{"id":9417,"date":"2026-07-07T21:24:42","date_gmt":"2026-07-08T00:24:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9417"},"modified":"2026-07-07T22:11:19","modified_gmt":"2026-07-08T01:11:19","slug":"taylor-swift-plagio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/taylor-swift-plagio\/","title":{"rendered":"Taylor Swift vence batalha judicial sobre pl\u00e1gio: o que o caso Marasco revela sobre os limites do direito autoral"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.375rem] font-bold\">Marasco v. Swift e o precedente Dark Horse: o que protege e o que n\u00e3o protege o direito autoral na m\u00fasica e na poesia<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><em>An\u00e1lise de decis\u00e3o, com base em fontes prim\u00e1rias<\/em><\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\">Os fatos e a fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><strong>O caso Marasco v. Swift<\/strong> julgado em 6 de julho de 2026, pela Ju\u00edza Aileen M. Cannon, do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul da Fl\u00f3rida, encerrou definitivamente o processo n\u00ba 2:25-cv-14067 (Ordem n\u00ba 78 do processo, dispon\u00edvel em\u00a0 <a href=\"https:\/\/storage.courtlistener.com\/recap\/gov.uscourts.flsd.684880\/gov.uscourts.flsd.684880.78.0.pdf\"><strong>courtlistener.com\/docket\/69690240\/78\/marasco-v-swift<\/strong><\/a>), no qual a poetisa <strong>Kimberly Marasco<\/strong> acusava Taylor Swift, Aaron Dessner, Republic Records e Universal Music Group de terem violado direitos autorais sobre seus poemas.<\/p>\n<h3>Por que a Justi\u00e7a americana livrou Taylor Swift de acusa\u00e7\u00e3o de pl\u00e1gio<\/h3>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A poetisa Kimberly Marasco residente na Florida, USA, moveu a\u00e7\u00e3o em que apontava que doze composi\u00e7\u00f5es de Taylor Swift como supostamente infratoras de copyright, dentre elas, por exemplo estava , a m\u00fasica <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AqAJLh9wuZ0&amp;list=RDAqAJLh9wuZ0&amp;start_radio=1\"><strong>&#8220;The Man&#8221;<\/strong><\/a> em rela\u00e7\u00e3o ao poema &#8220;Ordinary Citizen&#8221; (ambos tratando da viv\u00eancia de uma mulher em ambiente corporativo dominado por homens) e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iFX6_9h7th0&amp;list=RDiFX6_9h7th0&amp;start_radio=1\"><strong>&#8220;The Great War&#8221;<\/strong> <\/a>em rela\u00e7\u00e3o ao poema &#8220;The Fire&#8221; (ambos empregando a met\u00e1fora de desejo associado a fogo).<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A corte ap\u00f3s an\u00e1lise dos fatos e mensura\u00e7\u00e3o dos direitos envolvidos, houve por\u00a0 fundamentar pela improcedencia e pelo arquivamento em dois pilares.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Primeiro, aplicou a dicotomia ideia\/express\u00e3o do direito americano (17 U.S.C. \u00a7 102(b); 37 C.F.R. \u00a7 202.1(a)), segundo a qual ideias, temas e met\u00e1foras de uso corrente, bem como palavras e frases curtas isoladas, n\u00e3o s\u00e3o proteg\u00edveis por copyright.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Segundo, de forma subsidi\u00e1ria, concluiu que a autora n\u00e3o demonstrou de forma plaus\u00edvel nem acesso \u00e0s obras nem similaridade substancial entre os textos, est\u00e3o o padr\u00e3o fixado em <em>Feist Publications, Inc. v. Rural Telephone Service Co.<\/em>, 499 U.S. 340 (1991), enfraquecido ainda mais pelo fato de a pr\u00f3pria peti\u00e7\u00e3o descrever a suposta c\u00f3pia como &#8220;par\u00e1frase&#8221; ou &#8220;substitui\u00e7\u00e3o m\u00ednima de palavras&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>De &#8220;Dark Horse&#8221; a Taylor Swift: o precedente que protege compositores de acusa\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis de c\u00f3pia<\/h3>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><strong>O prec<\/strong><strong>edente Gray v. Hudson (<em>&#8220;Dark Horse&#8221;<\/em>),<\/strong> o segue o mesmo racioc\u00ednio de fundo j\u00e1 havia sido aplicado, em contexto totalmente diverso, pelo Tribunal de Apela\u00e7\u00f5es do Nono Circuito, em <em>Marcus Gray, et al. v. Katheryn Hudson, et al.<\/em> (&#8220;Gray v. Hudson&#8221;), 28 F.4th 87 (9th Cir. 2022), processo distrital n\u00ba 2:15-cv-05642-CAS(JCx) (opini\u00e3o integral dispon\u00edvel em courtlistener.com\/opinion\/6449849\/marcus-gray-v-katheryn-hudson).<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">O rapper crist\u00e3o Marcus Gray (Flame) alegava que a m\u00fasica &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0KSOMA3QBU0&amp;list=RD0KSOMA3QBU0&amp;start_radio=1\"><strong><em>Dark Horse<\/em>&#8220;<\/strong><\/a> (2013), de Katy Perry, copiara um ostinato (figura instrumental repetitiva de oito notas) de sua m\u00fasica &#8220;Joyful Noise&#8221; (2008). Em agosto de 2019, um j\u00fari decidiu a favor de Gray, fixando indeniza\u00e7\u00e3o de aproximadamente US$ 2,8 milh\u00f5es (22,5% dos lucros l\u00edquidos da m\u00fasica).<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A Ju\u00edza distrital Christina A. Snyder reverteu esse veredito por meio de &#8220;<em>judgment as a matter of law<\/em>&#8220;, em decis\u00e3o de 32 p\u00e1ginas, e o Nono Circuito confirmou a revers\u00e3o em 10 de mar\u00e7o de 2022.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A fundamenta\u00e7\u00e3o do Nono Circuito \u00e9 a que efetivamente conecta os dois casos:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A corte concluiu que cada elemento apontado como semelhante, vale dizer: a sequ\u00eancia de notas, o ritmo uniforme, o timbre do sintetizador, a &#8220;forma mel\u00f3dica&#8221;, era na verdade, isoladamente, um bloco de constru\u00e7\u00e3o musical comum, sem originalidade suficiente para gerar prote\u00e7\u00e3o autoral (citando precedentes como <em>Skidmore v. Led Zeppelin<\/em>, 952 F.3d 1051 (9th Cir. 2020) (en banc), e <em>Swirsky v. Carey<\/em>, 376 F.3d 841 (9th Cir. 2004)).<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"flex flex-col\">\n<div class=\"\">\n<div class=\"flex items-start group\">\n<div class=\"max-w-4xl claude-response w-full break-words\">\n<div class=\"font-claude-response text-sm leading-[1.65rem] text-text-100 [&amp;_a]:!underline [&amp;_a]:text-brand-100 [&amp;_p]:!text-sm [&amp;_p]:text-text-100 [&amp;_ul]:text-sm [&amp;_ol]:text-sm\">\n<div>\n<div class=\"standard-markdown grid-cols-1 grid [&amp;_&gt;_*]:min-w-0 gap-3 [&amp;_&gt;_*]:min-w-0\">\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">O Nono Circuito \u00e9 um dos treze tribunais federais de apela\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, respons\u00e1vel por revisar decis\u00f5es das cortes distritais de nove estados do oeste americano, incluindo a Calif\u00f3rnia. Por abranger o estado onde se concentra grande parte da ind\u00fastria musical e cinematogr\u00e1fica do pa\u00eds, \u00e9 o tribunal que mais frequentemente decide casos importantes de direito autoral ligados ao entretenimento, como no caso do precedente &#8220;<em>Dark Horse<\/em>&#8220;, envolvendo Katy Perry.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"h-7 flex items-center\">\n<div class=\"flex items-center gap-0.5 mt-2 -ml-1.5 opacity-100\">\n<div>A corte tamb\u00e9m analisou se a combina\u00e7\u00e3o desses elementos, ainda que cada um isoladamente n\u00e3o fosse proteg\u00edvel, poderia gerar prote\u00e7\u00e3o \u2014 e concluiu que n\u00e3o, por se tratar de um arranjo &#8220;praticamente inevit\u00e1vel&#8221; dentro das conven\u00e7\u00f5es do g\u00eanero musical, aplicando o teste de <em>Satava v. Lowry<\/em>, 323 F.3d 805 (9th Cir. 2003).<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\">O paralelo com a Lei 9.610\/98<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A legisla\u00e7\u00e3o brasileira cont\u00e9m dispositivo funcionalmente equivalente \u00e0 dicotomia ideia\/express\u00e3o americana.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">O <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm#:~:text=Art.%208%C2%BA%20N%C3%A3o%20s%C3%A3o%20objeto%20de%20prote%C3%A7%C3%A3o%20como%20direitos%20autorais%20de%20que\"><strong>art. 8\u00ba, incisos I e VII, da Lei 9.610\/98<\/strong><\/a> exclui expressamente da prote\u00e7\u00e3o autoral &#8220;as ideias, procedimentos normativos, sistemas, m\u00e9todos, projetos ou conceitos matem\u00e1ticos como tais&#8221;, bem como &#8220;o aproveitamento industrial ou comercial das ideias contidas nas obras&#8221;.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">J\u00e1 o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm#:~:text=Art.%207%C2%BA%20S%C3%A3o%20obras%20intelectuais%20protegidas%20as%20cria%C3%A7%C3%B5es%20do%20esp%C3%ADrito%2C%20expressas%20por%20qualquer%20meio%20ou%20fixadas\"><strong>art. 7\u00ba<\/strong><\/a>, caput, exige que a obra protegida seja uma &#8220;cria\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito&#8221; exig\u00eancia de originalidade que se aproxima, em fun\u00e7\u00e3o, do padr\u00e3o americano de substantial similarity aplicado tanto em Marasco quanto em <em>Dark Horse.<\/em><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">A diferen\u00e7a mais relevante entre os dois sistemas est\u00e1 no plano processual, n\u00e3o no material.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Nos Estados Unidos, tanto o &#8220;<em>motion to dismiss<\/em>&#8221; (usado em Marasco, ainda na fase de peti\u00e7\u00e3o inicial) quanto o &#8220;<em>judgment as a matter of law<\/em>&#8221; (usado em <em>Dark Horse<\/em>, j\u00e1 ap\u00f3s julgamento pelo j\u00fari) permitem que um juiz togado reverta ou encerre a demanda quando conclui, como quest\u00e3o de direito, que os elementos apontados n\u00e3o s\u00e3o proteg\u00edveis, mesmo que um j\u00fari leigo tenha decidido de forma diversa, como ocorreu no caso <em>Dark Horse<\/em>.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">No processo civil brasileiro, esse tipo de controle de m\u00e9rito tende a depender de per\u00edcia t\u00e9cnica (musicol\u00f3gica ou liter\u00e1ria) e costuma ocorrer em fase mais avan\u00e7ada, ainda que o julgamento liminar de improced\u00eancia (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#:~:text=Art.%20332.%20Nas%20causas%20que%20dispensem%20a%20fase%20instrut%C3%B3ria%2C%20o%20juiz%2C%20independentemente%20da%20cita%C3%A7%C3%A3o%20do%20r%C3%A9u%2C%20julgar%C3%A1%20liminarmente%20improcedente%20o%20pedido%20que%20contrariar%3A\"><strong>art. 332 do CPC<\/strong><\/a>) possa, em tese, cumprir fun\u00e7\u00e3o semelhante em hip\u00f3teses de manifesta improced\u00eancia.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\">An\u00e1lise de opini\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Do ponto de vista de quem acompanha esse tipo de disputa, os dois casos ilustram um mesmo limite estrutural do direito autoral, aplicado a duas linguagens art\u00edsticas distintas: nem toda semelhan\u00e7a percept\u00edvel entre duas obras equivale a c\u00f3pia juridicamente relevante.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Um leitor mais cr\u00edtico poderia notar que esse padr\u00e3o decis\u00f3rio tende a favorecer, na pr\u00e1tica, os r\u00e9us com maior poder econ\u00f4mico e jur\u00eddico geralmente est\u00fadios e artistas j\u00e1 consagrados, uma vez que autores independentes como Marasco e Gray raramente disp\u00f5em de recursos para produzir, j\u00e1 na fase inicial do lit\u00edgio, a robustez probat\u00f3ria que a doutrina de &#8220;elementos n\u00e3o proteg\u00edveis&#8221; exige para afastar esse tipo de defesa.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Ainda assim, \u00e9 uma leitura defens\u00e1vel que esse mesmo padr\u00e3o, se abandonado, poderia produzir efeito oposto e igualmente problem\u00e1tico: tornar qualquer tema emocional recorrente, ou qualquer sequ\u00eancia musical simples, potencialmente monopoliz\u00e1vel por quem primeiro a registrar, com risco de paralisar a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica sob amea\u00e7a constante de lit\u00edgio.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio brasileiro, sustento que o pa\u00eds j\u00e1 disp\u00f5e, no plano material, de ferramentas conceituais equivalentes \u00e0s aplicadas nesses dois precedentes americanos.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">O que ainda me parece carente de maior desenvolvimento \u00e9 o aspecto processual, vale dizer: mecanismos mais previs\u00edveis de triagem preliminar de demandas de pl\u00e1gio musical e liter\u00e1rio, que evitem lit\u00edgios prolongados sobre elementos que, j\u00e1 em uma leitura inicial da peti\u00e7\u00e3o, revelam-se blocos de constru\u00e7\u00e3o comuns da respectiva tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<h3 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\">Fontes prim\u00e1rias consultadas<\/h3>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\">Ordem de arquivamento em Marasco v. Swift (Documento n\u00ba 78, ECF), courtlistener.com\/docket\/69690240\/78\/marasco-v-swift<br \/>\nAc\u00f3rd\u00e3o do Nono Circuito em Gray v. Hudson, 28 F.4th 87 (2022), courtlistener.com\/opinion\/6449849\/marcus-gray-v-katheryn-hudson<br \/>\nTexto integral da Lei 9.610\/98, planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Decisao-Taylor-Swift-gov.uscourts.flsd_.684880.78.0.pdf\">Decis\u00e3o Taylor Swift gov.uscourts.flsd.684880.78.0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marasco v. Swift e o precedente Dark Horse: o que protege e o que n\u00e3o protege o direito autoral na m\u00fasica e na poesia An\u00e1lise de decis\u00e3o, com base em fontes prim\u00e1rias Os fatos e a fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica O caso Marasco v. Swift julgado em 6 de julho de 2026, pela Ju\u00edza Aileen M. 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