{"id":8842,"date":"2025-05-08T19:46:10","date_gmt":"2025-05-08T22:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ioda.org.br\/?p=8842"},"modified":"2025-05-08T20:16:17","modified_gmt":"2025-05-08T23:16:17","slug":"microsoft-vence-argentina-software","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ioda.org.br\/publicacoes\/jurisprudencia-internacional\/microsoft-vence-argentina-software\/","title":{"rendered":"Microsoft vence disputa judicial na Argentina por uso indevido de software"},"content":{"rendered":"<p class=\"\" data-start=\"0\" data-end=\"90\"><strong data-start=\"0\" data-end=\"90\">Decis\u00e3o Judicial final na Argentina refor\u00e7a a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Propriedade Intelectual de <em>Software<\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"92\" data-end=\"587\">Em abril de 2025, o <strong data-start=\"112\" data-end=\"162\">Juzgado Civil y Comercial N\u00ba 1 de Bah\u00eda Blanca<\/strong>, sob a titularidade da ju\u00edza <strong data-start=\"192\" data-end=\"210\">Alicia \u00c1lvarez<\/strong>, proferiu <strong data-start=\"221\" data-end=\"244\">senten\u00e7a definitiva<\/strong> nos autos de n\u00ba <strong data-start=\"261\" data-end=\"275\">40892\/2022<\/strong>, caratulados <em data-start=\"289\" data-end=\"365\">&#8220;Microsoft Corporation c\/ Prote\u00ednas Argentinas S.A. s\/ Da\u00f1os y Perjuicios&#8221;<\/em>. O caso envolveu uma disputa judicial sobre <strong data-start=\"410\" data-end=\"461\">viola\u00e7\u00e3o de direitos de propriedade intelectual<\/strong> por uso n\u00e3o autorizado de programas da Microsoft instalados em computadores da empresa argentina sem as respectivas licen\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"589\" data-end=\"1043\">A decis\u00e3o \u2014 proferida em sede de a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria promovida pela <a href=\"https:\/\/www.microsoft.com\/pt-br\"><strong>Microsoft<\/strong><\/a> \u2014 reconheceu a ocorr\u00eancia de <strong data-start=\"695\" data-end=\"744\">infra\u00e7\u00e3o aos direitos autorais sobre <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=b0EgcKNhcco\">software<\/a><\/strong>, fixando indeniza\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria e determinando a <strong data-start=\"794\" data-end=\"820\">desinstala\u00e7\u00e3o imediata<\/strong> dos programas utilizados indevidamente. Trata-se de precedente relevante do <strong data-start=\"897\" data-end=\"927\">Poder Judici\u00e1rio argentino<\/strong> na tutela de bens imateriais e na consolida\u00e7\u00e3o da responsabilidade civil por uso irregular de tecnologia protegida.<\/p>\n<h2 data-start=\"999\" data-end=\"1047\">Resumo dos Fatos e Argumenta\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"1049\" data-end=\"1572\">Ap\u00f3s suspeitar de pr\u00e1ticas de pirataria, a Microsoft iniciou um <strong data-start=\"1113\" data-end=\"1149\">procedimento de prova antecipada<\/strong>, no qual peritos constataram a presen\u00e7a de <strong data-start=\"1193\" data-end=\"1242\">treze programas instalados sem licen\u00e7a v\u00e1lida<\/strong> nas m\u00e1quinas da empresa r\u00e9. Em resposta, a empresa sustentou que os programas n\u00e3o estavam sendo utilizados e que os computadores eram \u201cclonados\u201d, o que poderia justificar a presen\u00e7a de registros residuais, mesmo ap\u00f3s suposta desinstala\u00e7\u00e3o. Alegou ainda que, ap\u00f3s a inspe\u00e7\u00e3o, regularizou a situa\u00e7\u00e3o mediante aquisi\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"1574\" data-end=\"1945\">Contudo, o ju\u00edzo entendeu que tais justificativas n\u00e3o afastam a <strong data-start=\"1638\" data-end=\"1688\">infra\u00e7\u00e3o ao direito de propriedade intelectual<\/strong>, pois o simples fato de os programas estarem <strong data-start=\"1734\" data-end=\"1790\">instalados em equipamentos de propriedade da empresa<\/strong> sem autoriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 configurava <strong data-start=\"1822\" data-end=\"1838\">uso indevido<\/strong>. A ju\u00edza <strong data-start=\"1848\" data-end=\"1866\">Alicia \u00c1lvarez<\/strong>, da Vara Civil e Comercial n.\u00ba 1 de Bah\u00eda Blanca, afirmou de forma categ\u00f3rica:<\/p>\n<blockquote data-start=\"1947\" data-end=\"2140\">\n<p class=\"\" data-start=\"1949\" data-end=\"2140\"><em data-start=\"1949\" data-end=\"2140\">\u201cO simples fato de que os programas se encontravam instalados nas m\u00e1quinas da r\u00e9, independentemente de seu uso, \u00e9 suficiente para caracterizar viola\u00e7\u00e3o do direito de propriedade da autora.\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" data-start=\"2142\" data-end=\"2384\">Al\u00e9m disso, ao analisar a conduta da empresa ap\u00f3s a descoberta da irregularidade, a magistrada concluiu que a <strong data-start=\"2252\" data-end=\"2336\">compra posterior das licen\u00e7as configurou um reconhecimento impl\u00edcito da infra\u00e7\u00e3o<\/strong>, afastando a tese de aus\u00eancia de dolo ou culpa.<\/p>\n<h2 data-start=\"2386\" data-end=\"2421\">Consequ\u00eancias da Condena\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"2423\" data-end=\"2459\">Ao final, a empresa foi condenada a:<\/p>\n<ul data-start=\"2461\" data-end=\"2638\">\n<li class=\"\" data-start=\"2461\" data-end=\"2526\">\n<p class=\"\" data-start=\"2463\" data-end=\"2526\"><strong data-start=\"2463\" data-end=\"2498\">Pagar a quantia de US$ 5.942,31<\/strong>, acrescida de juros legais;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"2527\" data-end=\"2638\">\n<p class=\"\" data-start=\"2529\" data-end=\"2638\"><strong data-start=\"2529\" data-end=\"2637\">Desinstalar imediatamente qualquer software da Microsoft que ainda estivesse sendo utilizado sem licen\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"\" data-start=\"2640\" data-end=\"3046\">Importa destacar que a ju\u00edza <strong data-start=\"2669\" data-end=\"2726\">rejeitou o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por lucros cessantes<\/strong>, pois a Microsoft n\u00e3o conseguiu demonstrar nexo de causalidade entre o uso dos programas e eventual proveito econ\u00f4mico da r\u00e9. Tamb\u00e9m <strong data-start=\"2860\" data-end=\"2921\">n\u00e3o foi acolhido o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais<\/strong>, por se tratar de pessoa jur\u00eddica, nem se aplicaram <strong data-start=\"2974\" data-end=\"2993\">danos punitivos<\/strong>, por aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de consumo entre as partes.<\/p>\n<h2 data-start=\"3048\" data-end=\"3085\">Aspectos Jur\u00eddicos Relevantes<\/h2>\n<p class=\"\" data-start=\"3087\" data-end=\"3187\">A decis\u00e3o reafirma <strong data-start=\"3106\" data-end=\"3169\">princ\u00edpios basilares da prote\u00e7\u00e3o da propriedade intelectual<\/strong>, dentre os quais:<\/p>\n<ol data-start=\"3189\" data-end=\"3879\">\n<li class=\"\" data-start=\"3189\" data-end=\"3364\">\n<p class=\"\" data-start=\"3192\" data-end=\"3364\"><strong data-start=\"3192\" data-end=\"3272\">A titularidade exclusiva dos direitos autorais sobre programas de computador<\/strong>, com respaldo na legisla\u00e7\u00e3o interna e em tratados internacionais que pertencer\u00e3o ao empregador a titularidade do software desenvolvido durante o v\u00ednculo empregat\u00edcio ou estatut\u00e1rio (como o <strong data-start=\"3346\" data-end=\"3362\">Acordo TRIPS<\/strong>);<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"3365\" data-end=\"3508\">\n<p class=\"\" data-start=\"3368\" data-end=\"3508\"><strong data-start=\"3368\" data-end=\"3411\">A responsabilidade objetiva do infrator<\/strong>, que independe de prova de uso efetivo do software, bastando a instala\u00e7\u00e3o e posse injustificada, mesmo que o software ou aplicativo esteja parcialmente copiando nos computadores (hadwares) da empresa;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"3509\" data-end=\"3603\">\n<p class=\"\" data-start=\"3512\" data-end=\"3603\"><strong data-start=\"3512\" data-end=\"3563\">A fun\u00e7\u00e3o preventiva e pedag\u00f3gica da indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, mesmo quando fixada em valor moderado, mas sempre balisado pela legisla\u00e7\u00e3o interna de cada pa\u00eds, que fixam um teto m\u00e1ximo indenizat\u00f3rio;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"3604\" data-end=\"3762\">\n<p class=\"\" data-start=\"3607\" data-end=\"3762\">A distin\u00e7\u00e3o clara entre <strong data-start=\"3631\" data-end=\"3662\">danos patrimoniais e morais<\/strong>, e a <strong data-start=\"3668\" data-end=\"3724\">inaplicabilidade de danos morais a pessoas jur\u00eddicas<\/strong> na aus\u00eancia de dano \u00e0 honra objetiva, a mensura\u00e7\u00e3o neste aspecto dever\u00e1 ser feita pelo juiz diante do fato concreto, que analisar\u00e1 caso a caso;<\/p>\n<\/li>\n<li class=\"\" data-start=\"3763\" data-end=\"3879\">\n<p class=\"\" data-start=\"3766\" data-end=\"3879\">A inaplicabilidade de <strong data-start=\"3788\" data-end=\"3807\">danos punitivos<\/strong>, por n\u00e3o se tratar de rela\u00e7\u00e3o de consumo ou pr\u00e1tica reiterada de les\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"\" data-start=\"3900\" data-end=\"4265\">O caso julgado ilustra com precis\u00e3o a gravidade do uso n\u00e3o autorizado de programas de computador no \u00e2mbito empresarial, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 aparente explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica direta. A decis\u00e3o refor\u00e7a a necessidade de <strong data-start=\"4113\" data-end=\"4135\">compliance digital<\/strong> e <strong data-start=\"4138\" data-end=\"4181\">gest\u00e3o preventiva de ativos intang\u00edveis<\/strong>, sobretudo em empresas que lidam com m\u00faltiplas licen\u00e7as e tecnologias de terceiros.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"4267\" data-end=\"4519\">Mais do que punir, decis\u00f5es como esta t\u00eam papel <strong data-start=\"4315\" data-end=\"4340\">educativo e normativo<\/strong>, consolidando o entendimento de que o <strong data-start=\"4379\" data-end=\"4417\">respeito \u00e0 propriedade intelectual<\/strong> \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para o desenvolvimento de mercados justos, competitivos e juridicamente seguros.<\/p>\n<p data-start=\"4267\" data-end=\"4519\">No em quest\u00e3o, analisando pela \u00f3tica do Direito argentino, a viola\u00e7\u00e3o do direito de reprodu\u00e7\u00e3o \u2014 que consiste em copiar total ou parcialmente uma obra intelectual sem a autoriza\u00e7\u00e3o do autor \u2014 \u00e9 considerada um ato il\u00edcito, o que gera o direito de o titular da obra pleitear indeniza\u00e7\u00e3o pelos danos e preju\u00edzos decorrentes. Com base nas normas legais aplic\u00e1veis e nos artigos 1716, 1717, 1724, 1726, 1737 e seguintes do C\u00f3digo Civil e Comercial da Na\u00e7\u00e3o, o Tribunal houve por concluir pela proced\u00eancia da a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria.<\/p>\n<h3 data-start=\"0\" data-end=\"125\"><strong data-start=\"0\" data-end=\"125\">Viola\u00e7\u00e3o de Direitos Autorais por Uso Indevido de Software: Decis\u00e3o Judicial Refor\u00e7a a Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Propriedade Intelectual<\/strong><\/h3>\n<p class=\"\" data-start=\"127\" data-end=\"762\">No Direito brasileiro, o conceito de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jGr8xGEd-XM\"><strong data-start=\"164\" data-end=\"191\">propriedade intelectual<\/strong> <\/a>abrange, entre outros, os direitos autorais sobre programas de computador, cuja prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 assegurada pela<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9609.htm\"> <strong data-start=\"308\" data-end=\"327\">Lei n\u00ba 9.609\/98<\/strong> <\/a>(Lei do Software) e, subsidiariamente, pela <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm#:~:text=L9610&amp;text=LEI%20N%C2%BA%209.610%2C%20DE%2019%20DE%20FEVEREIRO%20DE%201998.&amp;text=Altera%2C%20atualiza%20e%20consolida%20a,autorais%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias.&amp;text=Art.%201%C2%BA%20Esta%20Lei%20regula,os%20que%20lhes%20s%C3%A3o%20conexos.\"><strong data-start=\"372\" data-end=\"391\">Lei n\u00ba 9.610\/98<\/strong><\/a> (Lei de Direitos Autorais). A utiliza\u00e7\u00e3o de programas sem a devida licen\u00e7a constitui viola\u00e7\u00e3o direta do direito exclusivo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica conferido ao titular da obra, ensejando <strong data-start=\"578\" data-end=\"624\">responsabilidade civil por danos materiais<\/strong>, e eventualmente <strong data-start=\"642\" data-end=\"658\">danos morais<\/strong>, nos termos dos <strong data-start=\"675\" data-end=\"718\">arts. 5\u00ba, XXVII da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>, <strong data-start=\"720\" data-end=\"738\">7\u00ba e 29 da LDA<\/strong>, e <strong data-start=\"742\" data-end=\"761\">art. 101 da LPI<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"\" data-start=\"764\" data-end=\"997\">Esse enquadramento legal se mostra adequado para analisar o recente caso julgado na Argentina, em que a <strong data-start=\"868\" data-end=\"893\">Microsoft Corporation<\/strong> obteve decis\u00e3o favor\u00e1vel contra uma empresa local que fazia uso de softwares sem licenciamento regular.<\/p>\n<p data-start=\"4267\" data-end=\"4519\">Para ter acesso integral a decis\u00e3o <strong>CLIQUE AQUI<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"4267\" data-end=\"4519\"><a href=\"https:\/\/www.ioda.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Argentina-Software.pdf\">Argentina Software<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o Judicial final na Argentina refor\u00e7a a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Propriedade Intelectual de Software Em abril de 2025, o Juzgado Civil y Comercial N\u00ba 1 de Bah\u00eda Blanca, sob a titularidade da ju\u00edza Alicia \u00c1lvarez, proferiu senten\u00e7a definitiva nos autos de n\u00ba 40892\/2022, caratulados &#8220;Microsoft Corporation c\/ Prote\u00ednas Argentinas S.A. s\/ Da\u00f1os y Perjuicios&#8221;. 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