{"id":9330,"date":"2026-05-09T22:46:56","date_gmt":"2026-05-10T01:46:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ioda.org.br\/?p=9330"},"modified":"2026-05-09T23:46:04","modified_gmt":"2026-05-10T02:46:04","slug":"pirataria-digital-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/pirataria-digital-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Pirataria digital: Suprema Corte dos EUA exige prova de inten\u00e7\u00e3o para responsabilizar provedores"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"46\" data-end=\"135\"><strong data-start=\"46\" data-end=\"135\">Suprema Corte dos EUA limita responsabilidade de provedores por pirataria de usu\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"137\" data-end=\"655\">A <a href=\"https:\/\/www.supremecourt.gov\/visiting\/visiting.aspx\"><strong>Suprema Corte dos Estados Unidos<\/strong> <\/a>restringiu a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o de provedores de internet por viola\u00e7\u00f5es de direitos autorais praticadas por seus assinantes.<\/p>\n<p data-start=\"137\" data-end=\"655\">Ao remeter o caso <a href=\"https:\/\/law.justia.com\/cases\/federal\/appellate-courts\/ca5\/23-50162\/23-50162-2024-10-09.html\"><strong data-start=\"331\" data-end=\"374\">Grande Communications v. UMG Recordings<\/strong><\/a> para novo exame \u00e0 luz do precedente firmado em <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cox_Communications,_Inc._v._Sony_Music_Entertainment\"><strong data-start=\"422\" data-end=\"472\">Cox Communications v. Sony Music Entertainment<\/strong><\/a>, a Corte reafirmou que o simples conhecimento de infra\u00e7\u00f5es cometidas por usu\u00e1rios n\u00e3o basta, por si s\u00f3, para impor responsabilidade ao provedor.<\/p>\n<p data-start=\"657\" data-end=\"1032\">Segundo o entendimento adotado, a responsabilidade contributiva em mat\u00e9ria de copyright exige a demonstra\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do provedor em estimular ou facilitar a viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"657\" data-end=\"1032\">Essa inten\u00e7\u00e3o pode ser comprovada quando o servi\u00e7o \u00e9 oferecido com o prop\u00f3sito de induzir a pr\u00e1tica infratora ou quando foi concebido especialmente para permitir viola\u00e7\u00f5es de direitos autorais.<\/p>\n<h2>Provedores de internet n\u00e3o respondem automaticamente por viola\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios, decide Suprema Corte dos EUA<\/h2>\n<p data-start=\"1034\" data-end=\"1438\">No caso da Cox, a Suprema Corte destacou que provedores de internet oferecem servi\u00e7os de uso geral, com in\u00fameras finalidades l\u00edcitas, e possuem controle limitado sobre a conduta individual de seus assinantes.<\/p>\n<p data-start=\"1034\" data-end=\"1438\">O fato de uma empresa receber notifica\u00e7\u00f5es sobre poss\u00edveis infra\u00e7\u00f5es vinculadas a determinados endere\u00e7os de IP n\u00e3o significa, automaticamente, que ela tenha induzido ou participado das viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"1440\" data-end=\"1816\">A Corte tamb\u00e9m diferenciou essa situa\u00e7\u00e3o de precedentes como <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MGM_Studios,_Inc._v._Grokster,_Ltd.\"><strong data-start=\"1501\" data-end=\"1520\">MGM v. Grokster<\/strong><\/a>, em que empresas foram responsabilizadas por distribuir e promover ferramentas voltadas ao compartilhamento il\u00edcito de obras protegidas. J\u00e1 no caso dos servi\u00e7os de internet, a exist\u00eancia de usos substancialmente l\u00edcitos impede que se presuma responsabilidade apenas pelo fornecimento da conex\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"1818\" data-end=\"2261\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Com isso, foram afastadas decis\u00f5es anteriores que haviam admitido a responsabiliza\u00e7\u00e3o das provedoras com base no argumento de que elas continuaram prestando servi\u00e7o a usu\u00e1rios associados a infra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"1818\" data-end=\"2261\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">A decis\u00e3o refor\u00e7a que a Lei de Copyright dos Estados Unidos n\u00e3o imp\u00f5e, de forma autom\u00e1tica, responsabilidade por atos praticados por terceiros, salvo quando houver conduta ativa, inten\u00e7\u00e3o de indu\u00e7\u00e3o ou participa\u00e7\u00e3o efetiva na viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 data-start=\"0\" data-end=\"44\">Paralelo com a jurisprud\u00eancia brasileira<\/h2>\n<p data-start=\"46\" data-end=\"888\">A decis\u00e3o da Suprema Corte dos Estados Unidos apresenta ponto de contato com a jurisprud\u00eancia brasileira ao afastar a responsabiliza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dos intermedi\u00e1rios digitais por atos praticados por terceiros.<\/p>\n<p data-start=\"46\" data-end=\"888\">No Brasil, o <strong data-start=\"269\" data-end=\"296\">Marco Civil da Internet<\/strong> adotou l\u00f3gica semelhante ao distinguir a atua\u00e7\u00e3o dos provedores de conex\u00e3o e dos provedores de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"46\" data-end=\"888\">Em regra, o provedor de conex\u00e3o n\u00e3o responde civilmente por conte\u00fado gerado por terceiros, enquanto o provedor de aplica\u00e7\u00e3o somente poderia ser responsabilizado, tradicionalmente, se deixasse de cumprir ordem judicial espec\u00edfica de remo\u00e7\u00e3o, nos termos do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm#:~:text=Art.%2019.%20Com,legais%20em%20contr%C3%A1rio.\"><strong>art. 19 da Lei n\u00ba 12.965\/2014.<\/strong><\/a><\/p>\n<h2 data-start=\"46\" data-end=\"888\">Decis\u00e3o norte-americana aproxima debate sobre provedores da jurisprud\u00eancia brasileira<\/h2>\n<p data-start=\"46\" data-end=\"888\">O <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Inicio\"><strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ)<\/strong><\/a> consolidou por anos esse entendimento, exigindo ordem judicial espec\u00edfica para a responsabiliza\u00e7\u00e3o do provedor de aplica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a vig\u00eancia do Marco Civil.<\/p>\n<p data-start=\"890\" data-end=\"1722\">Contudo, a compara\u00e7\u00e3o exige cautela. A decis\u00e3o norte-americana discutiu especialmente a <strong data-start=\"978\" data-end=\"1037\">responsabilidade contributiva por viola\u00e7\u00e3o de copyright<\/strong>, exigindo inten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de induzir ou facilitar a infra\u00e7\u00e3o, conforme sintetizado no material analisado.<\/p>\n<p data-start=\"890\" data-end=\"1722\">J\u00e1 no Brasil, a discuss\u00e3o costuma ser estruturada a partir da responsabilidade civil de intermedi\u00e1rios digitais, do dever de remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado e dos limites t\u00e9cnicos de atua\u00e7\u00e3o das plataformas.<\/p>\n<h2 data-start=\"890\" data-end=\"1722\">Estados Unidos e Brasil diante da pirataria digital: limites da responsabilidade dos intermedi\u00e1rios na internet<\/h2>\n<p data-start=\"890\" data-end=\"1722\">Al\u00e9m disso, o <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/\"><strong>Supremo Tribunal Federal (STF)<\/strong><\/a> passou a reexaminar a constitucionalidade e o alcance do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm#:~:text=Art.%2019.%20Com,legais%20em%20contr%C3%A1rio.\"><strong>art. 19 do Marco Civil<\/strong><\/a> no <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=5160549&amp;numeroProcesso=1037396&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=987\"><strong>Tema 987,<\/strong> <\/a>o que indica uma tend\u00eancia de maior sofistica\u00e7\u00e3o do regime brasileiro de responsabilidade das plataformas, especialmente em hip\u00f3teses de danos graves, conte\u00fados il\u00edcitos e deveres de cuidado.<\/p>\n<p data-start=\"1724\" data-end=\"2351\">Assim, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, a tend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 impor responsabilidade objetiva e autom\u00e1tica aos intermedi\u00e1rios pelo simples uso il\u00edcito de seus servi\u00e7os por terceiros.<\/p>\n<p data-start=\"1724\" data-end=\"2351\">O ponto central est\u00e1 em verificar se houve conduta pr\u00f3pria do provedor: indu\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, omiss\u00e3o qualificada, descumprimento de dever legal ou judicial, ou benef\u00edcio econ\u00f4mico diretamente associado \u00e0 pr\u00e1tica il\u00edcita.<\/p>\n<p data-start=\"1724\" data-end=\"2351\">No campo dos direitos autorais, esse paralelo refor\u00e7a a necessidade de distinguir o fornecimento neutro de infraestrutura digital da atua\u00e7\u00e3o ativa voltada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o, facilita\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suprema Corte dos EUA limita responsabilidade de provedores por pirataria de usu\u00e1rios A Suprema Corte dos Estados Unidos restringiu a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o de provedores de internet por viola\u00e7\u00f5es de direitos autorais praticadas por seus assinantes. 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