{"id":8946,"date":"2025-06-30T18:21:37","date_gmt":"2025-06-30T21:21:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ioda.org.br\/?p=8946"},"modified":"2025-06-30T22:17:13","modified_gmt":"2025-07-01T01:17:13","slug":"casos-praticos-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/noticias\/casos-praticos-stf\/","title":{"rendered":"Casos pr\u00e1ticos de responsabilidade das Plataformas Digitas ap\u00f3s a decis\u00e3o do STF."},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/noticias.stf.jus.br\/postsnoticias\/stf-define-parametros-para-responsabilizacao-de-plataformas-por-conteudos-de-terceiros\/\"><strong>Supremo Tribunal Federal<\/strong><\/a> (STF), ao analisar a responsabilidade das plataformas digitais sobre conte\u00fados de terceiros, promoveu uma evolu\u00e7\u00e3o significativa na adequa\u00e7\u00e3o do Marco Civil da Internet aos desafios contempor\u00e2neos, conciliando prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais e seguran\u00e7a jur\u00eddica. No autos do Recurso Extraordin\u00e1rio\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5160549\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5160549\">(RE) 1037396<\/a>\u00a0<\/strong>(Tema 987 da repercuss\u00e3o geral), relatado pelo ministro Dias Toffoli, e no\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5217273\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5217273\">RE 1057258<\/a><\/strong>\u00a0(Temas 533), relatado pelo ministro Luiz Fux.<\/p>\n<p>Alguns esclarecimentos preliminares s\u00e3o necess\u00e1rios a presente analise parte do pressuposto de que as Plataformas Digitais desenvolvem uma atividade economica que est\u00e1 sujeita ao <strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#:~:text=170.%20A%20ordem%20econ%C3%B4mica%2C%20fundada%20na%20valoriza%C3%A7%C3%A3o%20do%20trabalho%20humano%20e%20na%20livre%20iniciativa%2C%20tem%20por\">artigo 170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>,<\/strong> bem como, na medida que sua atividade se desenvolva em territ\u00f3rio brasileiro se sujeita tamb\u00e9m ao <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm#:~:text=Art.%2011.%20Em,e%20dos%20registros.\"><strong>artigo 11 do Marco Civil da Internet<\/strong><\/a>. Assim, com estes parametros iniciais de an\u00e1lise que devem ser de plano esclarecidos, passa-se a abordar quest\u00f5es de casos pr\u00e1ticos de responsabilidade civil das Plataformas Digitais, ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o pelo STF da a<strong><a href=\"https:\/\/noticias-stf-wp-prd.s3.sa-east-1.amazonaws.com\/wp-content\/uploads\/wpallimport\/uploads\/2025\/06\/26205223\/MCI_tesesconsensuadas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/noticias-stf-wp-prd.s3.sa-east-1.amazonaws.com\/wp-content\/uploads\/wpallimport\/uploads\/2025\/06\/26205223\/MCI_tesesconsensuadas.pdf\"> \u00edntegra da tese de repercuss\u00e3o geral<\/a> <\/strong>e do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.stf.jus.br\/arquivo\/cms\/noticiaNoticiaStf\/anexo\/Informac807a771oa768SociedadeArt19MCI_vRev.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.stf.jus.br\/arquivo\/cms\/noticiaNoticiaStf\/anexo\/Informac807a771oa768SociedadeArt19MCI_vRev.pdf\">resumo do julgamento (Informa\u00e7\u00e3o \u00e0 Sociedade)<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A partir destes par\u00e2metros analisa-se os tipos de provedores e suas atividades espec\u00edficas buscando casos pr\u00e1ticos de aplica\u00e7\u00e3o diante das novas responsabilidades a estas atividades econ\u00f4micas atribuidas.<\/p>\n<h2><strong>Provedores neutros &#8211; simples mensagens de WhatsApp n\u00e3o s\u00e3o atingidas.<\/strong><\/h2>\n<p>Conforme destacado na recente decis\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o do<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12965.htm#:~:text=Art.%2019.%20Com,como%20infringente%2C%20ressalvadas\"><strong> artigo 19 do Marco Civil<\/strong> <\/a>continua plenamente v\u00e1lida para determinados provedores ditos neutros, que n\u00e3o exercem qualquer controle editorial sobre as mensagens, como servi\u00e7os de e-mail, aplicativos para reuni\u00f5es fechadas e plataformas de mensagens instant\u00e2neas, incluindo o WhatsApp, exclusivamente no que tange \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es interpessoais, que s\u00e3o resguardadas pelo sigilo constitucional.<\/p>\n<h2><strong>Provedores com conte\u00fado de terceiro impulsionado, \u00a0monetizado e patrocinado.<\/strong><\/h2>\n<p>Na quest\u00e3o da responsabilidade de conte\u00fado postado terceiro patrocinado em plataformas digitais, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) j\u00e1 havia firmado entendimento de sua aplicabilidade em julgados recentes, como foi no <a href=\"https:\/\/ioda.org.br\/geral\/8915\/\"><strong>caso da responsabiliza\u00e7\u00e3o da Google Ads por publicidade com viola\u00e7\u00e3o de marca registrada<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O STF na mesma linha de entendimento reconheceu a necessidade de ampliar a responsabiliza\u00e7\u00e3o das plataformas diante de situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que potencializam riscos \u00e0 ordem p\u00fablica e aos direitos individuais.<\/p>\n<p>Assim, foram estabelecidas duas hip\u00f3teses em que as plataformas podem ser responsabilizadas mesmo sem a necessidade de ordem judicial ou notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via:<\/p>\n<ul>\n<li>Casos de impulsionamento pago de anuncios, momento em que a plataforma efetivamente aprova a veicula\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria, assumindo, assim, conhecimento t\u00e1cito sobre o conte\u00fado;<\/li>\n<li>Caso da identifica\u00e7\u00e3o do uso il\u00edcito de redes artificiais de distribui\u00e7\u00e3o, como <em>chatbots<\/em> ou rob\u00f4s, que disseminam conte\u00fados de forma automatizada.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nesses contextos, opera-se uma presun\u00e7\u00e3o de conhecimento por parte da plataforma quanto \u00e0 ilicitude material, cabendo a ela demonstrar que agiu, em tempo razo\u00e1vel e com dilig\u00eancia, para a remo\u00e7\u00e3o do conte\u00fado il\u00edcito.<\/p>\n<h2><strong>Provedores com \u00a0conte\u00fado de terceiros e o dever de cuidado.<\/strong><\/h2>\n<p>A quest\u00e3o do dever de cuidado \u00e9 ainda mais relevante \u00e9 a tentativa do Supremo em assegurar que conte\u00fados que envolvam crimes grav\u00edssimos sejam prevenidos de forma proativa pelas plataformas, mediante o chamado dever de cuidado.<\/p>\n<p>Essa obriga\u00e7\u00e3o imp\u00f5e \u00e0s plataformas digitais o encargo de agir diligentemente para impedir que determinadas mensagens ou manifesta\u00e7\u00f5es il\u00edcitas sequer sejam publicadas, independentemente de qualquer ordem judicial ou notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Entre os crimes previstos nesse contexto encontram-se o terrorismo; a indu\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio ou \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o; a pornografia infantil e crimes contra crian\u00e7as, adolescentes e demais pessoas vulner\u00e1veis; o tr\u00e1fico de pessoas; a discrimina\u00e7\u00e3o e o discurso de \u00f3dio; os crimes contra mulheres por raz\u00f5es de g\u00eanero; e atos antidemocr\u00e1ticos, verdadeiros atentados \u00e0 ordem constitucional e \u00e0 conviv\u00eancia democr\u00e1tica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Importante destacar que a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo descumprimento desse dever de cuidado s\u00f3 ocorrer\u00e1 diante de falha sist\u00eamica do provedor, ou seja, quando restar comprovada a aus\u00eancia de ado\u00e7\u00e3o de medidas eficazes para prevenir ou remover esses conte\u00fados nocivos.<\/p>\n<p>A simples exist\u00eancia isolada de um conte\u00fado il\u00edcito n\u00e3o implica, por si s\u00f3, responsabilidade civil da plataforma.<\/p>\n<h2><strong>Regula\u00e7\u00e3o das Plataformas Digitais pelo STF.<\/strong><\/h2>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o do STF do Marco Civil da Internet representa um avan\u00e7o fundamental para o direito digital brasileiro, pois equilibra a prote\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o e a seguran\u00e7a dos usu\u00e1rios, refor\u00e7a a responsabilidade social das plataformas e se alinha a padr\u00f5es internacionais modernos de regula\u00e7\u00e3o da internet.<\/p>\n<blockquote><p>Ao adotar uma postura que exige atitude proativa e diligente das plataformas, o Tribunal promove um ambiente virtual mais seguro e respeitador dos direitos humanos, sem descurar do sigilo e da prote\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es privadas, elemento indispens\u00e1vel \u00e0 democracia.<\/p><\/blockquote>\n<p>Dessa forma, a decis\u00e3o do STF n\u00e3o apenas atualiza o marco jur\u00eddico vigente, mas tamb\u00e9m fortalece a cultura de responsabilidade compartilhada no ambiente digital, prestigiando a cidadania e o Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<h2><strong>Decis\u00e3o do STF \u00a0e casos pr\u00e1ticos de sua aplica\u00e7\u00e3o nas Plataformas Digitais.<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 fundamental apresentar de forma clara as hip\u00f3teses e exemplos pr\u00e1ticos de aplica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do STF, para facilitar o entendimento sobre quando e como as plataformas digitais podem ser responsabilizadas.<\/p>\n<p>Dessa forma, ser\u00e1 poss\u00edvel garantir maior seguran\u00e7a jur\u00eddica e orientar adequadamente as a\u00e7\u00f5es das plataformas diante das novas regras.<\/p>\n<h3><strong>Caso de anuncio falso e patrocinado nas Redes Sociais, buscadores e sites de reclama\u00e7\u00e3o<\/strong><strong>.<\/strong><\/h3>\n<p>Com a recente decis\u00e3o do STF sobre o <strong>artigo 19 do Marco Civil da Internet<\/strong>, as plataformas digitais no Brasil, como redes sociais, buscadores e at\u00e9 sites de reclama\u00e7\u00e3o, passam a responder civilmente por conte\u00fados de terceiros de forma mais abrangente e equilibrada.<\/p>\n<p>Por exemplo, imagine um caso em que um usu\u00e1rio publica um an\u00fancio falso e pago em uma rede social para promover um produto enganoso, casos como estes s\u00e3o in\u00fameros e <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/busca?q=an%C3%BAncio+falso+em+rede+social\"><strong>est\u00e3o em tramite no judiciario brasileiro<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Segundo a decis\u00e3o do STF, a plataforma poder\u00e1 ser responsabilizada mesmo sem ordem judicial, pois aprovou o conte\u00fado publicit\u00e1rio e deve zelar pela veracidade das informa\u00e7\u00f5es divulgadas, ou seja, imp\u00f5e as redes de maketplace o dever de cuidado com anuncios patrocinados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a plataforma se detectar o uso de rob\u00f4s para espalhar conte\u00fados il\u00edcito ela tamb\u00e9m deve agir rapidamente para remov\u00ea-los, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o por falha sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Com efeito, de acordo com o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm\"><strong>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/strong> <\/a>(CDC) a responsabilidade \u00e9 objetiva da Plataforma que presta servi\u00e7os deve\u00a0 ser observada e garantida ao usu\u00e1rio, aqui tamb\u00e9m est\u00e1 a sua responsabilidade por <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/busca?q=falha+na+seguran%C3%A7a+da+plataforma\"><strong>falhas sistemicas<\/strong><\/a> e a integridade das contas garantidas, tudo conforme o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm#:~:text=Art.%2014.%20O%20fornecedor%20de%20servi%C3%A7os%20responde%2C%20independentemente%20da%20exist%C3%AAncia%20de%20culpa%2C%20pela%20repara%C3%A7%C3%A3o%20dos%20danos%20causados%20aos%20consumidores%20por%20defeitos%20relativos%20%C3%A0%20presta%C3%A7%C3%A3o%20dos%20servi%C3%A7os%2C%20bem%20como%20por%20informa%C3%A7%C3%B5es%20insuficientes%20ou%20inadequadas%20sobre%20sua%20frui%C3%A7%C3%A3o%20e%20riscos.\"><strong>artigo 14 do CDC<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Por outro lado, para outros tipos de conte\u00fados, a responsabilidade da plataforma depender\u00e1 do cumprimento de ordens judiciais ou notifica\u00e7\u00f5es extrajudiciais, garantindo prote\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de express\u00e3o e seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STF traz, portanto, um regime que exige das plataformas dilig\u00eancia e proatividade na modera\u00e7\u00e3o, equilibrando prote\u00e7\u00e3o aos direitos fundamentais e combate a abusos no ambiente digital \u2014 um avan\u00e7o importante para a internet brasileira<\/p>\n<h3><strong>Caso de conte\u00fados il\u00edcitos previstos pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/strong><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o do STF sobre a responsabilidade das plataformas digitais determina que todas as plataformas \u2014 desde grandes redes sociais at\u00e9 pequenos sites \u2014 devem agir com dilig\u00eancia para prevenir e remover conte\u00fados il\u00edcitos, mesmo sem ordem judicial.<\/p>\n<p>Por exemplo, se um site de classificados recebe an\u00fancios falsos que promovem golpe financeiro, ele tem o dever de agir prontamente para retirar esses an\u00fancios.<\/p>\n<p>A fraude geralmente se inicia com an\u00fancios visualmente atrativos, que transmitem confian\u00e7a ao consumidor. No entanto, muitas vezes, os respons\u00e1veis por esses conte\u00fados nem sequer oferecem o servi\u00e7o prometido ou atuam de forma maliciosa durante o atendimento\u201d, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2025\/06\/27\/criminosos-se-passam-por-profissionais-e-aplicam-golpes-via-pix-e-cartao-entenda-esquema.ghtml\"><strong>destaca Walter Faria, diretor-adjunto de Servi\u00e7os da Febraban<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Caso a plataforma n\u00e3o o fa\u00e7a, pode ser responsabilizada civilmente pelos danos causados.<\/p>\n<p>Essa orienta\u00e7\u00e3o amplia o dever de cuidado das plataformas, protegendo os usu\u00e1rios e refor\u00e7ando a responsabiliza\u00e7\u00e3o por conte\u00fados de terceiros na internet.<\/p>\n<h3><strong>Caso de marketplaces e a observ\u00e2ncia do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/strong><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o do STF sobre a responsabilidade das plataformas digitais esclarece que marketplaces como Mercado Livre e OLX devem respeitar o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm\"><strong>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/strong><\/a>, que \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o conhecida e consolidada h\u00e1 mais de 30 anos no Brasil.<\/p>\n<p>Por exemplo, se um comprador adquirir um produto defeituoso via uma dessas plataformas, ele poder\u00e1 recorrer ao CDC para exigir troca ou repara\u00e7\u00e3o, responsabilizando n\u00e3o s\u00f3 o vendedor, mas tamb\u00e9m o marketplace por n\u00e3o garantir seguran\u00e7a e transpar\u00eancia na transa\u00e7\u00e3o. Algumas Plataformas j\u00e1 possuem <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/help\/2374002556073992\/?locale=pt_BR\"><strong>postura proativa nestes casos como o Facebook.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O Facebook lan\u00e7ou novas orienta\u00e7\u00f5es para ajudar usu\u00e1rios do Marketplace a identificar e evitar golpes. A <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/help\/1295340050874305?helpref=related_articles&amp;locale=pt_BR\"><strong data-start=\"180\" data-end=\"210\">Central Antigolpes da Meta<\/strong><\/a> oferece dicas pr\u00e1ticas para reconhecer fraudes, que podem atingir tanto compradores quanto vendedores.<\/p>\n<blockquote>\n<p data-start=\"317\" data-end=\"494\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Em caso de suspeita, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 interromper a conversa e denunciar o an\u00fancio. A iniciativa aumenta a prote\u00e7\u00e3o e traz mais confian\u00e7a para quem compra e vende na plataforma.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Assim, a decis\u00e3o fortalece a prote\u00e7\u00e3o do consumidor no ambiente digital, promovendo seguran\u00e7a jur\u00eddica e responsabiliza\u00e7\u00e3o clara das plataformas, afastando a ideia de que o com\u00e9rcio online ficaria desregulado.<\/p>\n<h3><strong>Caso do uso de tecnologias de intelig\u00eancia artificial para impulsionar publicidades segmentadas<\/strong><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o recente do STF sobre a responsabilidade das plataformas digitais estabelece um importante marco para o ambiente digital brasileiro. Por exemplo, imagine uma rede social que utiliza chatbots baseados em intelig\u00eancia artificial para interagir com usu\u00e1rios e impulsionar publicidades segmentadas.<\/p>\n<blockquote><p>Caso esta plataforma permita a veicula\u00e7\u00e3o de um an\u00fancio que infringe direitos de propriedade intelectual ou contenha discurso de \u00f3dio, ela dever\u00e1 agir com dilig\u00eancia para remover o conte\u00fado, mesmo sem ordem judicial.<\/p>\n<p>Isso porque o STF afastou a responsabilidade objetiva tradicional e adotou um regime de presun\u00e7\u00e3o de responsabilidade, exigindo que as plataformas demonstrem terem atuado preventivamente e em tempo razo\u00e1vel para evitar danos.<\/p>\n<p>Dessa forma, a decis\u00e3o obriga as plataformas a implementar sistemas eficazes de modera\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia, protegendo direitos fundamentais como a dignidade, a propriedade intelectual e a democracia, sem tolher o desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p><\/blockquote>\n<p>No caso exemplificado, se a rede social n\u00e3o agir prontamente para retirar o conte\u00fado il\u00edcito identificado, poder\u00e1 ser responsabilizada civilmente, inclusive por falha sist\u00eamica, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do \u201cdever de cuidado\u201d no mundo digital.<\/p>\n<p>Indubitavelmente buscou o STF\u00a0 com esse entendimento equilibrar inova\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, garantindo maior seguran\u00e7a para usu\u00e1rios e titulares de direitos.<\/p>\n<h3><strong>Caso de crimes graves e uso de <em>chatbots<\/em> para distribui\u00e7\u00e3o il\u00edcita.<\/strong><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o do STF estabelece que plataformas digitais s\u00f3 ser\u00e3o responsabilizadas por conte\u00fados de terceiros sem ordem judicial em casos espec\u00edficos, como crimes graves e <a href=\"https:\/\/botpress.com\/pt\/blog\/chatbot-security\"><strong>uso de chatbots para distribui\u00e7\u00e3o il\u00edcita<\/strong><\/a>, exigindo atua\u00e7\u00e3o proativa e diligente das plataformas para remo\u00e7\u00e3o desses conte\u00fados. Para crimes contra a honra, permanece necess\u00e1ria ordem judicial, mas a remo\u00e7\u00e3o de conte\u00fados id\u00eanticos pode ocorrer com notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Exemplificando o caso em que uma rede social identifique perfis falsos replicando discursos de \u00f3dio contra uma comunidade vulner\u00e1vel. Segundo a decis\u00e3o do STF, a plataforma deve agir imediatamente para remover tais perfis, independentemente de ordem judicial, aplicando o dever de cuidado para prevenir danos maiores.<\/p><\/blockquote>\n<p>Caso ignore notifica\u00e7\u00f5es extrajudiciais ou judiciais e mantenha o conte\u00fado, poder\u00e1 responder civilmente por falha sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Por outro lado, se o conte\u00fado for uma cr\u00edtica ofensiva que configure crime contra honra, a plataforma dever\u00e1 remover apenas ap\u00f3s ordem judicial, respeitando a liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>O novo modelo de responsabidade \u00e9 mais adequado a realidade tecnol\u00f3gica.<\/strong><\/h2>\n<p>O STF imp\u00f5e um modelo de responsabilidade subjetiva e proativa, que obriga as plataformas a criarem mecanismos eficientes de modera\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia e atendimento, equilibrando prote\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais e seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<blockquote><p>Antes da recente decis\u00e3o do STF, o Marco Civil da Internet previa que conte\u00fados reclamados permanecessem no ar at\u00e9 ordem judicial expressa para remo\u00e7\u00e3o \u2014 um modelo \u201cna d\u00favida, pr\u00f3-liberdade de express\u00e3o\u201d, adequado a uma internet menos din\u00e2mica, como a do Orkut, envolvida no caso-base julgado.\u00a0Contudo, com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e a prolifera\u00e7\u00e3o de abusos nas redes sociais, esse regime mostrou-se insuficiente para proteger direitos fundamentais e o ambiente democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o, o STF estabeleceu que, em situa\u00e7\u00f5es envolvendo crimes graves, contas falsas ou conte\u00fados il\u00edcitos reiterados, as plataformas devem agir prontamente para remover esses conte\u00fados ap\u00f3s notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial, invertendo o modelo para \u201cna d\u00favida, pr\u00f3-remo\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por exemplo, se uma pessoa for v\u00edtima de um perfil falso que espalha discursos de \u00f3dio ou ataques graves, a plataforma ser\u00e1 obrigada a remover o conte\u00fado assim que receber o aviso, mesmo sem ordem judicial.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o o fizer, pode ser responsabilizada civilmente por falha na preven\u00e7\u00e3o ou remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse entendimento imp\u00f5e um \u201cdever de cuidado\u201d \u00e0s plataformas, equilibrando a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de express\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 honra, \u00e0 dignidade e \u00e0 democracia, sem desconsiderar o contradit\u00f3rio e o devido processo.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do STF, portanto, atualiza o Marco Civil para o contexto digital atual, garantindo maior seguran\u00e7a jur\u00eddica e responsabiliza\u00e7\u00e3o, sem sacrificar as liberdades constitucionais que s\u00e3o pilares do Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar a responsabilidade das plataformas digitais sobre conte\u00fados de terceiros, promoveu uma evolu\u00e7\u00e3o significativa na adequa\u00e7\u00e3o do Marco Civil da Internet aos desafios contempor\u00e2neos, conciliando prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais e seguran\u00e7a jur\u00eddica. No autos do Recurso Extraordin\u00e1rio\u00a0(RE) 1037396\u00a0(Tema 987 da repercuss\u00e3o geral), relatado pelo ministro Dias Toffoli, e no\u00a0RE [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":8948,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[204,45],"class_list":["post-8946","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jurisprudencia-brasileira","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/8946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/comments?post=8946"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/8946\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media\/8948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/media?parent=8946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ioda.org.br\/json\/wp\/v2\/categories?post=8946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}