{"id":9520,"date":"2026-08-09T18:44:49","date_gmt":"2026-08-09T21:44:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9520"},"modified":"2026-08-12T12:24:43","modified_gmt":"2026-08-12T15:24:43","slug":"stj-sofware","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-brasileira\/stj-sofware\/","title":{"rendered":"STJ autoriza restri\u00e7\u00e3o de dez anos em contrato de licenciamento de software"},"content":{"rendered":"<h2>Software, direito autoral e prescri\u00e7\u00e3o: nova decis\u00e3o do STJ refor\u00e7a natureza contratual da controv\u00e9rsia<\/h2>\n<p>Uma decis\u00e3o recente do <a href=\"https:\/\/www.tse.jus.br\/\"><strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/strong><\/a> refor\u00e7a um ponto importante para empresas de tecnologia, titulares de direitos autorais e contratantes de software: quando a controv\u00e9rsia decorre de responsabilidade contratual, o prazo prescricional \u00e9 de dez anos.<\/p>\n<p>O entendimento foi firmado pela Terceira Turma do STJ no julgamento do <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/STJ_202003085217_tipo_integra_341417519.pdf\"><strong>REsp n\u00ba 1.907.034\/DF<\/strong><\/a>, relatado pelo Ministro <a href=\"https:\/\/www.tse.jus.br\/institucional\/ministros\/ministro-ricardo-villas-boas-cueva\"><strong>Ricardo Villas B\u00f4as Cueva<\/strong><\/a>. Por unanimidade, o colegiado deu provimento ao recurso e reconheceu a aplica\u00e7\u00e3o do art. 205 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<h2>Software no centro da disputa<\/h2>\n<p>O caso teve origem em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria envolvendo alegada viola\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zPSEXG0p324\"><strong>contrato de licenciamento de software<\/strong><\/a>. O contrato proibia a utiliza\u00e7\u00e3o do sistema sem o devido licenciamento e autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas inst\u00e2ncias anteriores, prevaleceu o entendimento de que a pretens\u00e3o estaria sujeita ao prazo prescricional de tr\u00eas anos, previsto no art. <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406compilada.htm#:~:text=V%20%2D%20a%20pretens%C3%A3o%20de%20repara%C3%A7%C3%A3o%20civil%3B\"><strong>206, \u00a7 3\u00ba, V, do C\u00f3digo Civil.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o chegou ao STJ com uma pergunta central: em uma controv\u00e9rsia contratual envolvendo software e direitos autorais, a prescri\u00e7\u00e3o \u00e9 de tr\u00eas ou de dez anos?<\/p>\n<h2>Natureza do contrato prevaleceu<\/h2>\n<p>Para o STJ, a resposta depende da natureza da responsabilidade.<\/p>\n<p>O Tribunal destacou que a controv\u00e9rsia era de responsabilidade civil contratual. Nesses casos, a jurisprud\u00eancia da Corte aplica, como regra, o prazo geral de dez anos previsto no<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406compilada.htm#:~:text=Art.%20205.%20A%20prescri%C3%A7%C3%A3o%20ocorre%20em%20dez%20anos%2C%20quando%20a%20lei%20n%C3%A3o%20lhe%20haja%20fixado%20prazo%20menor.\"><strong> art. 205 do C\u00f3digo Civil.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O prazo de tr\u00eas anos, por sua vez, \u00e9 associado \u00e0s hip\u00f3teses de responsabilidade extracontratual.<\/p>\n<blockquote><p>O ponto mais relevante do julgamento est\u00e1 justamente a\u00ed: o fato de a disputa envolver software e direito autoral n\u00e3o foi considerado suficiente para criar um regime prescricional diferente daquele aplic\u00e1vel \u00e0s demais rela\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na fundamenta\u00e7\u00e3o, o STJ afirmou que n\u00e3o haveria raz\u00e3o para conferir tratamento diferenciado \u00e0 responsabilidade contratual por viola\u00e7\u00e3o de direito autoral.<\/p>\n<h2>STJ afasta precedente utilizado pelo tribunal local<\/h2>\n<p>O Tribunal de origem havia utilizado precedente envolvendo direitos autorais para justificar a prescri\u00e7\u00e3o trienal.<\/p>\n<blockquote><p>O STJ, por\u00e9m, fez uma distin\u00e7\u00e3o importante.<\/p>\n<p>Segundo o voto, aquele julgamento tratava de cobran\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o pelo uso de obras musicais, situa\u00e7\u00e3o diferente de uma pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o decorrente de responsabilidade contratual.<\/p><\/blockquote>\n<p>A Corte tamb\u00e9m destacou precedentes posteriores que consolidaram a distin\u00e7\u00e3o entre responsabilidade contratual e extracontratual para fins de prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Decis\u00e3o impacta contratos de tecnologia<\/h2>\n<p>O julgamento chama aten\u00e7\u00e3o porque demonstra que a presen\u00e7a de um ativo tecnol\u00f3gico n\u00e3o altera, por si s\u00f3, as categorias tradicionais do Direito Civil.<\/p>\n<blockquote><p>No caso, a l\u00f3gica adotada pelo STJ foi clara:<\/p>\n<p>contrato de licenciamento \u2192 alegado inadimplemento \u2192 responsabilidade contratual \u2192 prescri\u00e7\u00e3o de dez anos.<\/p>\n<p>Para contratos de tecnologia, a decis\u00e3o refor\u00e7a a import\u00e2ncia de identificar corretamente qual \u00e9 a fonte da obriga\u00e7\u00e3o violada.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em disputas envolvendo software, propriedade intelectual e licenciamento, essa classifica\u00e7\u00e3o pode ser decisiva para definir se uma pretens\u00e3o ainda pode ou n\u00e3o ser levada ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n<h2>O que o STJ decidiu e o que n\u00e3o decidiu<\/h2>\n<p>A Terceira Turma reconheceu a incid\u00eancia do prazo prescricional de dez anos e deu provimento ao recurso especial.<\/p>\n<p>Mas o julgamento n\u00e3o definiu se houve efetivamente viola\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=b0EgcKNhcco\"><strong>software<\/strong><\/a>, nem fixou indeniza\u00e7\u00e3o ou analisou a extens\u00e3o de eventuais danos.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o concentrou-se exclusivamente no prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 pretens\u00e3o contratual.<\/p>\n<h2>Por que o precedente importa<\/h2>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2026\/05022026-Discussao-sobre-direitos-autorais-nao-altera-prazo-de-prescricao-para-responsabilidade-de-origem-contratual.aspx\"><strong>REsp n\u00ba 1.907.034\/DF<\/strong> <\/a>refor\u00e7a uma diretriz relevante para o mercado de tecnologia e para a Propriedade Intelectual: n\u00e3o \u00e9 apenas a natureza do ativo protegido que importa, mas principalmente a origem jur\u00eddica da obriga\u00e7\u00e3o discutida.<\/p>\n<p>Em outras palavras, quando a pretens\u00e3o nasce de um contrato, a natureza contratual da rela\u00e7\u00e3o pode ser determinante para definir o regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel.<\/p>\n<h2>STJ: responsabilidade contratual envolvendo software sujeito \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o decenal<\/h2>\n<p>A natureza autoral do <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f9aRofe71pw&amp;t=56s\"><strong>software<\/strong> <\/a>n\u00e3o exclui, por si s\u00f3, o regime prescricional da responsabilidade contratual, o ac\u00f3rd\u00e3o do STJ \u00e9 categ\u00f3rico ao aplicar prazo de dez anos em controv\u00e9rsia sobre licenciamento.<\/p>\n<p>Para o STJ, a pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o decorrente de responsabilidade contratual por viola\u00e7\u00e3o de contrato de licenciamento de software est\u00e1 sujeita, na aus\u00eancia de prazo especial, \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o de dez anos prevista no art. 205 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n<p>Para ter acesso integral ao ac\u00f3rd\u00e3o: <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/STJ_202003085217_tipo_integra_341417519.pdf\">STJ_202003085217_tipo_integra_341417519<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Software, direito autoral e prescri\u00e7\u00e3o: nova decis\u00e3o do STJ refor\u00e7a natureza contratual da controv\u00e9rsia Uma decis\u00e3o recente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a refor\u00e7a um ponto importante para empresas de tecnologia, titulares de direitos autorais e contratantes de software: quando a controv\u00e9rsia decorre de responsabilidade contratual, o prazo prescricional \u00e9 de dez anos. O entendimento foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":9523,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2623,204],"class_list":["post-9520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-digest","category-jurisprudencia-brasileira"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/users\/37"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/comments?post=9520"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9520\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media\/9523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media?parent=9520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/categories?post=9520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}