{"id":9372,"date":"2026-06-14T23:00:03","date_gmt":"2026-06-15T02:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9372"},"modified":"2026-06-14T23:37:43","modified_gmt":"2026-06-15T02:37:43","slug":"rotulagem-conteudos-de-ia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/normas-internacionais\/rotulagem-conteudos-de-ia\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o Europeia define par\u00e2metros para rotulagem de conte\u00fados gerados por IA"},"content":{"rendered":"<h2>Uni\u00e3o Europeia avan\u00e7a na transpar\u00eancia da IA generativa com C\u00f3digo de Conduta sobre rotulagem de conte\u00fados sint\u00e9ticos<\/h2>\n<h3>Instrumento volunt\u00e1rio busca orientar fornecedores e usu\u00e1rios de sistemas de IA generativa na marca\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e rotulagem de deepfakes, textos sint\u00e9ticos e conte\u00fados manipulados em temas de interesse p\u00fablico<\/h3>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A Comiss\u00e3o Europeia publicou a vers\u00e3o final do <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Codigo-de-Boas-Praticas-Europeu-de-rotulagem-de-conteudo-sintetico.pdf\"><strong>C\u00f3digo de Conduta sobre Transpar\u00eancia de Conte\u00fados Gerados por Intelig\u00eancia Artificial<\/strong><\/a>, voltado \u00e0 marca\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e rotulagem de conte\u00fados produzidos ou manipulados por sistemas de IA generativa. O documento surge no contexto do <a href=\"https:\/\/digital-strategy.ec.europa.eu\/en\/policies\/contents-code-gpai\"><strong>Regulamento Europeu de Intelig\u00eancia Artificial, o AI Act<\/strong><\/a>, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia previstas no art. 50, cuja aplica\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para 2 de agosto de 2026.<\/p>\n<h3>C\u00f3digo europeu sobre IA generativa refor\u00e7a transpar\u00eancia contra deepfakes e desinforma\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo tem natureza volunt\u00e1ria, pois ele n\u00e3o cria, por si s\u00f3, novas obriga\u00e7\u00f5es legais aut\u00f4nomas, nem substitui o texto normativo do AI Act. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 mais pr\u00e1tica e regulat\u00f3ria: oferecer par\u00e2metros de conformidade, padroniza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para fornecedores e respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de IA generativa. Em outras palavras, trata-se de um instrumento de soft law regulat\u00f3ria, destinado a auxiliar a demonstra\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancia, boa-f\u00e9 regulat\u00f3ria, governan\u00e7a tecnol\u00f3gica e compromisso com a transpar\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A relev\u00e2ncia do tema decorre do avan\u00e7o acelerado da IA generativa e de sua capacidade de produzir textos, imagens, v\u00eddeos, vozes sint\u00e9ticas e conte\u00fados audiovisuais cada vez mais dif\u00edceis de distinguir de obras, manifesta\u00e7\u00f5es ou declara\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Essa transforma\u00e7\u00e3o amplia possibilidades criativas, educacionais, cient\u00edficas e econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m intensifica riscos associados \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, fraude, manipula\u00e7\u00e3o informacional, impersona\u00e7\u00e3o, deepfakes, viola\u00e7\u00e3o de direitos autorais, publicidade enganosa e eros\u00e3o da confian\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Por isso, a discuss\u00e3o sobre marca\u00e7\u00e3o e rotulagem de conte\u00fados sint\u00e9ticos n\u00e3o deve ser compreendida apenas como uma quest\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Trata-se de um problema jur\u00eddico de governan\u00e7a informacional, prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais, integridade democr\u00e1tica, dever de informa\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o do consumidor, responsabilidade regulat\u00f3ria e seguran\u00e7a jur\u00eddica. Em sociedades profundamente mediadas por plataformas digitais, a possibilidade de saber se determinado conte\u00fado foi produzido, alterado ou simulado por IA torna-se elemento essencial para a confian\u00e7a no ecossistema informacional.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o C\u00f3digo de Conduta europeu<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo de Conduta sobre Transpar\u00eancia de Conte\u00fados Gerados por IA foi elaborado no \u00e2mbito da estrat\u00e9gia europeia de implementa\u00e7\u00e3o do AI Act. Seu objetivo \u00e9 auxiliar os agentes econ\u00f4micos e institucionais envolvidos no desenvolvimento, disponibiliza\u00e7\u00e3o e uso de sistemas de IA generativa a cumprirem as obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia previstas no regulamento europeu.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O documento est\u00e1 voltado, de modo geral, para conte\u00fados de \u00e1udio, imagem, v\u00eddeo e texto gerados ou manipulados por IA. Sua l\u00f3gica central \u00e9 estabelecer um conjunto de medidas pr\u00e1ticas para que esses conte\u00fados possam ser tecnicamente marcados, detectados e, quando necess\u00e1rio, claramente rotulados ao p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A preocupa\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 evidente: sistemas de IA generativa podem produzir conte\u00fados sint\u00e9ticos em grande escala, dificultando a distin\u00e7\u00e3o entre manifesta\u00e7\u00f5es humanas e conte\u00fados artificialmente gerados ou manipulados.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A resposta regulat\u00f3ria proposta n\u00e3o consiste em proibir genericamente esses usos, mas em tornar sua presen\u00e7a identific\u00e1vel, rastre\u00e1vel e compreens\u00edvel.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo deve ser entendido como um instrumento de conformidade orientada. Ao aderir voluntariamente \u00e0s suas medidas, fornecedores e respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de IA podem demonstrar esfor\u00e7o de alinhamento \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es europeias de transpar\u00eancia. Essa ades\u00e3o, contudo, n\u00e3o deve ser confundida com uma presun\u00e7\u00e3o absoluta de conformidade integral ao AI Act. A demonstra\u00e7\u00e3o de cumprimento continuar\u00e1 dependendo da an\u00e1lise concreta das pr\u00e1ticas adotadas, da documenta\u00e7\u00e3o produzida, da efic\u00e1cia das solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e da compatibilidade com as obriga\u00e7\u00f5es legais aplic\u00e1veis.<\/p>\n<h2>Fornecedores de IA generativa: marca\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e detec\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sint\u00e9ticos<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A primeira parte do C\u00f3digo \u00e9 dirigida aos fornecedores de sistemas de IA generativa. Seu foco est\u00e1 na marca\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de conte\u00fados gerados ou manipulados por IA. Aqui, a preocupa\u00e7\u00e3o principal n\u00e3o \u00e9 apenas informar visualmente o usu\u00e1rio, mas criar mecanismos t\u00e9cnicos capazes de permitir a identifica\u00e7\u00e3o posterior da origem artificial do conte\u00fado.<\/p>\n<h3>Marca\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e rotulagem: o novo eixo europeu da governan\u00e7a da IA generativa<\/h3>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A marca\u00e7\u00e3o deve ocorrer em formato leg\u00edvel por m\u00e1quina, de modo que sistemas, plataformas, autoridades, pesquisadores, usu\u00e1rios qualificados e outros agentes possam detectar que determinado conte\u00fado foi gerado ou alterado por IA. O C\u00f3digo menciona solu\u00e7\u00f5es como metadados assinados digitalmente, marcas d\u2019\u00e1gua impercept\u00edveis e mecanismos de detec\u00e7\u00e3o associados.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os metadados assinados digitalmente podem registrar informa\u00e7\u00f5es sobre a origem do conte\u00fado, o sistema utilizado, o momento de gera\u00e7\u00e3o ou manipula\u00e7\u00e3o e outros elementos de proveni\u00eancia. A marca d\u2019\u00e1gua digital impercept\u00edvel, por sua vez, busca inserir no pr\u00f3prio conte\u00fado um sinal t\u00e9cnico que n\u00e3o seja vis\u00edvel ao usu\u00e1rio comum, mas que possa ser reconhecido por mecanismos de detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A l\u00f3gica adotada pelo C\u00f3digo n\u00e3o pressup\u00f5e que uma \u00fanica t\u00e9cnica seja suficiente para resolver o problema. Ao contr\u00e1rio, reconhece-se que a confiabilidade da marca\u00e7\u00e3o depende de abordagens combinadas, proporcionais e compat\u00edveis com o estado da arte.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A detec\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sint\u00e9ticos enfrenta limita\u00e7\u00f5es relevantes, como remo\u00e7\u00e3o de metadados, recompress\u00e3o de arquivos, capturas de tela, edi\u00e7\u00f5es posteriores, altera\u00e7\u00f5es adversariais, tradu\u00e7\u00f5es, par\u00e1frases e dificuldades espec\u00edficas em textos livres.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Por essa raz\u00e3o, o C\u00f3digo valoriza requisitos como efetividade, interoperabilidade, robustez e confiabilidade. Efetividade significa que a solu\u00e7\u00e3o deve ser capaz de cumprir sua finalidade de auxiliar a distin\u00e7\u00e3o entre conte\u00fado humano e conte\u00fado gerado ou manipulado por IA. Interoperabilidade indica a necessidade de funcionamento entre diferentes sistemas, plataformas e ambientes t\u00e9cnicos. Robustez refere-se \u00e0 resist\u00eancia da marca\u00e7\u00e3o diante de altera\u00e7\u00f5es comuns ou tentativas de remo\u00e7\u00e3o. Confiabilidade exige que os mecanismos de detec\u00e7\u00e3o apresentem resultados tecnicamente consistentes, reduzindo riscos de falsos positivos e falsos negativos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Al\u00e9m das solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, o C\u00f3digo enfatiza a necessidade de documenta\u00e7\u00e3o, testes, verifica\u00e7\u00e3o, monitoramento e atualiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. A conformidade regulat\u00f3ria, nesse modelo, n\u00e3o se resume a uma declara\u00e7\u00e3o formal. Ela exige processos internos, registros, avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de desempenho, coopera\u00e7\u00e3o com autoridades competentes e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de dados, \u00e0 privacidade, \u00e0 seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 confidencialidade e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de segredos comerciais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Esse ponto \u00e9 especialmente relevante porque a transpar\u00eancia n\u00e3o pode ser implementada de modo a comprometer outros direitos. Mecanismos de detec\u00e7\u00e3o que exijam envio de conte\u00fado a servi\u00e7os externos, por exemplo, devem respeitar princ\u00edpios de minimiza\u00e7\u00e3o de dados, seguran\u00e7a, finalidade, confidencialidade e reten\u00e7\u00e3o limitada. A marca\u00e7\u00e3o de conte\u00fados por IA deve ser compat\u00edvel com a prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais e com a seguran\u00e7a dos sistemas.<\/p>\n<h2>Respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o: rotulagem clara, revis\u00e3o humana e controle editorial<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A segunda parte do C\u00f3digo \u00e9 voltada aos respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o ou uso de sistemas de IA generativa. Diferentemente da primeira se\u00e7\u00e3o, que trata da marca\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, essa parte concentra-se na rotulagem clara de determinados conte\u00fados perante o p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O foco est\u00e1 especialmente em deepfakes e textos gerados ou manipulados por IA quando publicados para informar o p\u00fablico sobre quest\u00f5es de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nesses casos, o desafio jur\u00eddico n\u00e3o \u00e9 apenas permitir que uma m\u00e1quina detecte a origem artificial do conte\u00fado, mas garantir que as pessoas expostas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o compreendam que ela foi gerada ou alterada por intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A rotulagem deve ser clara, distingu\u00edvel, acess\u00edvel e compreens\u00edvel. Isso significa que o aviso ao usu\u00e1rio n\u00e3o deve ser oculto, amb\u00edguo ou excessivamente t\u00e9cnico. A informa\u00e7\u00e3o deve ser apresentada de modo compat\u00edvel com a finalidade comunicacional do conte\u00fado e com o risco de indu\u00e7\u00e3o do p\u00fablico a erro.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo tamb\u00e9m valoriza a revis\u00e3o humana e o controle editorial, nesse aspecto \u00e9 fundamental para diferenciar o uso meramente auxiliar da IA , vale dizer, como apoio \u00e0 revis\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es ou edi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, tudo para deixar claro o processo da gera\u00e7\u00e3o substancial de conte\u00fado destinado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Assim, h\u00e1 que se concluir que nem todo uso de IA exigir\u00e1 necessariamente uma rotulagem ampla e ostensiva.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A an\u00e1lise deve considerar o tipo de conte\u00fado, sua finalidade, o grau de manipula\u00e7\u00e3o, o risco concreto de engano e o contexto de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Em ambientes jornal\u00edsticos, eleitorais, educacionais, publicit\u00e1rios e institucionais, essa distin\u00e7\u00e3o se torna particularmente sens\u00edvel. Um texto revisado com aux\u00edlio de IA n\u00e3o apresenta o mesmo risco que um v\u00eddeo sint\u00e9tico simulando a fala de uma autoridade p\u00fablica. Da mesma forma, uma imagem art\u00edstica assumidamente fict\u00edcia n\u00e3o deve ser tratada do mesmo modo que uma montagem hiper-realista usada para manipular um debate eleitoral ou uma decis\u00e3o de consumo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo, portanto, aponta para a necessidade de processos internos de conformidade. Empresas, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, universidades e plataformas digitais que utilizam IA generativa deveriam desenvolver pol\u00edticas internas sobre quando informar o uso de IA, como revisar conte\u00fados sint\u00e9ticos, quem responde pelo controle editorial, quais registros devem ser preservados e como lidar com pedidos de corre\u00e7\u00e3o, contesta\u00e7\u00e3o ou remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Marca\u00e7\u00e3o e rotulagem: duas dimens\u00f5es complementares da transpar\u00eancia<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Um dos m\u00e9ritos conceituais do C\u00f3digo \u00e9 permitir a distin\u00e7\u00e3o entre marca\u00e7\u00e3o e rotulagem. Embora os termos sejam pr\u00f3ximos, eles cumprem fun\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e t\u00e9cnicas distintas.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A marca\u00e7\u00e3o \u00e9 um mecanismo t\u00e9cnico, leg\u00edvel por m\u00e1quina, voltado \u00e0 rastreabilidade, detec\u00e7\u00e3o, proveni\u00eancia e interoperabilidade. Pode envolver metadados, assinatura digital, marca d\u2019\u00e1gua impercept\u00edvel, registros de gera\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es de proveni\u00eancia e mecanismos de verifica\u00e7\u00e3o. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir que sistemas t\u00e9cnicos identifiquem se um conte\u00fado foi gerado ou manipulado por IA.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A rotulagem, por outro lado, \u00e9 percept\u00edvel ao usu\u00e1rio, por se tratar de uma informa\u00e7\u00e3o comunicada diretamente \u00e0s pessoas expostas ao conte\u00fado. Sua finalidade \u00e9 assegurar transpar\u00eancia p\u00fablica, clareza informacional, preven\u00e7\u00e3o do engano e respeito ao dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">As duas dimens\u00f5es s\u00e3o complementares, a saber:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A marca\u00e7\u00e3o permite rastreabilidade e detec\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, pois sem marca\u00e7\u00e3o, torna-se mais dif\u00edcil verificar a origem de conte\u00fados que circulam em larga escala.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A rotulagem permite compreens\u00e3o social, pois sem rotulagem, a informa\u00e7\u00e3o permanece inacess\u00edvel ao destinat\u00e1rio comum, ainda que tecnicamente detect\u00e1vel por sistemas especializados.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante para evitar solu\u00e7\u00f5es simplistas, na medida em que a mera inser\u00e7\u00e3o de um aviso visual pode ser insuficiente se n\u00e3o houver mecanismos de proveni\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Da mesma forma, uma marca\u00e7\u00e3o invis\u00edvel ao usu\u00e1rio pode n\u00e3o cumprir adequadamente a fun\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia p\u00fablica quando o conte\u00fado apresenta risco de engano ou manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Impactos jur\u00eddicos para plataformas, empresas, comunica\u00e7\u00e3o e setor p\u00fablico<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo europeu sinaliza uma tend\u00eancia de deslocamento da autorregula\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica para modelos mais concretos de governan\u00e7a, documenta\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e transpar\u00eancia verific\u00e1vel. Isso pode impactar diferentes setores.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para plataformas digitais, a quest\u00e3o central envolve a preserva\u00e7\u00e3o de metadados, a interoperabilidade de sistemas de detec\u00e7\u00e3o, a clareza de avisos aos usu\u00e1rios e a coopera\u00e7\u00e3o com agentes p\u00fablicos, pesquisadores, verificadores e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Plataformas que hospedam, distribuem ou recomendam conte\u00fados gerados por IA poder\u00e3o ser cada vez mais pressionadas a adotar pr\u00e1ticas transparentes de identifica\u00e7\u00e3o e contextualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, o C\u00f3digo refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pol\u00edticas editoriais sobre o uso de IA.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Por tanto as reda\u00e7\u00f5es que utilizam ferramentas generativas para apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado precisar\u00e3o distinguir usos instrumentais de usos substanciais.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A transpar\u00eancia deve ser proporcional ao risco de confus\u00e3o do p\u00fablico e ao grau de participa\u00e7\u00e3o da IA na produ\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<h3>Conte\u00fados sint\u00e9ticos e responsabilidade regulat\u00f3ria: a resposta europeia \u00e0 IA opaca<\/h3>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Empresas que utilizam IA em marketing, publicidade, atendimento ao consumidor e comunica\u00e7\u00e3o institucional tamb\u00e9m s\u00e3o diretamente afetadas pela l\u00f3gica do dever de informa\u00e7\u00e3o. Chatbots, avatares sint\u00e9ticos, vozes artificiais e imagens hiper-realistas podem ser \u00fateis e leg\u00edtimos, mas sua utiliza\u00e7\u00e3o deve evitar a indu\u00e7\u00e3o do consumidor a erro. A transpar\u00eancia algor\u00edtmica, nesse contexto, aproxima-se da prote\u00e7\u00e3o do consumidor e da boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No setor p\u00fablico, a ado\u00e7\u00e3o de IA generativa em canais de atendimento, campanhas informativas, educa\u00e7\u00e3o digital ou comunica\u00e7\u00e3o institucional exige cautela adicional. O cidad\u00e3o deve saber quando interage com sistemas automatizados e quando determinado conte\u00fado institucional foi substancialmente produzido ou manipulado por IA, especialmente em temas sens\u00edveis ou de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa tamb\u00e9m podem se beneficiar de par\u00e2metros de transpar\u00eancia. A marca\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sint\u00e9ticos, o registro de proveni\u00eancia e a documenta\u00e7\u00e3o de uso de IA podem contribuir para integridade acad\u00eamica, autoria, reprodutibilidade de pesquisas e combate a fraudes.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para produtores audiovisuais, criadores e titulares de direitos autorais, o C\u00f3digo abre uma agenda relevante sobre rastreabilidade, licenciamento, autoria, titularidade e preserva\u00e7\u00e3o de metadados. A identifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da origem de conte\u00fados pode ser \u00fatil tanto para proteger criadores humanos quanto para esclarecer a participa\u00e7\u00e3o de sistemas automatizados na cadeia criativa.<\/p>\n<h2>Relev\u00e2ncia para o Brasil: adapta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importa\u00e7\u00e3o acr\u00edtica<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A experi\u00eancia europeia pode servir como refer\u00eancia importante para o Brasil, mas n\u00e3o deve ser importada de forma acr\u00edtica. O contexto constitucional, institucional, regulat\u00f3rio e tecnol\u00f3gico brasileiro exige solu\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, compat\u00edveis com a liberdade de express\u00e3o, a liberdade de imprensa, a liberdade art\u00edstica, a prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais, a defesa do consumidor, a integridade eleitoral, os direitos autorais, a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<h3>Transpar\u00eancia da IA generativa: o que o novo C\u00f3digo europeu pode ensinar ao Brasil<\/h3>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No Brasil, o C\u00f3digo europeu poderia inspirar o debate sobre deveres proporcionais de transpar\u00eancia para conte\u00fados sint\u00e9ticos. Essa inspira\u00e7\u00e3o, contudo, deve ser tratada como possibilidade regulat\u00f3ria ou boa pr\u00e1tica, e n\u00e3o como obriga\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente de modo geral no ordenamento brasileiro.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Entre os pontos que poderiam ser adaptados \u00e0 realidade brasileira est\u00e3o a rotulagem de deepfakes em contextos eleitorais, jornal\u00edsticos, publicit\u00e1rios e institucionais; a informa\u00e7\u00e3o clara ao usu\u00e1rio quando interage com chatbots ou sistemas automatizados; a cria\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es t\u00e9cnicos de marca\u00e7\u00e3o e metadados; o est\u00edmulo \u00e0 interoperabilidade entre plataformas; o desenvolvimento de mecanismos de proveni\u00eancia de conte\u00fado; e a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas internas de governan\u00e7a de IA por empresas, universidades, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Esses temas podem dialogar com a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\"><strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong><\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2018\/lei\/l13709.htm\"><strong>Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados<\/strong><\/a>, o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm\"><strong>Marco Civil da Internet<\/strong><\/a>, o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm\"><strong>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/strong><\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9504.htm\"><strong>legisla\u00e7\u00e3o eleitoral<\/strong><\/a>, a<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm\"><strong> Lei de Direitos Autorais<\/strong> <\/a>e eventual marco legal brasileiro de intelig\u00eancia artificial que est\u00e1 em tramite legislativo no congresso nacional. Esse di\u00e1logo, por\u00e9m, n\u00e3o deve ser confundido com integra\u00e7\u00e3o normativa autom\u00e1tica. Cada campo jur\u00eddico possui finalidades, princ\u00edpios e limites pr\u00f3prios.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Na prote\u00e7\u00e3o de dados, a preocupa\u00e7\u00e3o recai sobre transpar\u00eancia, finalidade, minimiza\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e direitos dos titulares.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No direito do consumidor, o eixo est\u00e1 no dever de informa\u00e7\u00e3o, na preven\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas enganosas e na boa-f\u00e9.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No direito eleitoral, o foco \u00e9 a integridade do processo democr\u00e1tico e a preven\u00e7\u00e3o de manipula\u00e7\u00f5es informacionais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No direito autoral, a discuss\u00e3o envolve autoria, titularidade, originalidade, obras derivadas, licenciamento e responsabiliza\u00e7\u00e3o por usos n\u00e3o autorizados.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O desafio brasileiro ser\u00e1 construir um modelo que preserve a liberdade de express\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o, sem deixar a sociedade vulner\u00e1vel a pr\u00e1ticas de engano, fraude, manipula\u00e7\u00e3o ou desinforma\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<h2>Propriedade intelectual: autoria, proveni\u00eancia e gest\u00e3o de direitos<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No campo da propriedade intelectual, a marca\u00e7\u00e3o de conte\u00fados gerados ou manipulados por IA pode produzir efeitos relevantes. Metadados, registros de proveni\u00eancia e mecanismos de detec\u00e7\u00e3o podem auxiliar na prova de cria\u00e7\u00e3o, na identifica\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es, na rastreabilidade de obras derivadas e na gest\u00e3o de direitos autorais.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A preserva\u00e7\u00e3o de metadados autorais j\u00e1 \u00e9 tema importante no ambiente digital. Com a IA generativa, essa relev\u00e2ncia aumenta. Conte\u00fados podem ser gerados, transformados, remixados, adaptados e redistribu\u00eddos em m\u00faltiplas plataformas, muitas vezes com perda de informa\u00e7\u00f5es sobre origem, autoria, titularidade e cadeia de licenciamento. Sistemas de marca\u00e7\u00e3o e proveni\u00eancia podem contribuir para reduzir essa opacidade.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Isso n\u00e3o significa, contudo, que a rotulagem de um conte\u00fado como gerado ou manipulado por IA resolva automaticamente a quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o autoral. A identifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sint\u00e9tico n\u00e3o determina, por si s\u00f3, se h\u00e1 ou n\u00e3o obra protegida, quem \u00e9 o autor, quem \u00e9 o titular ou se houve infra\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise depender\u00e1 do grau de interven\u00e7\u00e3o humana, da originalidade, do uso de obras preexistentes, do regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel, dos contratos envolvidos e das provas dispon\u00edveis.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A transpar\u00eancia t\u00e9cnica pode contribuir para a remunera\u00e7\u00e3o, o licenciamento e a responsabiliza\u00e7\u00e3o no ambiente digital, mas n\u00e3o substitui a an\u00e1lise jur\u00eddica. Ela fornece ind\u00edcios, registros e elementos de rastreabilidade. A qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica desses elementos continuar\u00e1 dependendo dos crit\u00e9rios do direito autoral, da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e da interpreta\u00e7\u00e3o dos tribunais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nesse sentido, o C\u00f3digo europeu pode estimular uma agenda mais ampla: a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas de confian\u00e7a para a circula\u00e7\u00e3o de obras, conte\u00fados e dados na sociedade informacional. A marca\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sint\u00e9tico pode se articular com sistemas de gest\u00e3o coletiva, licenciamento automatizado, identifica\u00e7\u00e3o de obras derivadas e preserva\u00e7\u00e3o da integridade informacional das cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Elei\u00e7\u00f5es, deepfakes e desinforma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os riscos associados \u00e0 IA generativa tornam-se particularmente sens\u00edveis em contextos eleitorais. Deepfakes, vozes sint\u00e9ticas, imagens manipuladas e textos automatizados podem ser utilizados para simular declara\u00e7\u00f5es, atribuir falsamente condutas a candidatos, confundir eleitores, manipular debates p\u00fablicos ou produzir desinforma\u00e7\u00e3o em escala.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A rotulagem clara pode reduzir o risco de engano, mas n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o \u00fanica. A transpar\u00eancia deve ser combinada com educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, responsabiliza\u00e7\u00e3o adequada, preserva\u00e7\u00e3o de provas, transpar\u00eancia de impulsionamento, coopera\u00e7\u00e3o com plataformas e atua\u00e7\u00e3o institucional proporcional. A identifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sint\u00e9tico \u00e9 uma camada de prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma resposta completa ao problema da desinforma\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">No Brasil, o modelo europeu pode dialogar com a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral e com normas do Tribunal Superior Eleitoral sobre propaganda, desinforma\u00e7\u00e3o e uso de IA, desde que essa aproxima\u00e7\u00e3o seja feita com rigor. N\u00e3o se deve afirmar que o C\u00f3digo europeu cria obriga\u00e7\u00f5es no Brasil. O que se pode sustentar \u00e9 que ele oferece uma refer\u00eancia regulat\u00f3ria \u00fatil para pensar padr\u00f5es de transpar\u00eancia em conte\u00fados sint\u00e9ticos de alto risco democr\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A prote\u00e7\u00e3o da integridade eleitoral exige equil\u00edbrio. O combate \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o informacional n\u00e3o pode converter-se em censura ou restri\u00e7\u00e3o indevida da cr\u00edtica pol\u00edtica, da s\u00e1tira, da par\u00f3dia e da liberdade de express\u00e3o. Ao mesmo tempo, a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o deve ser usada como escudo para fraudes informacionais que simulam fatos, vozes ou imagens com potencial de enganar o eleitorado.<\/p>\n<h2>Comunica\u00e7\u00e3o institucional e jornalismo<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A comunica\u00e7\u00e3o institucional e o jornalismo tamb\u00e9m ser\u00e3o impactados pela agenda de transpar\u00eancia da IA. O uso de sistemas generativos em reda\u00e7\u00f5es, assessorias de imprensa, universidades, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas exige crit\u00e9rios editoriais claros.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nem todo uso de IA precisa ser informado ao p\u00fablico de forma ostensiva. Ferramentas auxiliares de revis\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o de dados, transcri\u00e7\u00e3o ou apoio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o podem n\u00e3o gerar o mesmo risco de engano que a produ\u00e7\u00e3o substancial de um texto, imagem, \u00e1udio ou v\u00eddeo sint\u00e9tico. A an\u00e1lise deve considerar a relev\u00e2ncia da interven\u00e7\u00e3o da IA no resultado final e o potencial de indu\u00e7\u00e3o do p\u00fablico a erro.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O dever de transpar\u00eancia tende a ser mais intenso quando houver gera\u00e7\u00e3o substancial de conte\u00fado, manipula\u00e7\u00e3o relevante de imagem, \u00e1udio ou v\u00eddeo, simula\u00e7\u00e3o de pessoas reais, produ\u00e7\u00e3o automatizada de textos sobre temas de interesse p\u00fablico ou utiliza\u00e7\u00e3o de avatares e vozes sint\u00e9ticas em comunica\u00e7\u00e3o dirigida ao p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e assessorias institucionais poderiam adotar pol\u00edticas editoriais internas sobre o uso de IA, definindo crit\u00e9rios para revis\u00e3o humana, controle editorial, registro de ferramentas utilizadas, preserva\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es, rotulagem de conte\u00fados sint\u00e9ticos e resposta a contesta\u00e7\u00f5es. A transpar\u00eancia, nesse campo, deve fortalecer a credibilidade da informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o inviabilizar a inova\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas comunicacionais.<\/p>\n<h2>Uma an\u00e1lise cr\u00edtica: transpar\u00eancia n\u00e3o \u00e9 censura<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo europeu traz uma contribui\u00e7\u00e3o relevante ao tratar a transpar\u00eancia como elemento estruturante da governan\u00e7a de IA. No entanto, sua implementa\u00e7\u00e3o enfrenta limites t\u00e9cnicos, jur\u00eddicos e institucionais.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">As marcas d\u2019\u00e1gua e metadados podem ser removidos, alterados ou perdidos em processos de edi\u00e7\u00e3o, compress\u00e3o, convers\u00e3o de formato e circula\u00e7\u00e3o em redes sociais. Sistemas de detec\u00e7\u00e3o podem produzir falsos positivos e falsos negativos. Textos livres apresentam desafios espec\u00edficos, pois podem ser reescritos, traduzidos, resumidos ou modificados de modo a reduzir a efic\u00e1cia de mecanismos de identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A interoperabilidade tamb\u00e9m \u00e9 um problema relevante. Para que a marca\u00e7\u00e3o seja efetiva, diferentes plataformas, sistemas, fornecedores e ferramentas precisam reconhecer padr\u00f5es comuns ou compat\u00edveis. Sem padroniza\u00e7\u00e3o m\u00ednima, o ecossistema pode se fragmentar em solu\u00e7\u00f5es fechadas e pouco \u00fateis para usu\u00e1rios, autoridades, pesquisadores e criadores.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Outro ponto sens\u00edvel \u00e9 a proporcionalidade, visto que, as pequenas e m\u00e9dias empresas, startups, ve\u00edculos independentes, universidades e projetos culturais n\u00e3o possuem a mesma capacidade t\u00e9cnica e financeira das grandes plataformas. Qualquer modelo regulat\u00f3rio inspirado na experi\u00eancia europeia deve considerar custos de implementa\u00e7\u00e3o, risco regulat\u00f3rio e necessidade de n\u00e3o sufocar inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Tamb\u00e9m \u00e9 essencial evitar que a transpar\u00eancia seja convertida em censura. Rotular conte\u00fado sint\u00e9tico n\u00e3o deve significar proibir automaticamente sua circula\u00e7\u00e3o. H\u00e1 usos leg\u00edtimos da IA em arte, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, jornalismo, acessibilidade, s\u00e1tira, par\u00f3dia, preserva\u00e7\u00e3o cultural e inova\u00e7\u00e3o audiovisual. O objetivo deve ser impedir o engano relevante, n\u00e3o restringir a criatividade.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A transpar\u00eancia, portanto, deve operar como instrumento de confian\u00e7a, e n\u00e3o como mecanismo de controle indevido da express\u00e3o leg\u00edtima.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o: da IA opaca \u00e0 IA identific\u00e1vel e socialmente respons\u00e1vel<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O C\u00f3digo de Conduta europeu sobre marca\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e rotulagem de conte\u00fados gerados por IA inaugura uma agenda regulat\u00f3ria relevante: a passagem de uma IA opaca para uma IA identific\u00e1vel, audit\u00e1vel e socialmente respons\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Ao organizar obriga\u00e7\u00f5es e boas pr\u00e1ticas ao longo da cadeia de valor da IA generativa, o documento reconhece que a integridade informacional depende tanto de solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas quanto de responsabilidades institucionais. Fornecedores devem desenvolver mecanismos de marca\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o; respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o devem informar adequadamente o p\u00fablico quando o uso de IA puder gerar risco de engano; plataformas, ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos devem adotar pol\u00edticas de governan\u00e7a compat\u00edveis com seus contextos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para o Brasil, a experi\u00eancia europeia deve ser vista como laborat\u00f3rio normativo, n\u00e3o como modelo a ser copiado automaticamente. O pa\u00eds pode extrair li\u00e7\u00f5es importantes sobre transpar\u00eancia algor\u00edtmica, conte\u00fado sint\u00e9tico, deepfakes, metadados, proveni\u00eancia, interoperabilidade, prote\u00e7\u00e3o do consumidor, direito autoral, desinforma\u00e7\u00e3o eleitoral e governan\u00e7a de IA.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 apenas saber se um conte\u00fado foi produzido por uma m\u00e1quina. \u00c9 garantir que cidad\u00e3os, consumidores, eleitores, criadores, pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es possam confiar minimamente no ambiente informacional em que vivem. Na sociedade informacional, a transpar\u00eancia sobre a origem dos conte\u00fados torna-se uma condi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para a prote\u00e7\u00e3o da liberdade, da democracia, da inova\u00e7\u00e3o e dos direitos fundamentais.<\/p>\n<p>Para ter acesso gratuitamente ao teor do <strong>C\u00f3digo de Conduta sobre Transpar\u00eancia de Conte\u00fados Gerados por Intelig\u00eancia Artificial :\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Codigo-de-Boas-Praticas-Europeu-de-rotulagem-de-conteudo-sintetico.pdf\">C\u00f3digo de Boas Pr\u00e1ticas Europeu de rotulagem de conte\u00fado sint\u00e9tico<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uni\u00e3o Europeia avan\u00e7a na transpar\u00eancia da IA generativa com C\u00f3digo de Conduta sobre rotulagem de conte\u00fados sint\u00e9ticos Instrumento volunt\u00e1rio busca orientar fornecedores e usu\u00e1rios de sistemas de IA generativa na marca\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e rotulagem de deepfakes, textos sint\u00e9ticos e conte\u00fados manipulados em temas de interesse p\u00fablico A Comiss\u00e3o Europeia publicou a vers\u00e3o final do C\u00f3digo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":9375,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[294,45],"class_list":["post-9372","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-normas-internacionais","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/comments?post=9372"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/9372\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media\/9375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media?parent=9372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/categories?post=9372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}