\n<ul>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/direito-autoral-e-inteligencia-artificial\/\">Direito Autoral e Intelig\u00eancia Artificial: guia completo<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/ia-headnotes-direito-autoral\/\">Fair use x regra dos tr\u00eas passos: como o Brasil julgaria a primeira grande derrota de uma IA nos EUA<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/alemanha-ia-gema\/\">Da Alemanha para o Brasil: o que o caso GEMA vs. Suno revela sobre as lacunas da lei brasileira<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/ai-act-europeu\/\">Da Europa para o Brasil: o que o AI Act ensina sobre o futuro da regula\u00e7\u00e3o da IA<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/direitos-autorais-soft-power-vietna\/\">Direitos Autorais e Soft Power: o Vietn\u00e3 e o Decreto n\u00ba 287\/2026<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"overflow-wrap: anywhere;\"><em>Quer se aprofundar no tema? Conhe\u00e7a a <a href=\"https:\/\/posgraduacao.ioda.org.br\/\">P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito da Propriedade Intelectual e ESG<\/a>, do IODA em parceria com a Faculdade FESP.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Intelig\u00eancia Artificial e Direitos Autorais: o que o Brasil pode aprender com as novas orienta\u00e7\u00f5es do Supremo Tribunal Popular da China? Autoria: Marcos Wachowicz. Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito (PPGD\/UFPR). Doutor em Direito pela UFPR. Mestre em Direito pela Universidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":9633,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[56,2623],"class_list":["post-9632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-digest"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/comments?post=9632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9632\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media\/9633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media?parent=9632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/categories?post=9632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}