{"id":9484,"date":"2026-08-01T03:40:23","date_gmt":"2026-08-01T06:40:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9484"},"modified":"2026-08-07T11:09:15","modified_gmt":"2026-08-07T14:09:15","slug":"ai-act-europeu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/ai-act-europeu-2\/","title":{"rendered":"Regulamento (UE) 2024\/1689, conhecido como AI Act Europeu entra em vigor."},"content":{"rendered":"<h1>AI Act entra em sua fase decisiva de aplica\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia<\/h1>\n<p>No dia <strong>2 de agosto de 2026<\/strong>, a Uni\u00e3o Europeia iniciou a fase de aplica\u00e7\u00e3o geral do Regulamento Europeu sobre Intelig\u00eancia Artificial, conhecido como <strong>AI Act Europeu<\/strong>. Trata-se de um marco jur\u00eddico internacional, pois estabelece um dos primeiros regimes abrangentes e obrigat\u00f3rios destinados especificamente ao desenvolvimento, \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Do ponto de vista jur\u00eddico, \u00e9 importante fazer uma distin\u00e7\u00e3o. O AI Act, oficialmente denominado <strong>Regulamento (UE) 2024\/1689<\/strong>, foi publicado no Jornal Oficial da Uni\u00e3o Europeia em julho de 2024 e entrou formalmente em vigor em <strong>1\u00ba de agosto de 2024<\/strong>.<\/p>\n<p>Entretanto, a maior parte de suas disposi\u00e7\u00f5es passou a ser aplic\u00e1vel em <strong>2 de agosto de 2026<\/strong>, depois de um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o concedido \u00e0s empresas, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e demais organiza\u00e7\u00f5es abrangidas pela legisla\u00e7\u00e3o. O regulamento \u00e9 obrigat\u00f3rio em todos os seus elementos e diretamente aplic\u00e1vel nos Estados-Membros da Uni\u00e3o Europeia. (<a title=\"Regulamento - UE - 2024\/1689 - PT - EUR-Lex\" href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/eli\/reg\/2024\/1689\/oj?eliuri=eli%3Areg%3A2024%3A1689%3Aoj&amp;locale=pt&amp;utm_source=chatgpt.com\">EUR-Lex<\/a>)<\/p>\n<p>O objetivo central da legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 promover uma intelig\u00eancia artificial <strong>segura, confi\u00e1vel e centrada no ser humano<\/strong>. O regulamento procura estimular a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sem deixar de proteger a sa\u00fade, a seguran\u00e7a, a democracia, o Estado de Direito, a privacidade e os demais direitos fundamentais.<\/p>\n<p>A proposta europeia n\u00e3o consiste, portanto, em proibir a intelig\u00eancia artificial de maneira geral, mas em estabelecer responsabilidades proporcionais aos riscos que cada sistema pode produzir.<\/p>\n<h2>Regula\u00e7\u00e3o baseada no n\u00edvel de risco<\/h2>\n<p>O principal elemento do AI Act \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de uma abordagem baseada no risco. Quanto maior for a possibilidade de um sistema de IA causar danos \u00e0s pessoas ou \u00e0 sociedade, maiores ser\u00e3o as exig\u00eancias impostas aos seus desenvolvedores, fornecedores e utilizadores.<\/p>\n<p>No n\u00edvel mais grave encontram-se as pr\u00e1ticas consideradas de <strong>risco inaceit\u00e1vel<\/strong>, que s\u00e3o proibidas. Entre elas est\u00e3o determinados sistemas destinados \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o prejudicial do comportamento humano, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das vulnerabilidades de crian\u00e7as, pessoas com defici\u00eancia ou indiv\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, bem como determinadas formas de classifica\u00e7\u00e3o social de pessoas.<\/p>\n<p>Igualmente s\u00e3o fortemente restringidos os sistemas de identifica\u00e7\u00e3o biom\u00e9trica remota em tempo real utilizados em espa\u00e7os p\u00fablicos pelas autoridades policiais, admitidos apenas em situa\u00e7\u00f5es excepcionais e mediante condi\u00e7\u00f5es rigorosas.<\/p>\n<p>As proibi\u00e7\u00f5es deste mesmo modo, alcan\u00e7am determinadas formas de categoriza\u00e7\u00e3o biom\u00e9trica destinadas a inferir informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, como opini\u00f5es pol\u00edticas, religi\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o sexual ou filia\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito \u00e9 impedir que caracter\u00edsticas f\u00edsicas ou comportamentais sejam utilizadas para criar mecanismos discriminat\u00f3rios de vigil\u00e2ncia, controle ou exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seguida est\u00e3o os sistemas de <strong>alto risco<\/strong>. Essa categoria pode abranger aplica\u00e7\u00f5es empregadas em \u00e1reas particularmente sens\u00edveis, como educa\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es de trabalho, recrutamento, acesso a servi\u00e7os essenciais, infraestruturas cr\u00edticas, sa\u00fade, imigra\u00e7\u00e3o, controle de fronteiras, seguran\u00e7a p\u00fablica e administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis por sistemas de alto risco devem adotar mecanismos de gest\u00e3o cont\u00ednua dos riscos, utilizar dados adequados e suficientemente representativos, produzir documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, conservar registros das opera\u00e7\u00f5es e garantir n\u00edveis apropriados de precis\u00e3o, seguran\u00e7a e robustez. Do mesmo modo,\u00a0 devem existir medidas de supervis\u00e3o humana que permitam compreender, acompanhar e, quando necess\u00e1rio, interromper o funcionamento do sistema.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o devem utilizar a tecnologia de acordo com as instru\u00e7\u00f5es fornecidas, controlar seu funcionamento e designar pessoas com qualifica\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e autoridade suficientes para exercer a supervis\u00e3o humana.<\/p>\n<h2>Transpar\u00eancia e identifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fados produzidos por IA<\/h2>\n<p>Um dos pontos que ganha especial import\u00e2ncia a partir de agosto de 2026 \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia. As pessoas devem ser informadas quando estiverem interagindo diretamente com determinados sistemas de IA, como assistentes virtuais e chatbots, salvo quando essa circunst\u00e2ncia for evidente.<\/p>\n<p>Os fornecedores de sistemas de intelig\u00eancia artificial generativa, da mesma forma,\u00a0devem adotar mecanismos t\u00e9cnicos que permitam identificar conte\u00fados produzidos ou manipulados artificialmente. Esses conte\u00fados devem ser marcados em formato leg\u00edvel por m\u00e1quina, facilitando sua detec\u00e7\u00e3o como material sint\u00e9tico.<\/p>\n<p>No caso dos chamados <strong>deepfakes<\/strong>, os respons\u00e1veis pela utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia devem informar que a imagem, o \u00e1udio ou o v\u00eddeo foi artificialmente gerado ou manipulado. Obriga\u00e7\u00f5es semelhantes podem ser aplicadas a textos produzidos por IA destinados a informar o p\u00fablico sobre assuntos de interesse p\u00fablico quando n\u00e3o houver revis\u00e3o humana ou controle editorial. Portanto, igualmente dever\u00e1 existir informa\u00e7\u00e3o adequada quando forem utilizados sistemas de reconhecimento de emo\u00e7\u00f5es ou de categoriza\u00e7\u00e3o biom\u00e9trica. (<a title=\"Guidelines on transparency obligations for providers and deployers of AI systems | Shaping Europe\u2019s digital future\" href=\"https:\/\/digital-strategy.ec.europa.eu\/en\/library\/guidelines-transparency-obligations-providers-and-deployers-ai-systems?utm_source=chatgpt.com\">Digital Strategy<\/a>)<\/p>\n<p>Essas medidas procuram reduzir os riscos de desinforma\u00e7\u00e3o, fraude, manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e confus\u00e3o entre conte\u00fados aut\u00eanticos e artificiais. A transpar\u00eancia passa, assim, a ser entendida n\u00e3o apenas como uma recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9tica, mas como uma obriga\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<h2>Modelos de intelig\u00eancia artificial de finalidade geral<\/h2>\n<p>O AI Act ainda estabelece regras espec\u00edficas para os chamados <strong>modelos de intelig\u00eancia artificial de finalidade geral<\/strong>, conhecidos pela sigla GPAI. S\u00e3o modelos capazes de executar diferentes tarefas e que podem ser incorporados a diversos produtos e servi\u00e7os, como ocorre com grandes modelos utilizados para gerar textos, imagens, v\u00eddeos, programas de computador e outros conte\u00fados.<\/p>\n<p>Os fornecedores desses modelos devem manter documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, fornecer informa\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s empresas que integrarem a tecnologia em outros sistemas e adotar pol\u00edticas destinadas ao cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o europeia sobre direitos autorais. Al\u00e9m disso, devem divulgar um resumo suficientemente detalhado dos conte\u00fados utilizados no treinamento do modelo.<\/p>\n<p>Quando um modelo apresentar <strong>risco sist\u00eamico<\/strong>, em raz\u00e3o de sua capacidade, alcance ou poss\u00edvel impacto sobre a sociedade, surgem obriga\u00e7\u00f5es adicionais. Entre elas est\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00f5es, testes adversariais, identifica\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de riscos sist\u00eamicos, comunica\u00e7\u00e3o de incidentes graves e ado\u00e7\u00e3o de medidas refor\u00e7adas de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica.<\/p>\n<h2>Fiscaliza\u00e7\u00e3o, responsabilidade e san\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do regulamento envolve autoridades nacionais dos Estados-Membros, o Comit\u00ea Europeu para a Intelig\u00eancia Artificial e o Servi\u00e7o Europeu para a IA, conhecido como <strong>AI Office<\/strong>. Essas institui\u00e7\u00f5es possuem fun\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o, fiscaliza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das regras, especialmente quanto aos modelos de finalidade geral.<\/p>\n<p>O descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o pode resultar em multas expressivas. Dependendo da infra\u00e7\u00e3o, as san\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis \u00e0s empresas podem considerar valores fixos ou percentuais de seu faturamento anual mundial. As viola\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas proibidas est\u00e3o sujeitas \u00e0s consequ\u00eancias mais severas, enquanto outras infra\u00e7\u00f5es, como o descumprimento das obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia, documenta\u00e7\u00e3o ou coopera\u00e7\u00e3o, da mesma maneira podem gerar penalidades relevantes. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea tratamento proporcional para pequenas e m\u00e9dias empresas, sem afastar sua obriga\u00e7\u00e3o de conformidade. (<a title=\"Quick Facts: Transparency rules for AI systems | Shaping Europe\u2019s digital future\" href=\"https:\/\/digital-strategy.ec.europa.eu\/en\/factpages\/quick-facts-transparency-rules-ai-systems?utm_source=chatgpt.com\">Digital Strategy<\/a>)<\/p>\n<p>O AI Act ter\u00e1 inclusive a possibilidade de um alcance internacional, isto porque, empresas sediadas fora da Uni\u00e3o Europeia podem ser atingidas quando oferecem sistemas de IA no mercado europeu ou quando os resultados produzidos por esses sistemas s\u00e3o utilizados dentro da Uni\u00e3o. Dessa forma, organiza\u00e7\u00f5es brasileiras que forne\u00e7am tecnologias, produtos ou servi\u00e7os digitais para o mercado europeu, pois\u00a0 precisam examinar sua eventual sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s regras.<\/p>\n<h2>Uma nova etapa da regula\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/h2>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o geral do AI Act representa a passagem de uma fase predominantemente preparat\u00f3ria para uma etapa concreta de conformidade, supervis\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o. Empresas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas precisam identificar os sistemas de IA que desenvolvem ou utilizam, classific\u00e1-los segundo o n\u00edvel de risco, definir responsabilidades internas, capacitar seus profissionais e criar mecanismos de governan\u00e7a, transpar\u00eancia e documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o reconhece, inclusive, a import\u00e2ncia da <strong>literacia em intelig\u00eancia artificial<\/strong>, determinando que fornecedores e respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o adotem medidas para que as pessoas envolvidas na opera\u00e7\u00e3o dos sistemas possuam conhecimentos adequados sobre suas capacidades, limita\u00e7\u00f5es e riscos.<\/p>\n<p>Apesar da aplica\u00e7\u00e3o geral iniciada em 2 de agosto de 2026, determinadas obriga\u00e7\u00f5es relativas aos sistemas de alto risco seguem calend\u00e1rios espec\u00edficos de implementa\u00e7\u00e3o. No cronograma atualmente divulgado pela Comiss\u00e3o Europeia, algumas regras aplic\u00e1veis a usos de alto risco em \u00e1reas sens\u00edveis dever\u00e3o produzir efeitos posteriormente, assim como as regras destinadas aos sistemas incorporados em produtos regulamentados. (<a title=\"AI Act | Shaping Europe\u2019s digital future\" href=\"https:\/\/digital-strategy.ec.europa.eu\/en\/policies\/regulatory-framework-ai?utm_source=chatgpt.com\">Digital Strategy<\/a>)<\/p>\n<p>Mais do que uma legisla\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, o AI Act consolida uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica da Uni\u00e3o Europeia: a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica deve permanecer subordinada \u00e0 dignidade humana, aos direitos fundamentais e ao controle democr\u00e1tico. Seu impacto tende a ultrapassar as fronteiras europeias, influenciando legisla\u00e7\u00f5es, contratos, pol\u00edticas empresariais e modelos de governan\u00e7a da intelig\u00eancia artificial em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>Para ter acesso ao texo integral do AI Act Europeu, veja o link abaixo:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/AI-Act-Europeu.pdf\">AI Act Europeu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AI Act entra em sua fase decisiva de aplica\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia No dia 2 de agosto de 2026, a Uni\u00e3o Europeia iniciou a fase de aplica\u00e7\u00e3o geral do Regulamento Europeu sobre Intelig\u00eancia Artificial, conhecido como AI Act Europeu. 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